Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de outubro de 2014

Sobre finalmente conseguir demonstrar (pelo menos um pouquinho)

Eleições e uma longa greve podem nos enrijecer, e o medo do futuro nos paralisar.
A vida começou a correr em um ritmo mais pesado e cruel, para todos nós, de diferentes formas. Talvez por isso e tantas razões das quais eu talvez nunca me de conta, até hoje não tinha conseguido perceber que os nossos dias enquanto estudantes de psicologia da UNESP Assis estão
prestes a acabar. E eu ainda não tinha chorado, até hoje.
Vivi, até então, como se ignorasse o fato de este ser o último ano, estes serem os últimos meses de nossas vidas nessa cidade. Acordava e dormia como se esta rotina fosse se repetir indefinidamente pelo transcorrer das horas, dos anos. Mas é que hoje tiramos as fotos que vão para o album da nossa formatura.
Formatura.
Então eu vi todos os meus amigos em uma foto só, vi antigos amigos comentando em fotos, familiares emocionados e parabenizações, senti saudade, senti a rapidez com que o tempo pareceu ter passado. A vida me escancarando  o que até agora não tinha conseguido, ou talvez não quisesse sentir.
Hoje, por um instante,mesmo que não tenhamos percebido, paramos para nos celebrar. Celebramos termos todos chegado até aqui, e o caminho muitas vezes não foi fácil. Outras tantas, foi absolutamente delicioso.
E hoje pude olhar para os meus colegas de classe com amor e reconhecimento.  Todos nós vivemos, sobrevivemos e reaprendemos a viver em Assis. Somos todos diferentes, mas  talvez partilhemos de um mesmo  sentimento de nostalgia, saudade, angústia, carinho e carinho, agradecimento e alegria. Posso jurar que todos estávamos na mais plena sintonia ao jogamos nossos chapéus para o alto. E essa sensação foi como um pequeno milagre.
Hoje me permiti sentir tudo isso e chorei, e lembrei, e fingi que não sentia, e fiz piadas para disfarçar, até birra fiz.
Mas agora esse sentimento me consome por inteira. E é doce e amargo ao mesmo tempo, como tantos sentimentos já experimentados ao longo destes 5 anos.Agradecimento e paz, e uma ligeira vontade de fazer tudo de novo.
 Que venham os próximos dias! prometo vivê-los, agora sim, como os últimos deste intenso e definitivo encontro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pedaço

Era riso, sorriso, abraço, lençol, travesseiro, carinho
Era briga, grito, gargalhada, sermão, peteleco
Era enfermeira, cozinheira, arrumadeira, cabeleireira, 
Era arroz, feijão e bobó de camarão
Era televisão, bossa nova e poesia (mas disso acho que ela nem sabia)
Era conselho, consolo, colo, conforto
Era abrigo
Era mimo 

Perfume, brincão, jaqueta de couro, cabelo bem cortado
Olhar esverdeado
Era a esperança, a confiança e o amor que nem cabe dentro do peito
Dona do nosso futuro mais que perfeito

Era vento no litoral
Beleza
Vontade

Agora é saudade
Ainda é vontade daquilo que não foi
Virou lembrança que vai com o vento
Solidão madrugada a dentro

Agora é lacuna
É saudade
É abismo
É fotografia
É Sonho

É Falta 
É a falta que sobra dentro de mim.
 

domingo, 28 de abril de 2013

A dois

Um mais um é igual a dois
porque dois é melhor que um
porque quando dois vira um
a gente perde a melhor parte do outro
e a nossa também.

A dois a gente se enlaça
se abraça
e se morde

A dois eu posso ser um
sendo um mecho no teu cabelo
te deixo brabo
e te amo

Dois é melhor que um
porque é bom dormir sozinho
sabendo que dá pra ligar assim, do nada
no meio da mabrugada
é que deu saudade do teu cheiro
e do teu peito colado no meu rosto
servindo de travesseiro

Dois é melhor que um
porque você 
não é metade da laranja
porque você me surpreende
porque sempre dá pra conhecer mais
e gostar mais
amar mais ainda

É que quando um quebra
outro um empresta o ombro
o corpo 
e a alma

É que se um quebra o outro um não quebra junto
dá pra ajudar a colar
até quebrar de novo

Você não é o que me falta
e sim aquilo que acrescenta
porque quando um mais um é dois
um é um inteiro
e te quero inteiro mesmo, te amo inteiro
e não pela metade

terça-feira, 9 de abril de 2013

Para aquilo que não tem nome.

Quando você nasceu eu tinha dez anos. Assim, dez anos, as duas mãos completas, que nem você tem agora.Nem sei se sabia o que era amar direito. Achava que sabia até te olhar pela primeira vez. Entendi porque é que minha amiguinha da escola achava tão legal ter um irmão, e fiquei me martirizando por achar toda aquela situação uma porcaria, até então. Você era mais vermelho do que um morango bem docinho, e nem conseguia abrir o olho miudinho. Logo que te peguei no colo, assim, com jeito de gordinha desajeitada, você chorou, e eu pensei que estava me culpando por não ter sido muito receptiva com você quando ainda estava na barriga da mãe. Aí depois foi se acostumando ao meu jeito de não saber segurar um bebê, e eu lembro que a mamãe tava muito bonita na cama do hospital. Fiquei com medo de te derrubar e devolvi você pra ela.
Odeio essa história de meio-irmão. Acho um nome feio e muito infeliz, porque, afinal, você não é cortado pela metade, certo? Você é meu irmão por inteiro, assim, todinho, com pintinhas no rosto, olhos verdes, cabelo espetado, barriguinha de verme e tudo mais.
Depois moramos por um tempo juntos, acho que por um mês só. Acho, na verdade eu não me lembro direito. Mas lembro de você, correndo com o andador pela casa, me olhando com olhos cada vez mais grandes, brilhosos e pidonhos  Não sabia lidar direito com um nenê, naquela época... E acho que ainda não sei lidar direito com você agora, às vezes sou chata demais, me desculpe. Às vezes preciso ser, viu? Você anda muito folgadinho, e eu ando irritadiça, você sabe. Na verdade não, né? Não tem culpa disso. Aliás, se alguém nessa história não tem culpa de nada, só pode ser você.
É que toda vez que eu vejo uma foto sua eu choro. É sério, eu choro mesmo, que nem eu tô chorando agora. É que da saudade do que a gente não viveu junto. É que dá vontade de ter estado com você no seu primeiro dia na escola nova, de ter visto o primeiro dentinho nascer e de ter sido sua cúmplice nas horas que você teve medo. Fui uma irmã mais velha com pouquíssimos méritos e você, ainda assim, me ama. Como pode vir me abraçar tão gostoso toda vez que eu abro a porta da casa de vocês? Porque é assim? Eu se fosse você estaria muito brabo com uma irmã  que fez a trouxinha de roupas e foi embora quando eu mais precisava. Mas você me ama, me ama e quer minha opinião, e quer deitar no sofá comigo, saber o que eu tô assistindo, e me contar do livro novo que leu. E nessa hora meu coração se esfacela e eu não consigo me concentrar em mais nada, me perdendo em devaneios e nostalgias penso em como pode existir uma criatura perfeita e tão pequena, assim, bem desse jeito que você é, com um corpinho magro e frágil pedindo uma proteção que nunca dei. E parece que esse corpinho não desiste e me quer por perto, mas continuo não atendendo às expectativas e vou embora. Fecho a porta e vou mesmo. Agora não dói mais tanto pra você, que já viveu a pior parte de ser criança, agora que descobriu o computador e se virou sem a minha ajuda. É justo, eu não te culpo e ainda vejo o mesmo amor que sempre sentiu, quando me olha nos olhos. É que, olha, pra mim, cada vez dói mais um pouco. Tá mais alto, engordou, foi bem na prova. Mais coisas que perdi. Pois é, mais uma foto de mais um aniversário ao qual não fui. E as ausências se multiplicam e eu choro. Tenho medo menino, medo do teu futuro e medo de essa coisa de não saber mais viver sem você me enlouquecer qualquer dia desses.
Desculpe não estar aí em mais um dia da tua rotina, da tua vida que tá cada vez mais tranquila e, por isso, até tentofazer uma reza desajeitada, aquela de quem nem sabe pra quem tá rezando, e agradecer. Corre, porque agora você gosta de jogar bola. Faz a lição de casa, pra depois você poder jogar videogame. Vai ler um livro que você tanto gosta, que eu espero, aqui do outro lado, que um dia você possa me perdoar pela irmã que eu não sou e possa saber que não existe coisa mais forte nesse mundo do que aquilo que você me faz sentir quando me espera na porta do apartamento. É sério. Obrigada, pentelinho, você é a pessoa com quem mais aprendi nessa vida que eu levo, de quem não sabe pra onde vai.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Conversa de botas batidas.

"Diz, quem é maior que o amor? 
 Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora 
 Vem, vamos além 
 Vão dizer, que a vida é passageira 
 Sem notar que a nossa estrela vai cair" 


 Talvez agora eu consiga escrever algo sobre você, pois nem parece que já faz algumas semanas que não habitamos mais o mesmo mundo. Eu do lado de cá, tão imersa em problemas insignificantes, na rotina sufocante, nos medos que estagnam, fico tão longe do universo do lado de lá, que nem parece que você foi embora. Não dá pra imaginar que teu quarto agora se fez vazio, e que os bonequinhos, estátuas, enfeites de papai noel serão distribuídos para os membros da família. É mentira, quando eu voltar pra minha vida antiga, terão panquecas esperando por mim,e você vai me irritar com aquele teu jeito de sempre querer oferecer aquilo que tem (e que não tem também) na tua casa. Claro que você ainda estará lá, esperando a gente chegar pra mais um almoço de domingo. Sua cama não vai estar vazia. Não pode. Não pode porque havíamos combinado de fazer tua festa de aniversário no salão do prédio esse ano. Essa promessa não pode ser quebrada, temos que contar todos os presentes que você ganhou, como no fim da festa de uma criança. Como é que a vida continua depois de você? E aqueles que precisavam da tua oração pra sarar dor de cabeça? E os que tinham o prazer de rir dos teus palavrões? E tua neta, como fica ela que poderia ter te dito tanta coisa que tá agora presa na garganta? Como ficam essas palavras que vão morrer comigo e que nunca vão chegar aos teus ouvidos, que sempre ouviram tão bem o problema dos outros? E quem vai deixar a família inteira extremamente sem paciência com melodramas? Com quem eu vou brigar porque comeu um pudim que não deveria? Pra quem a música da barata vai tocar nas festas de natal? Teu nome cheio de significado e importância soa agora vazio pelo corredor do quintal, porque você não vai atender ao nosso chamado. Não subirei mais a escada da tua casa, nem dormirei no sofá sem querer. E disseram que a última roupa que você usou foi você mesma quem escolheu. Ainda bem. Você ia ficar puta da vida se fosse ao contrário. Ficam o vazio da saudade e a música que fizeram pra ti, ecoando incansavelmente na minha alma dolorida e triste.

 "O Natalina, dê um sorriso aí! Cante e encante que hoje o dia é todo seu, vem aqui dançar com a gente, que o prazer é todo meu".
 O prazer é todo meu, vó.
 Obrigada por tudo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sobre as despedidas.


E lá se foi mais um.
Não tenho mais quase um ano inteiro do resto de minha vida,falta pouco agora, e é inevitável não escrever um texto clichê de fim de ano.
É mais inevitável ainda se foi este um ano que me fez sentir tão viva, em que me percebi amadurecendo e fazendo coisas acontecerem.
Um ano que me fez ir de encontro com o que eu já não acreditava mais que pudesse acontecer. Me percebendo no lugar certo, na hora certa, cercada pelas pessoas certas, pessoas que mudaram inevitavelmente minha vida, minha forma de ver o mundo, me expandiram a alma.

Agora o crescer e inevitável. Já aconteceu. Cresci, pronto.
E as dúvidas, dores, angústias e tristezas foram, como de costume vividas em altas doses de choro e desespero, o medo de dar errado, de estar errada e de tudo desabar. Como todo o amadurecimento e mudança devem ser, não foi sem uma pitada de dor que este ano foi vivido.
Tudo isso assusta, mas me abre um campo de possibilidades e seguranças que pensei que não seria capaz de alcançar.

A melancolia de saber como tudo é passageiro, efemero, como tudo é sopro, é pluma voando pra longe com apenas uma brisa levinha, levinha. É ver gente que vai, gente que chega, que não consegue ir. Fica.

E o mundo eu não controlo, o tempo eu não paro e da vida nada sei, mas se pudesse, eternizava tudo isso, ou faria 2011 durar ao menos mais doze meses.

Nunca fui boa em despedidas, nunca soube abrir mão das coisas. Arrumar as malas hoje, dentro deste apartamento agora vazio, mas que outrora esteve povoado por vozes, gritos e risadas das meninas com quem dividi grande parte do meu 2011, me trás uma enxurrada de sentimentos que nem se eu tivesse vontade de explicar, conseguiria. Meu sentir não cabe em mim, e muito menos entre as paredes deste apartamento.
Não cabe nem no mundo.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entre estas quatro paredes

Onde tudo começou.
Quando eu ainda nem sabia que a vida era a vida, que mamãe era mamãe, papai era papai,que e meu quarto era meu. Mesmo quando eu não sabia...ele já estava lá.
Minha história entre estas quatro paredes começou quando eu ainda era nova demais para saber como este era o meu refúgio perfeito.
Diários escondidos, medos secretos de olhar em baixo da cama, a parede vermelha, a mudança dos móveis, o Scooby-doo, brincadeiras de boneca, o Alfie, o Baby, Cucupie e Mico, as conversas nas noites infinitas com as melhores amigas que a época me proporcionou.
A alegria de ter a minha própria vitrola, meus discos, ouvir estes discos, nesta vitrola, com as pessoas mais inesquecíveis da minha vida. A antiga rede montada, os filmes da disney e as horas ouvindo as bandas favoritas no rádio das meninas super poderosas.
Os estudos desesperados na última hora, os amigos sempre prontos para ajudar. Pizza de chocolate, fanta uva e pipoca.
A semanal mudança de fotos no mural, a vontade de ficar no quarto pra sempre.
As noites em que o travesseiro, também companheiro de longa data, abafou os soluços e sentiu o salgado gosto das lágrimas de uma pequena versão de mim, que por tanto chorou. Ah, como a ouviu chorar, este velho quarto.
Viu-me crescer, e tornar-me mais forte. Acompanhou as mudanças de gostos, ideais, e até uma ligeira mudança na aparência.
Nele coube o primeiro amor, o grande amor, os amores passageiros. Colegas, amigos momentâneos, amigos de longa data, não mais amigos, amigos pra vida inteira.
Nele couberam os filmes favoritos, os livros e poemas, as cartas e bilhetes que levo comigo pra sempre.
Coube a Luísa fraca e imatura, a Luísa egoísta, a Luísa ciumenta, a Luísa arrependida. A Luísa Sorridente, feliz. A apaixonada e a desiludida. A Luísa ansiosa, a nervosa, a desesperada, a exagerada.
A Luísa que cresceu, que agora compreende. Uma Luísa mais madura, ainda com muito a aprender. A Luísa criança.
A Luísa eternamente criança, crescida, sempre contraditória e em constante movimento.
Este meu refúgio em todas as fases, mesmo com todas as transformações, mudanças e contradições,sempre esteve lá pra mim. Sempre.

E agora estará lá para outra pessoa, uma completa estranha, que, seja lá quem for, tem muita sorte. E espero que cuide deste meu companheiro da vida toda.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É que hoje eu acordei com saudade...

Parece estar sempre sorrindo. Sempre. Mesmo quando está triste ou nervosa, seus olhos risonhos não mentem. Essa eterna criança que ama viver, mais do que qualquer um que eu conheça, não tardará a sorrir novamente, o sorriso mais sincero que já vi.
Havia uma escola de inglês, e uma menina imatura. Havia uma professora especial, e então, a afinidade, a vontade de ficar horas e horas conversando depois das aulas, um convite para um jantar, um jantar, um jantar de onde nasceu uma amizade.
E então vieram presentes e discos, desabafos e conselhos, dicas, brigas, lágrimas.
Ela diz que eu a ensinei a abraçar, pois eu digo que ela me ensinou a viver. A viver e a saber que o mundo é sempre muito maior do que eu penso que é, e que sorvete de yogurte e o sorriso de uma criança dentro de um metrô cinzento estão entre as melhores coisas dessa vida. Ensinou que a Europa pode ser aí do lado, tudo depende do tamanho do seu sonho, e da sua determinação. Me ensinou a deixar o espelho de lado e a olhar pra dentro de mim mesma. Deu-me filmes, músicas, um show inesquecível, e passou a ser uma das minhas maiores referências como pessoa.
Uma saudade absurda durante um ano todo, e o medo de perde-la para o mundo... E antes de toda essa infinidade de coisas, me presenteou com a alegria de saber que se eu quiser, sim, poderemos ser eternas crianças, e que esse mundo que nós fizemos e é nosso, só nosso, vai durar para todo sempre.
É que hoje acordei com saudade, e com a incontrolável vontade de te dizer o quanto você é especial. E linda. Muito linda.
Tô sentindo meu peito explodir de amor nesse momento, até dói. E a vontade de te abraçar atinge a estratosfera.

Tô te esperando.
Volta logo, Tangerina.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ei, você aí...

Você aí que é amigo, que é bobão, que tem sorriso largo e coração enorme. Que acabou se tornando uma das pessoas das quais eu mais gosto, e mais admiro. Você que é parte dessa minha nova família, desses novos amigos eternos.
Você em quem eu penso todos os dias antes de dormir, e é o primeiro que povoa minha mente quando a manhã chega...você que me fez apaixonar até por seus adoráveis defeitos.
Sempre tive desenvoltura, jeito, e tato para lidar com os sentimentos alheios. Um abraço, um afago, uma palavra.
Mas com você a voz cala, o sorriso amolece, o choro aparece, a perna bambeia e todo carinho e toda ajuda parece escapar por entre minhas mãos que perto das suas tornam-se inúteis e inexpressivas.
Desculpe por isso.
Estou aqui, bem do lado, e ver você sofrer é sofrer em dobro. Pelo sofrimento em si, e pela impotência de não poder arrancar isso do seu coração, que é nobre demais.

A verdade é que você é o que mais me importa, e eu estarei contigo, independente do que possa vir no futuro. Mesmo estando calada, inútil e miúda.

Espero um dia ter a coragem de te dizer tudo isso, ou até mesmo, quem sabe, te mostrar essas tortas linhas, e estes textos tolos, que quase sempre referem-se a você, ao seu sorriso e ao seu par de olhos (meu par de olhos favorito).

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lágrimas à Sir Mccartney

Caem eventualmente, dentre uma ou outra fase ruim, quando a dor é tanta que tudo que se pode fazer é afundar no travesseiro e envolver-se em tristes melodias. Ou então quando a felicidade é tanta, que se ouve aquela música e só se pode chorar de alegria, por ter tanta sorte de estar viva.
Escaparam quando vi pela primeira vez aquelas imagens antigas, de quatro garotos talentosos, que ainda nem imaginavam o quão grandiosos poderiam ser. Chorei por saber que nunca os veria daquela maneira. Chorei por ter nascido com algumas décadas de atraso.
Choro de saber do amor real e sincero que o meu maior ídolo teve por sua banda, e pela música, e ao saber que esse amor bonito ainda continua vivo.
Chorei quando soube que Sir Paul Mccartney pisaria em solo brasileiro. Só a possibilidade de vê-lo fazia meus olhos marejarem.
Quando soube que sim! Ele viria, e sim! Eu o veria... lágrimas e mais lágrimas, acompanhadas de saltos que nem eu mesma sabia que era capaz de dar.
O choro soluçado quando essa certeza foi destroçada por ingressos que se esgotaram em menos de três horas.
A volta das lágrimas de alegria, quando aquela amiga mais querida de todas me ligou dizendo ter conseguido o ingresso da realização do meu maior sonho, e a volta da tristeza quando, no dia seguinte, a mesma amiga tomou emprestadas algumas de minhas lágrimas, e chorou comigo o novo desapontamento, e o fim do sonho.
A televisão sem querer foi ligada... e então?! As lágrimas pesadas e intensas, da certeza de que o maior músico do mundo estava tão perto, e eu só o veria pela tela triste e quadrada... Let it be.
Mais um tanto de lágrimas conformadas, durante a noite... e então, as lágrimas da euforia! Sim, agora era de verdade.
O dia da maior sucessão de lágrimas da história: Lágrimas pelo ônibus perdido, pelo celular perdido, pelo celular encontrado, lágrimas de agradecimento, enquanto ia apressada pela abafava avenida, lágrimas de nervoso, lágrimas pelo atraso. Metade do show se foi...lágrimas.
Portão 16A, Eleanor Rigby, lágrimas épicas e cinematográficas, acompanhadas do abraço apertado. Something, lágrimas. Todos os sentimentos e lágrimas possíveis e toda a felicidade compactada dentro daquele enorme estádio, onde todas as almas gritavam a plenos pulmões, e minhas lágrimas destinadas a ele misturavam-se e tornavam-se ainda mais fortes, junto com as lágrimas da multidão. Velhos, jovens, pobres e ricos de espírito ou de dinheiro e todas as suas histórias lacrimais dedicadas aquele homem em cima do palco. O homem do piano, do baixo, da guitarra, da voz. O meu maior ídolo, sentimento que nem todas as palavras, e nem todas as lágrimas caídas poderão explicar. Músicas pedidas? Lágrimas. E todos que eu gostaria que estivessem lá comigo? Lágrimas.
O fim que não consegui assimilar ainda...

And in the end, the love you take, is equal to the love... you make.
Paul Mccartney vai morrer afogado por todo amor que ele plantou nessa vida.
Ele me deu de presente o dia mais feliz de todos, grande parte do meu amor por música, as mais belas melodias e poesias que pude conhecer, e coisas que eu talvez ainda nem saiba que ele me deu, e, ainda assim, tudo que tenho a oferecer em troca são elas...minhas incansáveis lágrimas de amor e admiração eterna.
Obrigada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

My dreams are a cruel joke

Os olhos já tão naturalmente grandes estavam ainda mais arregalados. Como fora parar ali?
O corredor lhe era familiar, a porta verde na qual estava encostada também era uma velha conhecida. O que a intrigava era a situação.
Sentados como duas crianças, perninha de índio, um de frente para o outro. Ele a olhava como nunca olhara antes, um olhar que ela sempre quis sentir. A invadia, a reparava. Estava transparente diante daquele par de olhos. Seu par de olhos favorito.
Estiveram momentos antes dentro de uma sala de aula, mas não ouviam o que o velho professor dizia.
Agora, mais uma vez, em silencio. Quem quebraria este abismo sem som?
Ele. Lhe dirigia as palavras que por tanto tempo esperou. TANTO TEMPO! Não soube reagir de imediato.
Estática, não disse palavra alguma.


Open your eyes.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Escrevo sobre aquilo do que sou feita.

Eu falo sobre amor.
Minhas linhas tornam-se repetitivas, cansadas, estão sempre dizendo o mesmo.
Sinto-me dentro daquele filme do qual tanto gosto, em que tantos personagens e tantas histórias se reúnem, encontram e desencontram para falar do sentimento mais importante do mundo.
E sim, eu acredito que todos nós seremos salvos pelo amor, acredito mesmo que amor é tudo o que você precisa, e considero SIM toda forma de amor, se for sincera, totalmente justa e inevitavelmente linda.
Por isso essa auto-sabotagem. Por isso hoje, quando passei o olho pelos meus últimos escritos publicados notei que todos falavam da mesma coisa. Um amor de pai, um amor de avô, um coração partido pelo amor não-correspondido e o amor pelas pequenas coisinhas, invisíveis à maioria dos olhos.
E quando sentei nessa cadeira azul que tanto amo, olhei para esse pequeno tapetinho fulpudo, que tanto amo, encolhido aos meus pés, notei que mais uma vez escreveria sobre ele, só ele, porque sim, sim e sim, sou feita de amor e só dele, puro e simples. Amo o amor e, me desculpem se meus textos são cansativos por caírem sempre na mesma conversa, mas só sei escrever sobre aquilo do que sou feita :)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ao herói

Tenho saudade. Tenho muita saudade!
Quero você me acordando todos os dia meia hora mais cedo, só pra eu poder pensar que tenho mais tempo pra dormir, quero você fazendo uma carinha feliz no requeijão que passou na torrada, quero passar pelo seu quarto e ver você usando seus óculos tortos, lendo concentrado algum livro sobre o espiritismo. Quero voce fulo da vida comigo porque usei sua gilete de fazer a barba, ou porque mais uma vez esqueci de pendurar minhas calcinhas lavadas no varal.
Quero você me avisando de última hora o que vai fazer no fim de semana, mesmo que isso me deixe pirada de raiva. Até das coisas que me deixam braba eu sinto falta.
Você colocando a cabeça na porta do meu quarto, querendo saber a todo custo o que eu tô fazendo no computador, mesmo que você não vá entender coisa alguma.
Quero jantares surpresa e jantares para os meus amigos. Quero te ver com uma cara séria, tomando seu whisky com duas pedras de gelo, ou uma cerveja gelada, enquanto assiste os jogos de quarta-feira.
Entrar no seu quarto só pra ver você fazer cara de brabo e me mandar embora. Você cantando aquelas músicas insuportáveis, e ainda cantando errado, só pra me enfurecer. Ou então cantando Chico Buarque de Hollanda, Elis Regina e Tom Jobim, porque sabe que vai encher o meu coração de alegria.
Quero eu e você sentados na sala, como quando eu era bem pequeninha, ouvindo Balão Mágico e Oswaldo Montenegro comigo.
Domingos na casa da vó e você voltando cansado demais pra falar, no fim do dia.
Você me matando de irritação chutando sua bola de borracha pra lá e pra cá enquanto eu tô tentando estudar pra alguma prova. Suas manias de comer chocolate escondido de mim, e só me oferecer quando tá bem no finalzinho. Me surpreendendo com alguma notícia boa, me dando um livro de presente, entrando em uma loja pra comprar um CD e me deixando escolher um também.
Sentando comigo na beira da cama para ter uma "conversa séria", falando o quanto se sente feliz por eu não ter vergonha de abraçá-lo na frente dos meus amigos. Minha nossa! Como ter vergonha? Quero que todos saibam que você é meu pai, acho que eu nem tenho uma noção real da sorte que tenho.
Eu preciso de você, muito. Meu coração tá despedaçado de saudades, e eu vou ser pra sempre a menininha do seu coração, mesmo que eu já não esteja mais a dois palmos do chão, mesmo que agora você seja o vigia catando a poesia que entorno no chão. Cuida de mim pra sempre, porque eu vou cuidar pra sempre de você, e ainda te farei ter muito orgulho de mim, meu super-herói querido, salvou minha vida uma, duas, três vezes, e continua fazendo isso com apenas uma ligação. Amor transbordando por todos os lados, por todos os cantos, a cada vez que olho uma foto sua ou escuto a sua voz. Obrigada.

domingo, 15 de agosto de 2010

De outro jeito

"- De tudo o que ela disse, enfim... há algo que sirva pra mim?
O que é que importa, mesmo assim...
De eterno, só há o próprio fim...só o próprio fim"

"- Mas eu sequer tentei..."

Você sorriu... e sem querer...
No seu olhar ao me dizer:
"- Você é tão especial."
Que percebi... que nunca me amaria de outro jeito.

E então...

Você não pôde entender aquela lágrima a escorrer
Tentei sorrir quando te falei:
"- O vento está tão forte que faz os meus olhos arderem."

Foi isso que eu não pude dizer.
Adeus, meu bem.
De quem será... pra sempre seu.



Sabe aquela música que não é sua, mas você poderia muito bem ter escrito? Pois bem...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Today is the greatest day I've ever known(...)"

É isso.
A menina caminha com o coração um tanto partido. Não sente frio, nem calor, o sol brilha bonito no céu, mas o vento forte da Avenida permite que ela vista seu moletom favorito. Para, respira fundo, olha pro céu... sorri.
A tristeza dessa vez é diferente. Ela é serena, é madura, oposto de todas as outras vezes, não impede a menina de sorrir, de rir com alguns amigos, e de apreciar uma flor bonita no galho de uma árvore.
Talvez carregue consigo uma pitada de arrependimento. Devia ter sido mais corajosa! A covardia sempre lhe foi um problemão. Se tivesse sido mais explicita em relação aos seus sentimentos então... AH! Agora não adianta mais pensar nisso. Mal feito, feito. Acabou, pronto, vai esquecer.
Poderá cair uma lágrima ou outra, e de noite quando fechar os olhos com certeza terá um único pensamento. Só queria ter sido diferente de todo o resto, e nem isso conseguiu.
Olha para os lados. Um raio de sol inesperado invade-a por completo e então não pode evitar o pensamento de como a vida é bonita, e uma pequena chama de esperança não pode deixar de brotar dentro dela. Afinal, com um céu desses, e com uma música que lhe diz que hoje é o melhor dia que ela já conheceu, como não esperar pelo melhor, de fato? :)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sobre as lágrimas de Marco Aurélio Milano.

Nunca tinha visto meu avô chorar, nunca. Já ouvi histórias de como ele chorou quando soube que minha vó havia morrido, alguns leves rumores de uma lágrima ou outra que se perdeu nos cantos da casa empoeirada. Só palavras, e lembranças não minhas.
Certa vez, em certo filme, uma certa Tangerina disse a um certo Joel Barish, que ninguém sabe o quão solitário é ser uma criança. Correto. Corretíssimo, eu diria. Mas o que poucos sabem é da solidão desoladora de um senhor que, não por escolha, não por vontade própria, voltou a ser criança. Eu também não sei como é essa dor, mas posso ve-la nos olhos brilhosos de meu avô, todas as vezes em que ele aparece no portão, para abri-lo para mim.
Marco Aurélio Milano tem setenta anos, mas aparente muito mais. Sofreu muito na vida, emocional e físicamente. Não fala mais, não pode mais ingerir nada sólido, consegue dar poucos passos e precisa eventualmente de um tubo de oxigênio para respirar. Esse é meu avô hoje, que ontem foi comunista fervoroso, fã de Chico Buarque de Hollanda e amante latino incorrigível.
Ele ainda é um herói e tanto, mas sua luta é a luta diária para sobreviver. Com suas manias de velho cri-cri e seu jogo de loteria do qual não abre mão, ele sempre dá um jeito de me abrir um sorriso quando vou para sua casa.
Não tinha idéia, não tinha idéia de como ele sofre com a vida que leva hoje hoje. Ele não me contou nada, não reclamou ou praguejou. Vejo a tristeza em seus olhos, vejo o cansaço, vejo-o sonhando seus sonhos inquietos, todo encolhido na cama, como um bebê.
Eu o amo, amo muito, amo muito.
Nunca tinha visto meu avô chorar, nunca. Por esses dias vi algumas lágrimas escorrerem, vi até ele perder o pouco ar que tem em seus pulmões cansados.
Lágrimas de alegria, lágrimas que brotaram por um motivo tão singelo, tão simples. "São essas as coisas que fazem ele feliz hoje em dia", disse a minha mãe. É a simplicidade que só uma criança pode enxergar. Agora sei que os velhinhos também enxergam.
Então, em um choro velado, baixinho, e escondido, chorei com ele.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Para Luísa"

"O seu amor sempre foi o conforto nos meus dias difíceis e a força para que eu não desistisse dos meus sonhos!
Mesmo que você não esteja sempre comigo, posso sentir sua presença no meu coração!

Com muito amor
Vovó Marcinha"


Esse cartão não foi datado. Achei hoje, enquanto mexia em minhas caixinhas. Na certa veio junto com algum presentinho secreto, desses que a minha vó costumava me dar. Encontrá-lo foi como ser testemunha de um pequeno milagre.
Obrigada.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fluxo de consciência/Carta/Desabafo

O céu é tão escuro do outro lado da janela, que nem me atrevo a virar o pescoço para olhar uma segunda vez. Depois de dias de trégua as tempestades voltaram a bater violentamente contra as vidraças, e o guarda-chuva foi mais uma vez aberto, como forma de escudo contra os pingos frios e como um protesto às cores apagadas de uma cidade triste e parada.
Agora são 8h33 da manhã e aqui estou eu, esperando a rotina começar. Rotina essa que agora tem seus duas contados, e eu venho procurado a maneira mais correta de desabafar sobre isso. Vou embora, e agora é uma questão de poucas semanas. Os olhos marejam ao olhar a foto do meu pequeno irmão, posta bem aqui ao meu lado. Quando eu voltar, esse "pequeno" terá 12 anos de idade, e mesmo que eu volte com certa regularidade, perderei boa parte de sua trajetória, e isso dói.
O "vou sentir saudade" daquele que acredito ser o único por quem eu abandonaria todos os meus planos, volta aos meus ouvidos e se confunde com as palavras que digo a ele baixinho, num suspiro que engole choro...Quem é que vai cuidar de você, pai? Quem?
Quando na realidade a pergunta é quem vai cuidar de mim como você SEMPRE cuidou?
Meu quarto já é tão parte de mim que nem sei como poderei chamar outro aposento de meu. Quero leva-lo comigo, amo cada centímetro desse quarto, desde a parede vermelha aos antigos suportes de rede. Os ursinhos de pelúcia aparentemente esquecidos, a minha vitrola e os meus adorados discos de vinil. Não existe lugar como esse no mundo.
Escrevo meio escondido, enquanto imprimo envelopes que sei que imprimo pela última vez, e é claro que isso é emotivamente exagerado, mas vou sentir saudades de fazê-lo. Também vai deixar saudades essa moça, que sentou de frente pra mim por quase um ano. Por vezes quisermos matar uma a outra, por vezes ela me pegou cabulando serviço para fuçar na internet, e me deu uma baita bronca. E é claro que por vezes ela me ensinou lições que nem sabe que ensinou, e eu nem consigo pensar que daqui uma semana darei adeus a ela, aos lanchinhos no meio do expediente, às conversas, conselhos e caronas. Paulinha, uma das minhas mães.
Em 7 dias deixarei meu primeiro emprego, e os dois chefes mais bonzinhos, que eu sei que não se igualarão a nenhum outro que passe pela minha vida.
Lá se vai mais um dia de trabalho, o expediente já está quase no fim e já começo a me preparar pra ir pra casa da minha mãe, como faço frequentemente. Talvez ela seja a única que tenha a coragem de ler esse texto longo, até o final. É o jeito que ela encontra para estar perto de mim todos os dias.
Desculpe se as coisas são assim, mãe, e obrigada pelos pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Como se interessar pelo que eu escuto, leio e escrevo, ou por sair no meio da tarde só pra comprar as coisas que eu gosto. Você é uma heroína e nem sabe.
Sei que assim que eu chegar na casa dela meu avô estará lá pra me recepcionar, com aquele olhar de quem voltou a ser criança e não lembra mais como é cuidar de si mesmo. Toda vez que me despeço dele, internamente, por mais terrível que isso possa parecer, me pergunto se será a última vez, e só de pensar nisso me dá vontade de chorar.
Aliás, tudo tem me feito chorar ultimamente. Agora já são três da tarde e eu ainda não consegui terminar esse fluxo de consciência/carta/texto/desabafo.
A música do Star Wars vem alto da televisão. Fecho meus olhos e tento a todo o custo gravar essa casa, nesse momento, dentro de mim. O chinelo do meu avô arrastando pra lá e pra cá, o cheiro que só tem aqui nessa sala, o meu ermano vendo desenho e meu tio, o cara mais inteligente que eu conheço, trabalhando no laboratório. Antes o Gabriel, meu anjo da guarda há cinco anos, apareceu de surpresa na porta do meu trabalho, andamos de mãos dadas e ele me contou da faculdade. Faculdade, é pra onde quase todos nós estamos indo. Uns, mas especiais e sonhadores, vão para a Holanda e ouros, para a alegria do público e orgulho dos amigos, vão para grupos de teatro.
Meus amigos estão escapando da minha mão, cada um segue seu caminho, e foge por entre meus dedos pequenos. Mas tá tudo bem, tenho de ir também. Agora penso naquela amiga que não só me inspirou a montar esse blog, como também me ensinou o que é a vida mais do que qualquer outra. Penso na pequena estilista com quem a vida sempre acaba me reunindo. Tem a lourinha do sorrisão, que é uma atriz formidável, os amigos de infância, os amigos que conquistei recentemente, aquelas três meninas que eu sei que vão me acompanhar pra sempre e, é claro, o meu chaveiro, talismã da sorte e amiga que lê meus pensamentos e me conhece decor.
Gostaria de levar todos comigo, todos, do fundo do meu pâncreas. São todos aqueles para quem eu não teria ter que dizer adeus.
Tem também aquele professor por quem fui apaixonada durante o ensino médio, o menino que mora no prédio próximo, que me deu meu primeiro beijo e hoje é meu grande amigo, todas as paixões platónicas que foram intensas e caladas e, é claro, aquele por quem eu sempre fui um pouquinho apaixonada, apesar de não admitir nem pro meu travesseiro.
Sei que tá na hora de parar de escrever... sinto os segundos passando. O tempo corre contra mim e meu irmão me chama pra brincar de esconde-esconde com ele.

Amanhã vou conhecer meu novo "lar", mas meu pensamento estará em São Bernardo do Campo e seus pequenos encantos. Os dias passados aqui, os sorriso, amigos, suspiros e gargalhadas, levo comigo cada esquina. Tudo aqui é tão meu, tão eu, que até dói.

(Pensamentos e declarações de amor e saudade antecipada, aos meus 17 anos de histórias e memórias vividos por aqui.)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Para Matheus.

Tem sete anos. É pequeno. Pensa que é um Jedi.
Clichê é falar do quanto as crianças são especiais e curiosas, e eu não vou nem entrar no mérito dessa discussão porque, nem se eu tentasse, conseguiria passar para um texto o quanto ESSA criança é especial e curiosa. Uma, porque as minhas habilidades como "escritora" ainda são um tanto restritas, e outra porque qualquer palavra, por mais bem elaborada, não explicaria o que é o Matheus, de maneira apropriada.
Meu irmão não é o mais inteligente, nem o mais bonito(apesar de chegar bem perto disso), ou o mais sensível, ou o mais engraçado garoto do mundo. Talvez possa dizer que ele é o mais especial, e com certeza posso dizer que ele é o mais amado, e o mais amável.
Correndo banguelo pela casa, com seu sabre de luz imaginário e vociferando palavras do seu prório vocabulário, olhando no relógio de tempo em tempo, pra não perder o horário do seu desenho favorito. Se eu pedir um beijinho pra ele, sei que para na hora o que estiver fazendo, vai chegar de mancinho e beijar meu ombro aquele beijo estaldo e gelado de sorvete de morango.
Não acho necessário me prolongar muito nesse texto, que nunca vai sair do jeito que eu gostaria e que nem sei se vou ter coragem de mostrar pra ele um dia. É mais um desabafo, uma explosão de amor e saudade antecipada, é mais um marejar de olhos que cresceu, e um suspiro que se prolongou, um pensamento que foi além do pensamento.
Aqui, Matheus, te deixo minhas desculpas sinceras, por não poder estar presente no seu dia-a-dia, pelos momentos incríveis que eu vou perder, e por não acompanhar o seu crescimento e a sua evolução como esse ser humano extraordinário que você é. Desculpe também se ás vezes eu tenho atitudes de pessoa crescida e chata, e não entendo alguma brincadeira sua.
Te deixo meu agradecimento, por me ensinar aquelas cosias que só garotinhos de sete anos podem ensinar pra gente. Obrigada também pelo amor incondicional e pela inocência, que como todo o meu coração eu desejo que você concerve.
Tenha muita força, e saiba que o mundo pode sim ser feio e cruel, mas ele é muito mais beleza, Matheus, e eu espero que você saiba enxergar isso.
Sei que não posso te proteger de todas as pessoas e situações ruins que você vai enfrentar, mas eu o faria, se pudesse.
Tem grandes olhos verdes. É magrelo. Está atualmente banguelo e queimado de sol. Eu o amo muito mais do que um dia eu pensei amar alguém.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sobre a música.

Tem músicas que fazem realmente com que eu me sinta especial. Não é no sentido de ser melhor do que as outras pessoas, ou coisa que o valha, é no sentido de me sentir especial por ter a música e, até mesmo, ser a música, em alguns momentos.
Vez ou outra me sinto a própria Little Girl blue,da Janis Joplin, ou então, a Lucy in the sky, com seus diamantes. Na chuva, em uma destas tardes em que a rua é o último lugar onde eu gostaria de estar, Regina Spektor começa a cantar e todas as pessoas e carros que me cercam viram apenas borrões apagados nessa cidade apagada, da qual já estou muito longe, longe demais pra me importar com a frieza dela e do resto do mundo.
Há ocasiões em que só a música consola. Em uma música da qual eu gosto muito, um tal de Conor diz assim:"when everything gets lonely I can be my own best friend", e, apesar de achar essa frase sincera pra burro, ela não se aplica a mim, afinal, when everything gets lonely my MUSIC is my own best friend. Digo minha, porque meu Thom Yorke não é o mesmo que o seu, nem a minha Ida Maria, que é pouco minha, mas muito minha. É pouco porque não são todas as músicas dela que me tocam, e é muito, porque uma delas é o suficiente pra encher a minha alma de alegria e consolo. Daí aquela questão de preferir canções, acima de bandas. Nunca soube chegar a qualquer conclusão a respeito, já é um assunto ao qual nem entro mais durante meus devaneios e emaranhados de pensamento, porque, se de um lado tenho a Ida, com sua(até então) única canção, tenho, do outro lado, Weezer, que me faz dar saltinhos(LITERALMENTE)delirantes quando chega a pasta de músicas dele, no meu velho MP3, que me acompanha já há mais de três anos. Algumas rachaduras, o botão do volume e o hold quebrados, mas ele nunca me deixou na mão.
Creio que esse meu sentimento é compartilhado com a maioria das pessoas(com o mínimo de sensibilidade, é claro), não pelas mesmas músicas, e ainda menos pelos mesmos motivos, mas esse conforto, essa identificação, esse compartilhamento de si mesmo consigo mesmo, essa coisa, por falta de melhor nome, que, em mim, é só a música que faz.
Aproveitando esse texto, que escrevo sem qualquer revisão gramatical, preocupação com repetições ou qualquer porcaria dessas, quero agradecer. Ao Renato Russo agradeço por Giz, Via Láctea e Vento no Litoral. Aos Beatles agradeço por encherem meu coração de alegria, todo dia, a toda hora, porque todo o dia é dia pra se acordar Beatles. Ao Radiohead agradeço pelo melhor show da minha vida, por Exit music e pela sua explosão de cores em cima do palco. Agradeço a Janis Joplin, Elis Regina e Regina Spektor pela inspiração e pelo espelho. Chico Buarque e Vinícius de Moraes pelas mais belas e fortes poesias que meus inexperientes ouvidos já tiveram a sorte de encontrar. A todas as bandas que um dia eu já ouvi, que me foram especiais e me tocaram de alguma forma.
Aos caras do Weezer pela pureza e pela simplicidade, e por Paron me, que me ajudou mais do que qualquer um pode imaginar, em certa época da minha vida. Obrigada ao senhor Brandon Boyd por me fazer acreditar em coisas que a primeira vista parecem impossíveis e por, ainda mesmo depois de tanto tempo, me fazer acordar Incubus de vez em quando. Obrigada a todos estes que seguem comigo, seja nos discos, no MP3, no cumputador, ou na minha mente. Obrigada.
Não toco qualquer instrumento, não sei nada de técnicas, efeitos de guitarra e não sou profunda conhecedora de bandas ou estilos músicais. O que é bom pra mim talvez não seja bom pra você. Mas tá tudo bem, porque eu amo música, respiro música, e isso ninguém tira de mim.