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sábado, 18 de outubro de 2014

Sobre finalmente conseguir demonstrar (pelo menos um pouquinho)

Eleições e uma longa greve podem nos enrijecer, e o medo do futuro nos paralisar.
A vida começou a correr em um ritmo mais pesado e cruel, para todos nós, de diferentes formas. Talvez por isso e tantas razões das quais eu talvez nunca me de conta, até hoje não tinha conseguido perceber que os nossos dias enquanto estudantes de psicologia da UNESP Assis estão
prestes a acabar. E eu ainda não tinha chorado, até hoje.
Vivi, até então, como se ignorasse o fato de este ser o último ano, estes serem os últimos meses de nossas vidas nessa cidade. Acordava e dormia como se esta rotina fosse se repetir indefinidamente pelo transcorrer das horas, dos anos. Mas é que hoje tiramos as fotos que vão para o album da nossa formatura.
Formatura.
Então eu vi todos os meus amigos em uma foto só, vi antigos amigos comentando em fotos, familiares emocionados e parabenizações, senti saudade, senti a rapidez com que o tempo pareceu ter passado. A vida me escancarando  o que até agora não tinha conseguido, ou talvez não quisesse sentir.
Hoje, por um instante,mesmo que não tenhamos percebido, paramos para nos celebrar. Celebramos termos todos chegado até aqui, e o caminho muitas vezes não foi fácil. Outras tantas, foi absolutamente delicioso.
E hoje pude olhar para os meus colegas de classe com amor e reconhecimento.  Todos nós vivemos, sobrevivemos e reaprendemos a viver em Assis. Somos todos diferentes, mas  talvez partilhemos de um mesmo  sentimento de nostalgia, saudade, angústia, carinho e carinho, agradecimento e alegria. Posso jurar que todos estávamos na mais plena sintonia ao jogamos nossos chapéus para o alto. E essa sensação foi como um pequeno milagre.
Hoje me permiti sentir tudo isso e chorei, e lembrei, e fingi que não sentia, e fiz piadas para disfarçar, até birra fiz.
Mas agora esse sentimento me consome por inteira. E é doce e amargo ao mesmo tempo, como tantos sentimentos já experimentados ao longo destes 5 anos.Agradecimento e paz, e uma ligeira vontade de fazer tudo de novo.
 Que venham os próximos dias! prometo vivê-los, agora sim, como os últimos deste intenso e definitivo encontro.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Para mais um adeus

Despedida
Despida
De fala
De ar
De sono 

Vazio que resta, dias adentro, anos a fio. 



(Puta que o pariu, como isso dói!)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pedaço

Era riso, sorriso, abraço, lençol, travesseiro, carinho
Era briga, grito, gargalhada, sermão, peteleco
Era enfermeira, cozinheira, arrumadeira, cabeleireira, 
Era arroz, feijão e bobó de camarão
Era televisão, bossa nova e poesia (mas disso acho que ela nem sabia)
Era conselho, consolo, colo, conforto
Era abrigo
Era mimo 

Perfume, brincão, jaqueta de couro, cabelo bem cortado
Olhar esverdeado
Era a esperança, a confiança e o amor que nem cabe dentro do peito
Dona do nosso futuro mais que perfeito

Era vento no litoral
Beleza
Vontade

Agora é saudade
Ainda é vontade daquilo que não foi
Virou lembrança que vai com o vento
Solidão madrugada a dentro

Agora é lacuna
É saudade
É abismo
É fotografia
É Sonho

É Falta 
É a falta que sobra dentro de mim.
 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Para aquilo que não tem nome.

Quando você nasceu eu tinha dez anos. Assim, dez anos, as duas mãos completas, que nem você tem agora.Nem sei se sabia o que era amar direito. Achava que sabia até te olhar pela primeira vez. Entendi porque é que minha amiguinha da escola achava tão legal ter um irmão, e fiquei me martirizando por achar toda aquela situação uma porcaria, até então. Você era mais vermelho do que um morango bem docinho, e nem conseguia abrir o olho miudinho. Logo que te peguei no colo, assim, com jeito de gordinha desajeitada, você chorou, e eu pensei que estava me culpando por não ter sido muito receptiva com você quando ainda estava na barriga da mãe. Aí depois foi se acostumando ao meu jeito de não saber segurar um bebê, e eu lembro que a mamãe tava muito bonita na cama do hospital. Fiquei com medo de te derrubar e devolvi você pra ela.
Odeio essa história de meio-irmão. Acho um nome feio e muito infeliz, porque, afinal, você não é cortado pela metade, certo? Você é meu irmão por inteiro, assim, todinho, com pintinhas no rosto, olhos verdes, cabelo espetado, barriguinha de verme e tudo mais.
Depois moramos por um tempo juntos, acho que por um mês só. Acho, na verdade eu não me lembro direito. Mas lembro de você, correndo com o andador pela casa, me olhando com olhos cada vez mais grandes, brilhosos e pidonhos  Não sabia lidar direito com um nenê, naquela época... E acho que ainda não sei lidar direito com você agora, às vezes sou chata demais, me desculpe. Às vezes preciso ser, viu? Você anda muito folgadinho, e eu ando irritadiça, você sabe. Na verdade não, né? Não tem culpa disso. Aliás, se alguém nessa história não tem culpa de nada, só pode ser você.
É que toda vez que eu vejo uma foto sua eu choro. É sério, eu choro mesmo, que nem eu tô chorando agora. É que da saudade do que a gente não viveu junto. É que dá vontade de ter estado com você no seu primeiro dia na escola nova, de ter visto o primeiro dentinho nascer e de ter sido sua cúmplice nas horas que você teve medo. Fui uma irmã mais velha com pouquíssimos méritos e você, ainda assim, me ama. Como pode vir me abraçar tão gostoso toda vez que eu abro a porta da casa de vocês? Porque é assim? Eu se fosse você estaria muito brabo com uma irmã  que fez a trouxinha de roupas e foi embora quando eu mais precisava. Mas você me ama, me ama e quer minha opinião, e quer deitar no sofá comigo, saber o que eu tô assistindo, e me contar do livro novo que leu. E nessa hora meu coração se esfacela e eu não consigo me concentrar em mais nada, me perdendo em devaneios e nostalgias penso em como pode existir uma criatura perfeita e tão pequena, assim, bem desse jeito que você é, com um corpinho magro e frágil pedindo uma proteção que nunca dei. E parece que esse corpinho não desiste e me quer por perto, mas continuo não atendendo às expectativas e vou embora. Fecho a porta e vou mesmo. Agora não dói mais tanto pra você, que já viveu a pior parte de ser criança, agora que descobriu o computador e se virou sem a minha ajuda. É justo, eu não te culpo e ainda vejo o mesmo amor que sempre sentiu, quando me olha nos olhos. É que, olha, pra mim, cada vez dói mais um pouco. Tá mais alto, engordou, foi bem na prova. Mais coisas que perdi. Pois é, mais uma foto de mais um aniversário ao qual não fui. E as ausências se multiplicam e eu choro. Tenho medo menino, medo do teu futuro e medo de essa coisa de não saber mais viver sem você me enlouquecer qualquer dia desses.
Desculpe não estar aí em mais um dia da tua rotina, da tua vida que tá cada vez mais tranquila e, por isso, até tentofazer uma reza desajeitada, aquela de quem nem sabe pra quem tá rezando, e agradecer. Corre, porque agora você gosta de jogar bola. Faz a lição de casa, pra depois você poder jogar videogame. Vai ler um livro que você tanto gosta, que eu espero, aqui do outro lado, que um dia você possa me perdoar pela irmã que eu não sou e possa saber que não existe coisa mais forte nesse mundo do que aquilo que você me faz sentir quando me espera na porta do apartamento. É sério. Obrigada, pentelinho, você é a pessoa com quem mais aprendi nessa vida que eu levo, de quem não sabe pra onde vai.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para as coisas belas e tristes.

O sorriso, a partida. Mal sabíamos uma da outra, apenas quase estranhas com simpatia e um pouco de mistério. Mas agora penso em você quase todos os dias, e te procuro nas imagens, nos recados, nas lembranças. Tenho medo de não te achar mais em lugar nenhum, medo de te esquecerem.
Sei que não vão. Tuas vibrações foram suficientes para deixar uma legião de pessoas apaixonadas por cada detalhe seu, por cada instante vivido.
Sei que também não vou, mas, se você estivesse aqui, se ainda sorrindo, se ainda dançando, talvez não teria o espaço que tem no meu peito agora. Não precisaria, não é mesmo?
Sempre invejei essa tua beleza, como era bela. Como é Bela! E como teve essa coisa louca de querer viver com o riso frouxo,o cabelo solto, e com essa coisa que sempre faltou na minha testa franzida, na cara amarrada, nesse jeito carrancudo de beijar santo o tempo todo e nesse sufoco que parece que me impede de ser feliz. É tão fácil me ver pequena diante dessa tua leveza até na hora mais triste, até naquela foto enorme que vimos na hora de dizer adeus. Menina, menina, não sei da saudade daqueles que te tem como tudo na vida, e só de pensar nela o meu peito dói uma dor doída que me dá vontade de chorar. Só quero que saibas que eu me lembro, e vou lembrar por um bom tempo da minha vida. Talvez lembre pra sempre e sempre agradecerei pela lição que me ensinou, sem nem mesmo saber que o fez.

Lá fora, tô indo abraçar o sol. É o mínimo que posso fazer por você.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tempo tempo tempo tempo tempo tempo

Hoje é dia dois de outubro. Percebi que posso contar nos dedos as vezes em que olhei o calendário, neste ano. Agosto demorou dois séculos inteirinhos pra passar, e do mês do desgosto pulou-se direto pra dezembro. Setembro fugiu, saiu correndo. O que fiz com ele? Assustei-o com o meu descaso? Queria que ficasse um pouco mais...
No calendário não reparo, mas no relógio digital que fica logo ao lado pouso meu olhar todos os dias, o tempo todo. Relógio, aparelhinho que me controla como nada mais consegue, fruto de todas as minhas angústias e de todo o meu desespero. Não para. Pressa pressa pressa pressa pressa!
Quando foi que cedemos? Quando foi que caímos direitinho na armadilha de não-sei-quem e colocamos esse tic-tac incessante em nossas vidas? Porque meu dia não pode ter quantas horas me forem necessárias para fazê-lo completo?
Neste ano que já acaba vejo tanta gente indo embora... Vou embora de mim mesma e vão embora de mim. Vou embora dos outros também, mas dá uma vontadezinha de ficar...
Uns que vão para longe, sei que voltam sempre, e que me chamam, caso a saudade aperte o peito. Outros vão para a esquina, mas para estes meu olhar e sentimento nunca mais serão os mesmos. Partidas e partidas e fica sempre o arrependimento de poder ter feito isso ou aquilo diferente. Talvez a falta de tempo não tenha me deixado pensar um pouco mais. Só um pouco.
Queria quebrar o relógio, para fazer os segundos cristalizarem-se nessa madrugada.
Paralisa tempo, paralisa até que o sono volte, até que a ferida feche, até que eu me faça forte. Paralisa, porque amanhã você é cruel e não me deixa viver o dia bonito lá fora. Paralisa, porque se não amanhã perco a hora, e é dia de acordar cedo. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Conversa de botas batidas.

"Diz, quem é maior que o amor? 
 Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora 
 Vem, vamos além 
 Vão dizer, que a vida é passageira 
 Sem notar que a nossa estrela vai cair" 


 Talvez agora eu consiga escrever algo sobre você, pois nem parece que já faz algumas semanas que não habitamos mais o mesmo mundo. Eu do lado de cá, tão imersa em problemas insignificantes, na rotina sufocante, nos medos que estagnam, fico tão longe do universo do lado de lá, que nem parece que você foi embora. Não dá pra imaginar que teu quarto agora se fez vazio, e que os bonequinhos, estátuas, enfeites de papai noel serão distribuídos para os membros da família. É mentira, quando eu voltar pra minha vida antiga, terão panquecas esperando por mim,e você vai me irritar com aquele teu jeito de sempre querer oferecer aquilo que tem (e que não tem também) na tua casa. Claro que você ainda estará lá, esperando a gente chegar pra mais um almoço de domingo. Sua cama não vai estar vazia. Não pode. Não pode porque havíamos combinado de fazer tua festa de aniversário no salão do prédio esse ano. Essa promessa não pode ser quebrada, temos que contar todos os presentes que você ganhou, como no fim da festa de uma criança. Como é que a vida continua depois de você? E aqueles que precisavam da tua oração pra sarar dor de cabeça? E os que tinham o prazer de rir dos teus palavrões? E tua neta, como fica ela que poderia ter te dito tanta coisa que tá agora presa na garganta? Como ficam essas palavras que vão morrer comigo e que nunca vão chegar aos teus ouvidos, que sempre ouviram tão bem o problema dos outros? E quem vai deixar a família inteira extremamente sem paciência com melodramas? Com quem eu vou brigar porque comeu um pudim que não deveria? Pra quem a música da barata vai tocar nas festas de natal? Teu nome cheio de significado e importância soa agora vazio pelo corredor do quintal, porque você não vai atender ao nosso chamado. Não subirei mais a escada da tua casa, nem dormirei no sofá sem querer. E disseram que a última roupa que você usou foi você mesma quem escolheu. Ainda bem. Você ia ficar puta da vida se fosse ao contrário. Ficam o vazio da saudade e a música que fizeram pra ti, ecoando incansavelmente na minha alma dolorida e triste.

 "O Natalina, dê um sorriso aí! Cante e encante que hoje o dia é todo seu, vem aqui dançar com a gente, que o prazer é todo meu".
 O prazer é todo meu, vó.
 Obrigada por tudo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sobre as despedidas.


E lá se foi mais um.
Não tenho mais quase um ano inteiro do resto de minha vida,falta pouco agora, e é inevitável não escrever um texto clichê de fim de ano.
É mais inevitável ainda se foi este um ano que me fez sentir tão viva, em que me percebi amadurecendo e fazendo coisas acontecerem.
Um ano que me fez ir de encontro com o que eu já não acreditava mais que pudesse acontecer. Me percebendo no lugar certo, na hora certa, cercada pelas pessoas certas, pessoas que mudaram inevitavelmente minha vida, minha forma de ver o mundo, me expandiram a alma.

Agora o crescer e inevitável. Já aconteceu. Cresci, pronto.
E as dúvidas, dores, angústias e tristezas foram, como de costume vividas em altas doses de choro e desespero, o medo de dar errado, de estar errada e de tudo desabar. Como todo o amadurecimento e mudança devem ser, não foi sem uma pitada de dor que este ano foi vivido.
Tudo isso assusta, mas me abre um campo de possibilidades e seguranças que pensei que não seria capaz de alcançar.

A melancolia de saber como tudo é passageiro, efemero, como tudo é sopro, é pluma voando pra longe com apenas uma brisa levinha, levinha. É ver gente que vai, gente que chega, que não consegue ir. Fica.

E o mundo eu não controlo, o tempo eu não paro e da vida nada sei, mas se pudesse, eternizava tudo isso, ou faria 2011 durar ao menos mais doze meses.

Nunca fui boa em despedidas, nunca soube abrir mão das coisas. Arrumar as malas hoje, dentro deste apartamento agora vazio, mas que outrora esteve povoado por vozes, gritos e risadas das meninas com quem dividi grande parte do meu 2011, me trás uma enxurrada de sentimentos que nem se eu tivesse vontade de explicar, conseguiria. Meu sentir não cabe em mim, e muito menos entre as paredes deste apartamento.
Não cabe nem no mundo.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entre estas quatro paredes

Onde tudo começou.
Quando eu ainda nem sabia que a vida era a vida, que mamãe era mamãe, papai era papai,que e meu quarto era meu. Mesmo quando eu não sabia...ele já estava lá.
Minha história entre estas quatro paredes começou quando eu ainda era nova demais para saber como este era o meu refúgio perfeito.
Diários escondidos, medos secretos de olhar em baixo da cama, a parede vermelha, a mudança dos móveis, o Scooby-doo, brincadeiras de boneca, o Alfie, o Baby, Cucupie e Mico, as conversas nas noites infinitas com as melhores amigas que a época me proporcionou.
A alegria de ter a minha própria vitrola, meus discos, ouvir estes discos, nesta vitrola, com as pessoas mais inesquecíveis da minha vida. A antiga rede montada, os filmes da disney e as horas ouvindo as bandas favoritas no rádio das meninas super poderosas.
Os estudos desesperados na última hora, os amigos sempre prontos para ajudar. Pizza de chocolate, fanta uva e pipoca.
A semanal mudança de fotos no mural, a vontade de ficar no quarto pra sempre.
As noites em que o travesseiro, também companheiro de longa data, abafou os soluços e sentiu o salgado gosto das lágrimas de uma pequena versão de mim, que por tanto chorou. Ah, como a ouviu chorar, este velho quarto.
Viu-me crescer, e tornar-me mais forte. Acompanhou as mudanças de gostos, ideais, e até uma ligeira mudança na aparência.
Nele coube o primeiro amor, o grande amor, os amores passageiros. Colegas, amigos momentâneos, amigos de longa data, não mais amigos, amigos pra vida inteira.
Nele couberam os filmes favoritos, os livros e poemas, as cartas e bilhetes que levo comigo pra sempre.
Coube a Luísa fraca e imatura, a Luísa egoísta, a Luísa ciumenta, a Luísa arrependida. A Luísa Sorridente, feliz. A apaixonada e a desiludida. A Luísa ansiosa, a nervosa, a desesperada, a exagerada.
A Luísa que cresceu, que agora compreende. Uma Luísa mais madura, ainda com muito a aprender. A Luísa criança.
A Luísa eternamente criança, crescida, sempre contraditória e em constante movimento.
Este meu refúgio em todas as fases, mesmo com todas as transformações, mudanças e contradições,sempre esteve lá pra mim. Sempre.

E agora estará lá para outra pessoa, uma completa estranha, que, seja lá quem for, tem muita sorte. E espero que cuide deste meu companheiro da vida toda.

terça-feira, 29 de março de 2011

Aos seis.

Quero voltar a enxergar com meus olhos de criança. Pensar situações, resolver conflitos, comer, dormir, olhar para cada coisinha que esteja no meu campo de visão. Quero tudo isso como quando tinha seis anos de idade.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É que hoje eu acordei com saudade...

Parece estar sempre sorrindo. Sempre. Mesmo quando está triste ou nervosa, seus olhos risonhos não mentem. Essa eterna criança que ama viver, mais do que qualquer um que eu conheça, não tardará a sorrir novamente, o sorriso mais sincero que já vi.
Havia uma escola de inglês, e uma menina imatura. Havia uma professora especial, e então, a afinidade, a vontade de ficar horas e horas conversando depois das aulas, um convite para um jantar, um jantar, um jantar de onde nasceu uma amizade.
E então vieram presentes e discos, desabafos e conselhos, dicas, brigas, lágrimas.
Ela diz que eu a ensinei a abraçar, pois eu digo que ela me ensinou a viver. A viver e a saber que o mundo é sempre muito maior do que eu penso que é, e que sorvete de yogurte e o sorriso de uma criança dentro de um metrô cinzento estão entre as melhores coisas dessa vida. Ensinou que a Europa pode ser aí do lado, tudo depende do tamanho do seu sonho, e da sua determinação. Me ensinou a deixar o espelho de lado e a olhar pra dentro de mim mesma. Deu-me filmes, músicas, um show inesquecível, e passou a ser uma das minhas maiores referências como pessoa.
Uma saudade absurda durante um ano todo, e o medo de perde-la para o mundo... E antes de toda essa infinidade de coisas, me presenteou com a alegria de saber que se eu quiser, sim, poderemos ser eternas crianças, e que esse mundo que nós fizemos e é nosso, só nosso, vai durar para todo sempre.
É que hoje acordei com saudade, e com a incontrolável vontade de te dizer o quanto você é especial. E linda. Muito linda.
Tô sentindo meu peito explodir de amor nesse momento, até dói. E a vontade de te abraçar atinge a estratosfera.

Tô te esperando.
Volta logo, Tangerina.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ao herói

Tenho saudade. Tenho muita saudade!
Quero você me acordando todos os dia meia hora mais cedo, só pra eu poder pensar que tenho mais tempo pra dormir, quero você fazendo uma carinha feliz no requeijão que passou na torrada, quero passar pelo seu quarto e ver você usando seus óculos tortos, lendo concentrado algum livro sobre o espiritismo. Quero voce fulo da vida comigo porque usei sua gilete de fazer a barba, ou porque mais uma vez esqueci de pendurar minhas calcinhas lavadas no varal.
Quero você me avisando de última hora o que vai fazer no fim de semana, mesmo que isso me deixe pirada de raiva. Até das coisas que me deixam braba eu sinto falta.
Você colocando a cabeça na porta do meu quarto, querendo saber a todo custo o que eu tô fazendo no computador, mesmo que você não vá entender coisa alguma.
Quero jantares surpresa e jantares para os meus amigos. Quero te ver com uma cara séria, tomando seu whisky com duas pedras de gelo, ou uma cerveja gelada, enquanto assiste os jogos de quarta-feira.
Entrar no seu quarto só pra ver você fazer cara de brabo e me mandar embora. Você cantando aquelas músicas insuportáveis, e ainda cantando errado, só pra me enfurecer. Ou então cantando Chico Buarque de Hollanda, Elis Regina e Tom Jobim, porque sabe que vai encher o meu coração de alegria.
Quero eu e você sentados na sala, como quando eu era bem pequeninha, ouvindo Balão Mágico e Oswaldo Montenegro comigo.
Domingos na casa da vó e você voltando cansado demais pra falar, no fim do dia.
Você me matando de irritação chutando sua bola de borracha pra lá e pra cá enquanto eu tô tentando estudar pra alguma prova. Suas manias de comer chocolate escondido de mim, e só me oferecer quando tá bem no finalzinho. Me surpreendendo com alguma notícia boa, me dando um livro de presente, entrando em uma loja pra comprar um CD e me deixando escolher um também.
Sentando comigo na beira da cama para ter uma "conversa séria", falando o quanto se sente feliz por eu não ter vergonha de abraçá-lo na frente dos meus amigos. Minha nossa! Como ter vergonha? Quero que todos saibam que você é meu pai, acho que eu nem tenho uma noção real da sorte que tenho.
Eu preciso de você, muito. Meu coração tá despedaçado de saudades, e eu vou ser pra sempre a menininha do seu coração, mesmo que eu já não esteja mais a dois palmos do chão, mesmo que agora você seja o vigia catando a poesia que entorno no chão. Cuida de mim pra sempre, porque eu vou cuidar pra sempre de você, e ainda te farei ter muito orgulho de mim, meu super-herói querido, salvou minha vida uma, duas, três vezes, e continua fazendo isso com apenas uma ligação. Amor transbordando por todos os lados, por todos os cantos, a cada vez que olho uma foto sua ou escuto a sua voz. Obrigada.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Para Luísa"

"O seu amor sempre foi o conforto nos meus dias difíceis e a força para que eu não desistisse dos meus sonhos!
Mesmo que você não esteja sempre comigo, posso sentir sua presença no meu coração!

Com muito amor
Vovó Marcinha"


Esse cartão não foi datado. Achei hoje, enquanto mexia em minhas caixinhas. Na certa veio junto com algum presentinho secreto, desses que a minha vó costumava me dar. Encontrá-lo foi como ser testemunha de um pequeno milagre.
Obrigada.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Antes da enchente.

Então, é hora de um novo começo.
Sempre procuro associar momentos da minha vida com uma música, ou artista, ou coisa que o valha. Talvez a música ideal apara esse momento fosse dos Smiths. Talvez eu devesse estar cantarolando "good times for a chaange..." enquanto me preparo para uma organização do meu armário, uma organização de pensamentos e um novo corte de cabelos, mas, por algum motivo, hoje comecei a ouvir algumas músicas que marcaram meus 14, 15 anos de idade (e isso nem faz tanto tempo, vai) e dentre elas, é claro, estava a saudosa Noção de nada.
Então, "já não consigo nem lembrar do mundo antes de você" é uma frase bem forte, e eu costumava cantar para alguém com quem hoje já nem falo. Mas sabe?? Eu consigo me lembrar do mundo antes dessa pessoa. Consigo me lembrar do mundo antes de todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Na certa me lembrarei dessa minha vida de agora, conforme pessoas novas forem chegando. Poxa! Não consigo é lembrar do mundo antes de mim mesma. Essas decisões, essas mudanças, os pensamentos, a forma como eu vou lidar com meus acontecimentos, com as lágrimas que puderem vir e com as noticias que vão chegar... tudo isso cabe a mim.
Antes da enchente. Vem vindo uma enchente por ai, as coisas vão mudar. Mas não é por causa de uma segunda pessoa, não. Estou pedindo por uma mudança, e parece que tenho esperado que alguém realize essa mudança pro mim. Mas não. Ela é minha, e só minha, como tudo mais, é tão minha que até me dói.
Parece que finalmente acordei para tudo, parece que enfim esse torpor maluco no qual me enfiei finalmente tenha terminado. Começo a perceber o quanto escrever meus pensamentos e bobagens aqui faz falta, o quanto tantas outras coisas deixadas para trás fazem falta. Tá na hora de mudar. Retomar alguns velhos pensamentos, jogar fora tantos outros que agora me fazem mal, e abrir espaço para que os novos venham.
É, posso lidar com isso, sei que posso!

"Antes do sol, da chuva... antes de voce".

domingo, 4 de julho de 2010

Sem direção

Tem diversas casas.
Agora não tem mais casa alguma.
A instabilidade vem marcando a vida dessa menina, que no momento encontra-se miseravelmente cansada. Psicológica e fisicamente. Seus olhos ardem de sono, mas recusa-se a ir dormir, sabe que pensamentos que a perturbam virão também perturbar-lhe os sonhos, que sempre foram seu combustível e refúgio para os momentos dolorosos.
Sempre que a fase ruim aparece, não pode deixar de pensar naquele par de olhos verdes e naquele carinho que ela sabe (e como sabe) que tornariam as cosias mais fáceis.
Sua zona de conforto desapareceu com menos de meia dúzia de palavras ingratas. Antes contava os dias para voltar, agora se pergunta o que, de fato, está fazendo aqui.
Pensamentos bons e ruins mudam com a mesma frequência que respira e inspira o ar do quarto vazio. A respiração é acelerada e o choro é lento, vai preso na garganta, e sente voltar, com um soco no estômago, aquela sensação perdida, aquela em que não sente o chão, que já era tão frágil, em baixo de seus pequenos pés.
O grito é preso, é seco, é cheio, é vazio. É inexistente, pois nem de gritar ela se sente capaz. Quer sair correndo até não sentir mais as pernas, quer sentar em uma rua onde ninguém a conheça e quer chorar, chorar até não ter mais nada a dizer, até pegar no sono, até esquecer...
Será um longo mês.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fluxo de consciência/Carta/Desabafo

O céu é tão escuro do outro lado da janela, que nem me atrevo a virar o pescoço para olhar uma segunda vez. Depois de dias de trégua as tempestades voltaram a bater violentamente contra as vidraças, e o guarda-chuva foi mais uma vez aberto, como forma de escudo contra os pingos frios e como um protesto às cores apagadas de uma cidade triste e parada.
Agora são 8h33 da manhã e aqui estou eu, esperando a rotina começar. Rotina essa que agora tem seus duas contados, e eu venho procurado a maneira mais correta de desabafar sobre isso. Vou embora, e agora é uma questão de poucas semanas. Os olhos marejam ao olhar a foto do meu pequeno irmão, posta bem aqui ao meu lado. Quando eu voltar, esse "pequeno" terá 12 anos de idade, e mesmo que eu volte com certa regularidade, perderei boa parte de sua trajetória, e isso dói.
O "vou sentir saudade" daquele que acredito ser o único por quem eu abandonaria todos os meus planos, volta aos meus ouvidos e se confunde com as palavras que digo a ele baixinho, num suspiro que engole choro...Quem é que vai cuidar de você, pai? Quem?
Quando na realidade a pergunta é quem vai cuidar de mim como você SEMPRE cuidou?
Meu quarto já é tão parte de mim que nem sei como poderei chamar outro aposento de meu. Quero leva-lo comigo, amo cada centímetro desse quarto, desde a parede vermelha aos antigos suportes de rede. Os ursinhos de pelúcia aparentemente esquecidos, a minha vitrola e os meus adorados discos de vinil. Não existe lugar como esse no mundo.
Escrevo meio escondido, enquanto imprimo envelopes que sei que imprimo pela última vez, e é claro que isso é emotivamente exagerado, mas vou sentir saudades de fazê-lo. Também vai deixar saudades essa moça, que sentou de frente pra mim por quase um ano. Por vezes quisermos matar uma a outra, por vezes ela me pegou cabulando serviço para fuçar na internet, e me deu uma baita bronca. E é claro que por vezes ela me ensinou lições que nem sabe que ensinou, e eu nem consigo pensar que daqui uma semana darei adeus a ela, aos lanchinhos no meio do expediente, às conversas, conselhos e caronas. Paulinha, uma das minhas mães.
Em 7 dias deixarei meu primeiro emprego, e os dois chefes mais bonzinhos, que eu sei que não se igualarão a nenhum outro que passe pela minha vida.
Lá se vai mais um dia de trabalho, o expediente já está quase no fim e já começo a me preparar pra ir pra casa da minha mãe, como faço frequentemente. Talvez ela seja a única que tenha a coragem de ler esse texto longo, até o final. É o jeito que ela encontra para estar perto de mim todos os dias.
Desculpe se as coisas são assim, mãe, e obrigada pelos pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Como se interessar pelo que eu escuto, leio e escrevo, ou por sair no meio da tarde só pra comprar as coisas que eu gosto. Você é uma heroína e nem sabe.
Sei que assim que eu chegar na casa dela meu avô estará lá pra me recepcionar, com aquele olhar de quem voltou a ser criança e não lembra mais como é cuidar de si mesmo. Toda vez que me despeço dele, internamente, por mais terrível que isso possa parecer, me pergunto se será a última vez, e só de pensar nisso me dá vontade de chorar.
Aliás, tudo tem me feito chorar ultimamente. Agora já são três da tarde e eu ainda não consegui terminar esse fluxo de consciência/carta/texto/desabafo.
A música do Star Wars vem alto da televisão. Fecho meus olhos e tento a todo o custo gravar essa casa, nesse momento, dentro de mim. O chinelo do meu avô arrastando pra lá e pra cá, o cheiro que só tem aqui nessa sala, o meu ermano vendo desenho e meu tio, o cara mais inteligente que eu conheço, trabalhando no laboratório. Antes o Gabriel, meu anjo da guarda há cinco anos, apareceu de surpresa na porta do meu trabalho, andamos de mãos dadas e ele me contou da faculdade. Faculdade, é pra onde quase todos nós estamos indo. Uns, mas especiais e sonhadores, vão para a Holanda e ouros, para a alegria do público e orgulho dos amigos, vão para grupos de teatro.
Meus amigos estão escapando da minha mão, cada um segue seu caminho, e foge por entre meus dedos pequenos. Mas tá tudo bem, tenho de ir também. Agora penso naquela amiga que não só me inspirou a montar esse blog, como também me ensinou o que é a vida mais do que qualquer outra. Penso na pequena estilista com quem a vida sempre acaba me reunindo. Tem a lourinha do sorrisão, que é uma atriz formidável, os amigos de infância, os amigos que conquistei recentemente, aquelas três meninas que eu sei que vão me acompanhar pra sempre e, é claro, o meu chaveiro, talismã da sorte e amiga que lê meus pensamentos e me conhece decor.
Gostaria de levar todos comigo, todos, do fundo do meu pâncreas. São todos aqueles para quem eu não teria ter que dizer adeus.
Tem também aquele professor por quem fui apaixonada durante o ensino médio, o menino que mora no prédio próximo, que me deu meu primeiro beijo e hoje é meu grande amigo, todas as paixões platónicas que foram intensas e caladas e, é claro, aquele por quem eu sempre fui um pouquinho apaixonada, apesar de não admitir nem pro meu travesseiro.
Sei que tá na hora de parar de escrever... sinto os segundos passando. O tempo corre contra mim e meu irmão me chama pra brincar de esconde-esconde com ele.

Amanhã vou conhecer meu novo "lar", mas meu pensamento estará em São Bernardo do Campo e seus pequenos encantos. Os dias passados aqui, os sorriso, amigos, suspiros e gargalhadas, levo comigo cada esquina. Tudo aqui é tão meu, tão eu, que até dói.

(Pensamentos e declarações de amor e saudade antecipada, aos meus 17 anos de histórias e memórias vividos por aqui.)

sábado, 27 de junho de 2009

Somos nós...



Mas não somos nó eu, a Dani, o Jordan e o Lucas. É a 3S3 inteira aí em cima.
Devo dizer que nesse último mês em que todas as salas do colégio singular competiram pra ganhar uma viagem, eu aprendi um bocado. Em especial, nos últimos três dias que se passaram.
Eu percebi que, mesmo com todas as diferenças do universo, mesmo que eu não aprove as atitudes e maneiras de ser de muitos dos meus colegas de classe, o quanto eles me ajudam para que meu dia seja melhor. Vi até aqueles que faziam questão de não se incluir na sala, mesmo do dia-dia, ajudar com a correria de cenários, comparecendo a ensaios, aprendendo a cantar grito de guerra.
O Desafio Singular tem ESSE intuito e a maioria das salas se esqueceram dele.
Por sorte a nossa sala soube aproveitar o desafio pra hoje dizer: Somos melhores do que nunca, somos invencíveis. E eu, finalmente posso dizer, e digo com uma sinceridade tremenda, que amo essa classe.

Quando subimos no palco para a apresentação, eu estava completamente nervosa, e tremia quase o corpo todo. Então olhei dentro daqueles olhos, que já estavam brilhosos, vi aqueles que passaram a noite todas fazendo faixas de cabelo em que se lia "Elis", só para usarem durante a apresentação. Vi que a maioria fez questão de estar bem a frente do palco, pra nos dar apoio. Vi meu pai sentado na primeira fila.
Vi seus olhos marejarem e ouvi suas vozes cantarem junto comigo, inclusive aqueles que pegaram a letra no dia da apresentação, só para acompanhar.
Senti os abraços apertados, os beijos abafados, as lágrimas se chocando com as minhas, vi os sorrisos sinceros, ouvi palavras de carinho. Aprendi, finalmente, a dar a vocês, 3s3 querida, o devido valor que merecem.
Não é desafio, não é primeiro lugar, não é uma meia dúzia de pessoas tristes sem amor no coração que vai dizer quem nós somos, o que diz quem realmente somos, é essa cumplicidade linda que nós conquistamos.

Agora com o desafio acabado, percebo que o fim de tudo isso está próximo. Logo agora? Sim, logo agora.
Estaremos fechando as portas da escola, e escancarando as portas pra esse mundo gigantesco, que é muito mais frio e cruel. Enfrentar tudo isso sem vocês em minha rotina, será 10x mais difícil.
Então, o colégio Singular está longe de ser a melhor e mais justa das escolas, e os alunos de lá estão longe de ser exemplos de caráter e de simplicidade. Mas mesmo assim, sentirei falta de tudo isso.
É claro que, em especial, da minha 3S3, minha, tão minha que até dói.

domingo, 12 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Na falta do que escrever...

Detesto deixar meu blog meio abandonado, como deixei nessa última semana.
Minha cabeça anda cheia de coisas, mas nada útil. Preocupações, ansiedade e insegurança tomaram conta de mim.
Por muitas vezes cheguei a sentar na frente do computador para tentar fazer um texto expressando meus sentimentos sem ele ficar muito dramático, ou agressivo demais ou um tanto maçante. Nada saiu, nada entrou. Sentei vazia, levantei vazia.
A sensação de vazio é a pior de todas elas.

Continuo vazia, mas há alguns minutos atrás um sentimento muito bonito me invadiu, e mesmo que minha criatividade continue abaixo da linha permitida, vale a pena sentar e compartilhar minha nostalgia com as poucas pessoas que lêem esse blog.

Não ouço Muse faz um bocado de tempo, e hoje me deu uma tremenda vontade de ouvi-los. Ao colocar uma determinada música, não pude conter algumas lágrimas pesadas, que escorreram pelas minhas bochechas.
Lágrimas carregadas de saudade, lágrimas nostálgicas e eperançosas.
Lágrimas carregando a incerteza e o vazio que trago dentro de mim.
Carregando tudo, levando tudo embora... Lavando o meu ser.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Carnaval de 2006

Porque o mundo não parou?
Como a vida ousa a continuar, se a rosa mais bela morreu?

Porque as escolas de samba estão indo para a avenida?
Como pode um samba ser feito e cantando?
De que tudo isso adianta, se ela não está mais aqui para apreciar?

Porque os comércios abrem e as escolas funcionam?
Porque as pessoas riem e sorriem lá fora?
Porque? Porque?
Não há motivos para sorrir,
Ela se foi.

Fechem as janelas! O sol não ousará brilhar
Porque brilharia, afinal? Ele só brilhava pra ela
Só pra ela.
Ela, mais brilhante e bela que o próprio sol.

Quem se atreve a continuar fabricando esse perfume?
Perfume tão dela que não serve pra mais ninguém.
Perfume que ainda sinto de vez enquando
Perfume que ainda sinto sempre.

Parem! Parem de passar esse filme.
Filme que nunca será o mesmo sem a risada dela
Cena com a qual ninguém nunca se emocionará, como ela se emocionou.
Cena que não mais assistirei ao lado dela, em uma quinta-feira chuvosa.

Parem o mundo, ele não merece mais girar!
Sua graça se foi, seu sorriso se desfez.
Seus olhos verdes já não brilham mais.

Seus olhos verdes, que brilham dentro de mim
Olhos verdes, que brilham dentro de mim
Verdes, que brilham dentro de mim
Que brilham dentro de mim
Brilham dentro de mim
Dentro de mim
De mim
Mim.

Mim? Não existe mais "mim" sem você,
"Mim" já não é mais nada, não existe mais.
Pedaço de mim morreu, agora que seus olhos verdes estão fechados.
Fechados e cobertos de terra.