Mostrando postagens com marcador Chuva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chuva. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Chuva III.

Ela passou tanto tempo sendo amiga da chuva,que se esqueceu do quanto simples gotas de água caídas do céu podem ser traiçoeiras.
Menina sonhadora, que inconscientemente torce para estar chovendo quando for pra rua, torce para que um ou outro pingo gelado escape à proteção do guarda chuva e venha beijar sua pele branca, fina, vulnerável.
É quase como ser traída por alguém. Ela vê as notícias na televisão, a destruição em massa, as mortes. Sua amiga é uma assassina. De noite ela chega, mas dessa vez não era esperada, e por isso vem brava, descarrega lampejos e gritos e a menina, magoada e irritada, não sede aos caprichos dos pingos enfurecidos. Confunde sentimentos, o amor pela chuva agora é encoberto pela mágoa e pelo medo de um trovão especialmente alto, que a faz acordar alarmada.
De tanto que desejou a chuva ela veio, e agora se recusa a ir. A culpa é dessa menina que não soube detestar a chuva, como todos os outros a detestam. A aceitou, porque ela a aceitara. Sob as gotas finas ela era a chuva, chuva-menina, uma só. Sua companheira de solidão momentânea tem múltiplas personalidades, e ela só percebeu isso agora.
No fim das contas, a chuva é como qualquer ser humano, que pode destruir e matar. Perdeu seu ar de pureza, algo nela desapareceu,se perdeu, algo que fazia a menina ama-lá, e não teme-lá.

A chuva nunca foi tão humana.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Chuva II

Ela sempre volta. Com ela, as lembranças em mim adormecidas, e algumas expectativas que caem com a garoa, e vão embroa com água que corre na rua.
Não ando com a música hoje, ando com a chuva. A canção que ouço é o leve tamborilar das gotas de água caindo em minha sombrinha azul.
O céu escuro, cheio de núvens cinzas, me trás o incerto, o desconhecido. O caminho rotineiro e automatico torna-se misterioso e assustador. Assustador de um jeito fascinante.
A barra da calça molhada, a ínutil tentativa do capuz protegendo minha face, pessoas correndo dela, logo dela, da chuva que me trás tanta paz.
As gotas caem mais fortes agora, a chuva engrossa, e engrossa também minha mágoa por tanto tempo guardada... mágoa que a chuva nervosa me ajuda a levar pra longe.

Acho que eu nunca vou saber porque a chuva provoca esse tantos sentimentos incomuns em mim. A única coisa que sei, agora, é que não vou com a música... vou é com a chuva. Chuva que despenca do céu, como despencam velhas esperanças, que trazem no seu encalço novas esperanças. Estou aprendendo a mudar, aprendendo a esperar a próxima chuva cair, dentro de mim.
Ela enfraquece de novo, volta a ser garoa, volta a ser pequena. Volto a ser pequena.

Sinfonia realmente linda, essa do tamborilar das gotinhas de água.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Chuva

Começou a chover.
A garota que se concentrava ao máximo em seus cadernos e anotações, parou para ver a chuva.
Da janela ela assistia de camarote os pingos enfurecidos arremessarem-se para todos os lados, chocando-se uns com os outros, numa dança descoordenada e incrivelmente bela.
Quis de todo o coração poder estar lá fora, na chuva. Quis ser a chuva.
Desejou ser um daqueles pingos fracos e pequenos, que junto de outros milhões de pingos, também fracos e insignificantes, fazia-se forte e ameaçador.
Desejou ser aquela água gelada e cortante, que na palma de sua mão parecia-se com pequenos alfinetes espetando-lhe a pele.
Ah, a garota daria tudo o que ela possuí para dançar louca e despreocupadamente, como aquela tempestade dançava. Uma valsa de imensa beleza e imponência.
Sua fraqueza e seu medo se esconderiam, na força daquela água que jorrava céu abaixo.

Por quanto tempo esteve a observar a chuva? Não sabia.
Preoucupou-se com o horário, precisava terminar de estudar.
A chuva caia fraca agora, as núvens começaram a sumir e a menina, virando as costas, deu adeus àquela chuva, pedaço dela, que parou de cair... pedaço dela que foi morrendo aos poucos.