...Eu nunca tivesse saído de casa? E se eu ainda morasse no meu apartamento antigo? E se tivesse tido menos sorte nessa prova falha? E então, se eu tivesse feito um ano de cursinho? E se eu nunca tivesse tido todas estas experiências e passado por todos estes apuros? E se meu pensamento continuasse pequeno e limitado? Então não teria feito todos estes amigos e conhecido tantas pessoas, e amadurecido tanto, e não teria levado alguns belos socos da vida. Não teria sido sacaneada, e não teria recebido ajuda das pessoas que eu menos esperei.
Então eu nunca iria ter te conhecido. Nunca saberia sequer da sua existência.
Nuca teria derramado lágrimas, nem provocado tantas outras...não saberia o que é amar de verdade. Não saberia que a alegria é pra mim possível, e que eu posso sim ser feliz e correspondida no amor. Não saberia fazer planos a longo prazo,não saberia imaginar uma vida futura, não teria conhecido tantos lugares e aprendido tantas coisas.
Continuaria com o mesmo grupo limitado de amigos, do qual hoje eu sei que poucas pessoas fizeram por merecer, e estão comigo até hoje.
Não estaria deitada nesta cama, com estes textos em minhas mãos, pensando na aula de amanhã. Não pensaria que tenho de ir ao banco e ao mercado, que tenho contas a pagar, que não posso decepcionar os outros, e que tenho de me policiar para não me tornar o monstro que mais temo ser.
Não saberia o que é sentir a dor física da saudade, nem saberia valorizar tanto o telefonema de uma amiga. Não sentiria essa saudade estúpida do arroz do meu pai. Talvez fosse menos sensível. Talvez não.
Tenho muito o que aprender, e o acaso vai me guiar por suas linhas tortas e inesperadas. Acaso e destino, porque acho que os dois andam juntos.
E talvez amanhã tudo isso tenha mudado, e eu seja uma pessoa completamente diferente.
Talvez tudo isso seja um longo sonho, em uma tarde inquieta e chuvosa.
Luísa, open your eyes.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
As primeiras horas na estrada.
Preparem-se pra mais doze horas. De quê? De trânsito.
Os banhistas espertalhões que preferiram subir a serra na semana que vem atravessam a rua despreocupados, fazem graça com suas cadeiras de praia, sua pouca roupa e seus cabelos esvoaçantes, vão por seus pés na areia, que a chuva dos dias anteriores deixou molhada. A chuva, bendita chuva. Causa desse trânsito caótico, forte o suficiente para ienterditar diversas estradas e, pior de tudo, desabrigar tanta gente. Gente que perde sua casa logo na primeira semana do ano. Bela obra, dona chuva. Difícil acreditar que esse mundarel de água, destrutivo e triste, vem do mesmo céu de onde vem a garoa fina e a rápida chuva de verão. É mais uma questão da série de coisas que eu nunca vou entender.
Presa em um engarrafamento enlouquecedor de doze horas... o tempo não ajuda, abafado demais, ensolarado de menos! O bafo de maresia chega á janela, e o mal humor só não me alcança porque me encontro munida de agenda, lapiseira, um mp4 com a bateria pela metade, livros e promessas e sonhos de um ano que acabou de chegar. Todos eles excelentes repelentes contra a cara amarrada.
Agora a estrada ganhou um verde mais bonito, nas laterais. Olho através da janela e descubro um céu apagado e tranquilo, lembro do sonho que tive na noite retrasada. Sonho que eu reconheço ser magnífico e único e que não ouso contar a mais ninguém que não seja o homem que está dirigindo o carro. Ele parado, eu parada.
Coincidência ou não, Renato Russo me diz aqui que há tempos teve um sonho do qual ele não se lembra... bem, eu espero me lembrar do meu sonho pra sempre.
Fecho os olhos por um instante, que descubro ser um instante longo demais. Talvez seja o meu corpo avisando que uma soneca é o melhor escape pras horas de trânsito que ainda me esperam. Digo até logo para minha agenda, nova companheira inseparável, e olá para os meus sonhos, que, possíveis ou impossíveis, vem sempre comigo.
Os banhistas espertalhões que preferiram subir a serra na semana que vem atravessam a rua despreocupados, fazem graça com suas cadeiras de praia, sua pouca roupa e seus cabelos esvoaçantes, vão por seus pés na areia, que a chuva dos dias anteriores deixou molhada. A chuva, bendita chuva. Causa desse trânsito caótico, forte o suficiente para ienterditar diversas estradas e, pior de tudo, desabrigar tanta gente. Gente que perde sua casa logo na primeira semana do ano. Bela obra, dona chuva. Difícil acreditar que esse mundarel de água, destrutivo e triste, vem do mesmo céu de onde vem a garoa fina e a rápida chuva de verão. É mais uma questão da série de coisas que eu nunca vou entender.
Presa em um engarrafamento enlouquecedor de doze horas... o tempo não ajuda, abafado demais, ensolarado de menos! O bafo de maresia chega á janela, e o mal humor só não me alcança porque me encontro munida de agenda, lapiseira, um mp4 com a bateria pela metade, livros e promessas e sonhos de um ano que acabou de chegar. Todos eles excelentes repelentes contra a cara amarrada.
Agora a estrada ganhou um verde mais bonito, nas laterais. Olho através da janela e descubro um céu apagado e tranquilo, lembro do sonho que tive na noite retrasada. Sonho que eu reconheço ser magnífico e único e que não ouso contar a mais ninguém que não seja o homem que está dirigindo o carro. Ele parado, eu parada.
Coincidência ou não, Renato Russo me diz aqui que há tempos teve um sonho do qual ele não se lembra... bem, eu espero me lembrar do meu sonho pra sempre.
Fecho os olhos por um instante, que descubro ser um instante longo demais. Talvez seja o meu corpo avisando que uma soneca é o melhor escape pras horas de trânsito que ainda me esperam. Digo até logo para minha agenda, nova companheira inseparável, e olá para os meus sonhos, que, possíveis ou impossíveis, vem sempre comigo.
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