O sorriso, a partida. Mal sabíamos uma da outra, apenas quase estranhas com simpatia e um pouco de mistério. Mas agora penso em você quase todos os dias, e te procuro nas imagens, nos recados, nas lembranças. Tenho medo de não te achar mais em lugar nenhum, medo de te esquecerem.
Sei que não vão. Tuas vibrações foram suficientes para deixar uma legião de pessoas apaixonadas por cada detalhe seu, por cada instante vivido.
Sei que também não vou, mas, se você estivesse aqui, se ainda sorrindo, se ainda dançando, talvez não teria o espaço que tem no meu peito agora. Não precisaria, não é mesmo?
Sempre invejei essa tua beleza, como era bela. Como é Bela! E como teve essa coisa louca de querer viver com o riso frouxo,o cabelo solto, e com essa coisa que sempre faltou na minha testa franzida, na cara amarrada, nesse jeito carrancudo de beijar santo o tempo todo e nesse sufoco que parece que me impede de ser feliz. É tão fácil me ver pequena diante dessa tua leveza até na hora mais triste, até naquela foto enorme que vimos na hora de dizer adeus. Menina, menina, não sei da saudade daqueles que te tem como tudo na vida, e só de pensar nela o meu peito dói uma dor doída que me dá vontade de chorar. Só quero que saibas que eu me lembro, e vou lembrar por um bom tempo da minha vida. Talvez lembre pra sempre e sempre agradecerei pela lição que me ensinou, sem nem mesmo saber que o fez.
Lá fora, tô indo abraçar o sol. É o mínimo que posso fazer por você.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Conversa de botas batidas.
"Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair"
Talvez agora eu consiga escrever algo sobre você, pois nem parece que já faz algumas semanas que não habitamos mais o mesmo mundo. Eu do lado de cá, tão imersa em problemas insignificantes, na rotina sufocante, nos medos que estagnam, fico tão longe do universo do lado de lá, que nem parece que você foi embora. Não dá pra imaginar que teu quarto agora se fez vazio, e que os bonequinhos, estátuas, enfeites de papai noel serão distribuídos para os membros da família. É mentira, quando eu voltar pra minha vida antiga, terão panquecas esperando por mim,e você vai me irritar com aquele teu jeito de sempre querer oferecer aquilo que tem (e que não tem também) na tua casa. Claro que você ainda estará lá, esperando a gente chegar pra mais um almoço de domingo. Sua cama não vai estar vazia. Não pode. Não pode porque havíamos combinado de fazer tua festa de aniversário no salão do prédio esse ano. Essa promessa não pode ser quebrada, temos que contar todos os presentes que você ganhou, como no fim da festa de uma criança. Como é que a vida continua depois de você? E aqueles que precisavam da tua oração pra sarar dor de cabeça? E os que tinham o prazer de rir dos teus palavrões? E tua neta, como fica ela que poderia ter te dito tanta coisa que tá agora presa na garganta? Como ficam essas palavras que vão morrer comigo e que nunca vão chegar aos teus ouvidos, que sempre ouviram tão bem o problema dos outros? E quem vai deixar a família inteira extremamente sem paciência com melodramas? Com quem eu vou brigar porque comeu um pudim que não deveria? Pra quem a música da barata vai tocar nas festas de natal? Teu nome cheio de significado e importância soa agora vazio pelo corredor do quintal, porque você não vai atender ao nosso chamado. Não subirei mais a escada da tua casa, nem dormirei no sofá sem querer. E disseram que a última roupa que você usou foi você mesma quem escolheu. Ainda bem. Você ia ficar puta da vida se fosse ao contrário. Ficam o vazio da saudade e a música que fizeram pra ti, ecoando incansavelmente na minha alma dolorida e triste.
"O Natalina, dê um sorriso aí! Cante e encante que hoje o dia é todo seu, vem aqui dançar com a gente, que o prazer é todo meu".
O prazer é todo meu, vó.
Obrigada por tudo.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Entre estas quatro paredes
Onde tudo começou.
Quando eu ainda nem sabia que a vida era a vida, que mamãe era mamãe, papai era papai,que e meu quarto era meu. Mesmo quando eu não sabia...ele já estava lá.
Minha história entre estas quatro paredes começou quando eu ainda era nova demais para saber como este era o meu refúgio perfeito.
Diários escondidos, medos secretos de olhar em baixo da cama, a parede vermelha, a mudança dos móveis, o Scooby-doo, brincadeiras de boneca, o Alfie, o Baby, Cucupie e Mico, as conversas nas noites infinitas com as melhores amigas que a época me proporcionou.
A alegria de ter a minha própria vitrola, meus discos, ouvir estes discos, nesta vitrola, com as pessoas mais inesquecíveis da minha vida. A antiga rede montada, os filmes da disney e as horas ouvindo as bandas favoritas no rádio das meninas super poderosas.
Os estudos desesperados na última hora, os amigos sempre prontos para ajudar. Pizza de chocolate, fanta uva e pipoca.
A semanal mudança de fotos no mural, a vontade de ficar no quarto pra sempre.
As noites em que o travesseiro, também companheiro de longa data, abafou os soluços e sentiu o salgado gosto das lágrimas de uma pequena versão de mim, que por tanto chorou. Ah, como a ouviu chorar, este velho quarto.
Viu-me crescer, e tornar-me mais forte. Acompanhou as mudanças de gostos, ideais, e até uma ligeira mudança na aparência.
Nele coube o primeiro amor, o grande amor, os amores passageiros. Colegas, amigos momentâneos, amigos de longa data, não mais amigos, amigos pra vida inteira.
Nele couberam os filmes favoritos, os livros e poemas, as cartas e bilhetes que levo comigo pra sempre.
Coube a Luísa fraca e imatura, a Luísa egoísta, a Luísa ciumenta, a Luísa arrependida. A Luísa Sorridente, feliz. A apaixonada e a desiludida. A Luísa ansiosa, a nervosa, a desesperada, a exagerada.
A Luísa que cresceu, que agora compreende. Uma Luísa mais madura, ainda com muito a aprender. A Luísa criança.
A Luísa eternamente criança, crescida, sempre contraditória e em constante movimento.
Este meu refúgio em todas as fases, mesmo com todas as transformações, mudanças e contradições,sempre esteve lá pra mim. Sempre.
E agora estará lá para outra pessoa, uma completa estranha, que, seja lá quem for, tem muita sorte. E espero que cuide deste meu companheiro da vida toda.
Quando eu ainda nem sabia que a vida era a vida, que mamãe era mamãe, papai era papai,que e meu quarto era meu. Mesmo quando eu não sabia...ele já estava lá.
Minha história entre estas quatro paredes começou quando eu ainda era nova demais para saber como este era o meu refúgio perfeito.
Diários escondidos, medos secretos de olhar em baixo da cama, a parede vermelha, a mudança dos móveis, o Scooby-doo, brincadeiras de boneca, o Alfie, o Baby, Cucupie e Mico, as conversas nas noites infinitas com as melhores amigas que a época me proporcionou.
A alegria de ter a minha própria vitrola, meus discos, ouvir estes discos, nesta vitrola, com as pessoas mais inesquecíveis da minha vida. A antiga rede montada, os filmes da disney e as horas ouvindo as bandas favoritas no rádio das meninas super poderosas.
Os estudos desesperados na última hora, os amigos sempre prontos para ajudar. Pizza de chocolate, fanta uva e pipoca.
A semanal mudança de fotos no mural, a vontade de ficar no quarto pra sempre.
As noites em que o travesseiro, também companheiro de longa data, abafou os soluços e sentiu o salgado gosto das lágrimas de uma pequena versão de mim, que por tanto chorou. Ah, como a ouviu chorar, este velho quarto.
Viu-me crescer, e tornar-me mais forte. Acompanhou as mudanças de gostos, ideais, e até uma ligeira mudança na aparência.
Nele coube o primeiro amor, o grande amor, os amores passageiros. Colegas, amigos momentâneos, amigos de longa data, não mais amigos, amigos pra vida inteira.
Nele couberam os filmes favoritos, os livros e poemas, as cartas e bilhetes que levo comigo pra sempre.
Coube a Luísa fraca e imatura, a Luísa egoísta, a Luísa ciumenta, a Luísa arrependida. A Luísa Sorridente, feliz. A apaixonada e a desiludida. A Luísa ansiosa, a nervosa, a desesperada, a exagerada.
A Luísa que cresceu, que agora compreende. Uma Luísa mais madura, ainda com muito a aprender. A Luísa criança.
A Luísa eternamente criança, crescida, sempre contraditória e em constante movimento.
Este meu refúgio em todas as fases, mesmo com todas as transformações, mudanças e contradições,sempre esteve lá pra mim. Sempre.
E agora estará lá para outra pessoa, uma completa estranha, que, seja lá quem for, tem muita sorte. E espero que cuide deste meu companheiro da vida toda.
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