Hoje descobri que a casa verde de uma certa esquina, em uma certa rua, não está sendo reformada e pintada para virar o lar de alguém. Toda aquela gente pintando, furando e martelando a casa, para no fim ela se transformar em um escritório de “qualquer coisa”.
Isso me deixou frustrada e um tanto chateada, afinal, passei bem umas oito semanas da minha vida imaginando, toda a vez que passava por ela, cada membro da família que se mudaria para lá, incluindo o cãozinho latindo no quintal e o gato roliço ronronando no chão da sala.
Mesmo que fosse uma família completamente diferente da que eu imaginei, a idéia de a casa estar sendo preparada para marcar o recomeço da vida de alguém, me fazia sorrir divertida.
Agora, o sorriso inexiste. As crianças correndo, o cheiro do feijão saindo da panela sob o fogão da cozinha e as roupas estendidas no varal, sumiram, não passam de leves borrões que nem na minha imaginação existem mais.
Aqui jaz a casa que nunca foi casa, a família que nunca foi família e um pedacinho da imaginação da menina que, tristonha, dá a esse texto o seu ponto final.