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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Para um dos meus vários eus.
Você entendeu isso que eu tô falando? Olha só isso, olha essas linhas... Como é que esse cara conseguia escrever assim? Se eu quero dizer "papel", pra mim é isso e pronto. Vou no dicionário e procuro sinônimos, no máximo. Acho que é porque a minha vida é curta. Não de duração, entendeu? Mas de vivências. Olha bem pra mim. Agora olha esses livros, essas linhas, olha só isso... São coisas que nunca vivi e nem vou viver. Aqui estou falando com você, ou sozinha também, sei lá. Sei que até o vento se cansou de mim e foi ventar lá em outro canto. Diz a verdade, não dá uma vontade gigante de morrer e virar outro? Não dá vontade de escolher as linhas que se quer escrever nessa vida? Tudo parece tão fácil... tem gente que diz "ué, vai lá e vive!". Aí é que eu é pergunto... mas e o medo? E a canseira que dá só de existir e abrir o olho na hora de levantar? E o chão gelado que faz os meus pés esconderem-se de novo na manta? E o resto do mundo, onde fica nesse "tudo é fácil se você quiser?". Uma ova que é! Por isso é que agora eu tô olhando pro relógio vendo que desperdicei mais um dia dessa minha vida que nem tem tanta graça assim. E quando foi que isso aconteceu, hein? Me diz porque eu tô doidinha pra saber. Autossabotagem, tá ai, você falou um troço que faz sentido. Vicia, isso aí, de se sabotar dia após dia. Mas como eu faço pra parar? Vai, me diz! Não lance as palavras e depois me deixe sozinha com elas. Fica mais um pouco, só consigo conversar com você. E comigo mesma, mas não gosto muito, porque sempre falo mais do que deveria. Às vezes eu fico revivendo momentos da vida que eu queria ter vivido, sabe? Das vidas, na verdade. São várias delas. Me diz como eu faço pra começar de novo, que eu quero ser polonesa e vender discos ali na esquina. Tudo bem, não precisa ser algo tão longe, ser uma pessoa que tem vontade de sair na rua pra ver o sol, já está de bom tamanho. Olha aqui, você pensa que é simples assim? Eu também achei que fosse, mas aí descobri que não adianta eu querer sair pra conhecer o mundo, se ligo a televisão só pra ouvir barulho, porque tenho medo de ficar sozinha em casa. Sempre amei o futuro e esqueci de concertar o presente, angustiada com vontade de voar, esqueci que não dá pra dar passo maior que a perna não. Tem que ser miudeza por miudeza. Aí eu conseguiria encarar esse abismo delicioso, que é o mundo além desse sofá sujo. Por isso não saí do lugar, viu? Por isso minha vida, se fosse filme, seria aqueles da Sofia Coppola. Não ri não, é sério! Aqueles que falam sobre vazio, tédio, e você termina de assistir, sabendo que faltou alguma coisa. Vou sair de mim sabendo que faltou alguma coisa. Coragem, talvez. Talvez um abrir de olhos, um corpo mais jeitoso, pra dançar melhor... uma aventura. A existência. Mas essa, já foi embora faz tempo.
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domingo, 18 de dezembro de 2011
Procura-se

Procura-se a junção de passado, presente e futuro, mas só do melhor aspecto de cada um. Procura-se uma alma mais estabilizada, menos angustiada pelas pequenezas do ser que habita. Procura-se sossego mental por pelo menos meia hora.
Procura-se um coração que permita melhor aproveitamento do tempo com aqueles que ama. Que seja seguro, sua batida firme, serena e que se saiba muito bem quem merece algum esforço seu. Que saiba quem é que traz alegria.
Procura-se um lugar que possa ser chamado de "meu" e que seja completo, aconchegante, abarrotado de lembranças doces, expectativas, discos de vinil e saudade. Que nele possam caber aqueles pra quem se diz "eu te amo".
Procura-se o tão falado "crescimento espiritual".
Procura-se a coragem e que a covardia se exploda em algum lugar bem longe. Procura-se o altruísmo absoluto, a segurança e o querer bem.
Procura-se uma solidão bem vinda, o gostar sem pedir nada em troca, o orgulho e o carinho que saem de dentro e explodem pelo mundo.
Procuram-se vozes doces de consolo imediato, procuram-se aqueles que nos deixam saudade depois de segundos de sua partida. Os quero agora. Os quero o tempo todo. Quero pra sempre. Sempre.
Procura-se a melancolia que faz crescer e a alegria que faz explodir. Procura-se tempo de sobra. Procura-se todo o tempo do mundo.
Procura-se o desapego aos bens materiais. Procura-se a alegria por existir apenas. Procura-se o existir apenas.
Procura-se o não se machucar, o não machucar ninguém.
Procuro a mim mesma.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Para não esquecer.
É preciso lembrar do brilho. Talvez esta seja a mais difícil dentre todas as tarefas, mas é preciso.
Lembrar-se das coisas geniais que a cercam, e que se estas o fazem, é por um merecimento que por diversas vezes ela pensa não ter.
E mesmo que seu mundo e sua paranóia a joguem pra baixo, e mesmo que os seus demônios internos, com quem luta diariamente, insistam em dizer que ela não é digna, que não é boa, que não vai dar certo, ainda sim é preciso lutar para melhorar. É preciso olhar para dentro de si mesma e achar o que de belo está escondido, mesmo que seja na mais íntima e esquecida parte de si mesma.
Ter o tempo todo a certeza de que pode estar sozinha no fim do dia, no fim dos pensamentos, dos delírios, dos sentimentos. E que isto não é ruim, não é. Ela deve se bastar.
Conquistar a sabedoria, a capacidade e a bondade de sorrir para quem a quer mal. Sabe que esta aí é uma coisa complicada de conseguir, mas ao menos tentar não se deixar atingir pelos pobres de espírito e de coração.
É preciso, sim, é preciso que ela repita para si mesma que merece tudo que tem. Que é especial, que tem seu valor, que tem as melhores pessoas e oportunidades do mundo... e acima de tudo, é preciso que ela não se deixe abater, e faça por merecer tudo o que a vida graciosamente lhe deu.
A luta diária.
Lembrar-se das coisas geniais que a cercam, e que se estas o fazem, é por um merecimento que por diversas vezes ela pensa não ter.
E mesmo que seu mundo e sua paranóia a joguem pra baixo, e mesmo que os seus demônios internos, com quem luta diariamente, insistam em dizer que ela não é digna, que não é boa, que não vai dar certo, ainda sim é preciso lutar para melhorar. É preciso olhar para dentro de si mesma e achar o que de belo está escondido, mesmo que seja na mais íntima e esquecida parte de si mesma.
Ter o tempo todo a certeza de que pode estar sozinha no fim do dia, no fim dos pensamentos, dos delírios, dos sentimentos. E que isto não é ruim, não é. Ela deve se bastar.
Conquistar a sabedoria, a capacidade e a bondade de sorrir para quem a quer mal. Sabe que esta aí é uma coisa complicada de conseguir, mas ao menos tentar não se deixar atingir pelos pobres de espírito e de coração.
É preciso, sim, é preciso que ela repita para si mesma que merece tudo que tem. Que é especial, que tem seu valor, que tem as melhores pessoas e oportunidades do mundo... e acima de tudo, é preciso que ela não se deixe abater, e faça por merecer tudo o que a vida graciosamente lhe deu.
A luta diária.
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