Não dá pra eu escrever quando tô feliz. Não dá mesmo, tudo soa superficial, aparentemente suspeito... incompleto, já tentei, acredite. É que parece que quando peito rompe em angústia, eu preciso recompô-lo em algum lugar, e quando tá tudo bem... tá tudo bem, oras!
Mas hoje aconteceu uma coisa engraçada, viu? Hoje tive um segundo de paz, achei esquisito, mas parecia que tava tudo no lugar. Olhei pro trigo e pro mato e tudo passou rápido de mais, parecia que não tinha fim, e acho que não tem mesmo. E a música ali, me falando que tudo é amor, amor, amor... e daí eu achei que era. E tive vontade de dividir com você, em forma de palavra escrita, porque felicidade é ainda mais difícil de explicar por meio da tagarelice. É sopro, quase invisível, e, olha, vai embora rapidinho. Ultimamente tá ainda mais raro, são as tais dores do crescimento. Dói a junta da perna, os braços e a alma, mas essa, hoje, pode respirar um pouquinho e foi pra lá de bonito, me lembrando do dia em que tive todos os sonhos a um passo de virarem realidade. "Felicidade não existe, o que exite na vida são momentos felizes"? Olha, o cara que disse isso sabe bastante das coisas. Me pergunto, se ele também sabe como é incrível quando esses milésimos de segundo acabam por acontecer. Acho que é esperar por eles que me faz querer continuar a buscar o que não sei o que é. Raro, e absolutamente sensacional.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Para um dos meus vários eus.
Você entendeu isso que eu tô falando? Olha só isso, olha essas linhas... Como é que esse cara conseguia escrever assim? Se eu quero dizer "papel", pra mim é isso e pronto. Vou no dicionário e procuro sinônimos, no máximo. Acho que é porque a minha vida é curta. Não de duração, entendeu? Mas de vivências. Olha bem pra mim. Agora olha esses livros, essas linhas, olha só isso... São coisas que nunca vivi e nem vou viver. Aqui estou falando com você, ou sozinha também, sei lá. Sei que até o vento se cansou de mim e foi ventar lá em outro canto. Diz a verdade, não dá uma vontade gigante de morrer e virar outro? Não dá vontade de escolher as linhas que se quer escrever nessa vida? Tudo parece tão fácil... tem gente que diz "ué, vai lá e vive!". Aí é que eu é pergunto... mas e o medo? E a canseira que dá só de existir e abrir o olho na hora de levantar? E o chão gelado que faz os meus pés esconderem-se de novo na manta? E o resto do mundo, onde fica nesse "tudo é fácil se você quiser?". Uma ova que é! Por isso é que agora eu tô olhando pro relógio vendo que desperdicei mais um dia dessa minha vida que nem tem tanta graça assim. E quando foi que isso aconteceu, hein? Me diz porque eu tô doidinha pra saber. Autossabotagem, tá ai, você falou um troço que faz sentido. Vicia, isso aí, de se sabotar dia após dia. Mas como eu faço pra parar? Vai, me diz! Não lance as palavras e depois me deixe sozinha com elas. Fica mais um pouco, só consigo conversar com você. E comigo mesma, mas não gosto muito, porque sempre falo mais do que deveria. Às vezes eu fico revivendo momentos da vida que eu queria ter vivido, sabe? Das vidas, na verdade. São várias delas. Me diz como eu faço pra começar de novo, que eu quero ser polonesa e vender discos ali na esquina. Tudo bem, não precisa ser algo tão longe, ser uma pessoa que tem vontade de sair na rua pra ver o sol, já está de bom tamanho. Olha aqui, você pensa que é simples assim? Eu também achei que fosse, mas aí descobri que não adianta eu querer sair pra conhecer o mundo, se ligo a televisão só pra ouvir barulho, porque tenho medo de ficar sozinha em casa. Sempre amei o futuro e esqueci de concertar o presente, angustiada com vontade de voar, esqueci que não dá pra dar passo maior que a perna não. Tem que ser miudeza por miudeza. Aí eu conseguiria encarar esse abismo delicioso, que é o mundo além desse sofá sujo. Por isso não saí do lugar, viu? Por isso minha vida, se fosse filme, seria aqueles da Sofia Coppola. Não ri não, é sério! Aqueles que falam sobre vazio, tédio, e você termina de assistir, sabendo que faltou alguma coisa. Vou sair de mim sabendo que faltou alguma coisa. Coragem, talvez. Talvez um abrir de olhos, um corpo mais jeitoso, pra dançar melhor... uma aventura. A existência. Mas essa, já foi embora faz tempo.
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quinta-feira, 4 de julho de 2013
Antes de dormir
Indo fechar a janela, que é para o vento frio da madrugada não me aborrecer.
Um homem, do outro lado da rua, vasculha o lixo alheio, equilibrando-se na bicicleta velha.
Uma menina come pão na sala da sobreloja oposta, com a rua de costas pra ela, que assiste televisão.
E assim, dos milhares de universos se fazem mais três. O meu, o dele, e o dela.
Entre nós a rua vazia, a noite friorenta e aquele vazio que atravessa a todos nós, todos os dias.
Nunca sentiremos um ao outro.
Nunca nos saberemos.
Um homem, do outro lado da rua, vasculha o lixo alheio, equilibrando-se na bicicleta velha.
Uma menina come pão na sala da sobreloja oposta, com a rua de costas pra ela, que assiste televisão.
E assim, dos milhares de universos se fazem mais três. O meu, o dele, e o dela.
Entre nós a rua vazia, a noite friorenta e aquele vazio que atravessa a todos nós, todos os dias.
Nunca sentiremos um ao outro.
Nunca nos saberemos.
terça-feira, 4 de junho de 2013
medida certa
Para o reacionário, a revolução
Para o covarde, a rua
e para o medo, a nudez.
Para mim, tudo aquilo que falta
E para você também.
Para nós, o excesso daquilo que nunca vamos ter.
Para quem precisa de amor, gatinhos
um abraço
a flor
a poesia
covinhas e sorrisão.
Para o mesquinho, o dinheiro.
(Se é isso que quer, é só o que merece)
Para o chato, a bagunça
Para o amargo, a gargalhada.
Para quem quiser, todo o amor que houver nessa vida.
Para ser entendido, o apanhador,
Para conversar também.
Para quem sofre, uma boa noite de sono.
Para quem quer, qualquer coisa.
Para quem tem fome comida, diversão e arte!
...
...
...
E assim segue tudo isso, tudo aquilo, aquilo outro também,
na (des)medida exata.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Para o Apanhador Só
Cheguei, deitei e fiquei aqui, um tempão
E nesse ficar, fiquei pensando
E nesse pensar, passou
A água evaporou na panela
A louça não se lava sozinha
O pó não se retira dos cantos
Da casa
Vazia.
Nesse pensar, o sol se pôs através da janela
Nesse ficar pensando, pensei
Pensei nas crianças passando
Correndo
Passando da linha, do limite
Do abismo
E pensei em você
Parado, apanhador
Parado no centeio
Protegendo a molecada, para que não caiam
Assim
Devagar.
E nesse ficar, fiquei pensando
E nesse pensar, passou
A água evaporou na panela
A louça não se lava sozinha
O pó não se retira dos cantos
Da casa
Vazia.
Nesse pensar, o sol se pôs através da janela
Nesse ficar pensando, pensei
Pensei nas crianças passando
Correndo
Passando da linha, do limite
Do abismo
E pensei em você
Parado, apanhador
Parado no centeio
Protegendo a molecada, para que não caiam
Assim
Devagar.
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Pequenas alegrias
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Para as coisas belas e tristes.
O sorriso, a partida. Mal sabíamos uma da outra, apenas quase estranhas com simpatia e um pouco de mistério. Mas agora penso em você quase todos os dias, e te procuro nas imagens, nos recados, nas lembranças. Tenho medo de não te achar mais em lugar nenhum, medo de te esquecerem.
Sei que não vão. Tuas vibrações foram suficientes para deixar uma legião de pessoas apaixonadas por cada detalhe seu, por cada instante vivido.
Sei que também não vou, mas, se você estivesse aqui, se ainda sorrindo, se ainda dançando, talvez não teria o espaço que tem no meu peito agora. Não precisaria, não é mesmo?
Sempre invejei essa tua beleza, como era bela. Como é Bela! E como teve essa coisa louca de querer viver com o riso frouxo,o cabelo solto, e com essa coisa que sempre faltou na minha testa franzida, na cara amarrada, nesse jeito carrancudo de beijar santo o tempo todo e nesse sufoco que parece que me impede de ser feliz. É tão fácil me ver pequena diante dessa tua leveza até na hora mais triste, até naquela foto enorme que vimos na hora de dizer adeus. Menina, menina, não sei da saudade daqueles que te tem como tudo na vida, e só de pensar nela o meu peito dói uma dor doída que me dá vontade de chorar. Só quero que saibas que eu me lembro, e vou lembrar por um bom tempo da minha vida. Talvez lembre pra sempre e sempre agradecerei pela lição que me ensinou, sem nem mesmo saber que o fez.
Lá fora, tô indo abraçar o sol. É o mínimo que posso fazer por você.
Sei que não vão. Tuas vibrações foram suficientes para deixar uma legião de pessoas apaixonadas por cada detalhe seu, por cada instante vivido.
Sei que também não vou, mas, se você estivesse aqui, se ainda sorrindo, se ainda dançando, talvez não teria o espaço que tem no meu peito agora. Não precisaria, não é mesmo?
Sempre invejei essa tua beleza, como era bela. Como é Bela! E como teve essa coisa louca de querer viver com o riso frouxo,o cabelo solto, e com essa coisa que sempre faltou na minha testa franzida, na cara amarrada, nesse jeito carrancudo de beijar santo o tempo todo e nesse sufoco que parece que me impede de ser feliz. É tão fácil me ver pequena diante dessa tua leveza até na hora mais triste, até naquela foto enorme que vimos na hora de dizer adeus. Menina, menina, não sei da saudade daqueles que te tem como tudo na vida, e só de pensar nela o meu peito dói uma dor doída que me dá vontade de chorar. Só quero que saibas que eu me lembro, e vou lembrar por um bom tempo da minha vida. Talvez lembre pra sempre e sempre agradecerei pela lição que me ensinou, sem nem mesmo saber que o fez.
Lá fora, tô indo abraçar o sol. É o mínimo que posso fazer por você.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Little man blue
A típica volta para casa. Sentada no metrô, os fones de ouvido poupando-me dos ruídos dos trilhos. Às vezes gosto deles, às vezes é preciso desligá-los para deixar a mente flutuar. Para ajudar, a voz mais bonita do mundo cantando para mim. Minha little girl blue.
Olho ao redor, reparo os rostos, um jovem senta ao meu lado. 16 anos, 17? Posso tentar adivinhar essa idade porque ele me chamou a atenção, e chamou a atenção por ter uma agenda exatamente igual a minha, aquela que carrego para todo o canto e que carrega todos os meus sonhos e devaneios. Discrição e indiferença nunca foram meu forte, e um menino de 16 anos com uma agenda do Charles Chaplin tinha que ser especial. Lá dentro tinham sonhos, iguais aos meus de algum tempo atrás, memórias, um diário. Ele quer passar no vestibular, escreve em sua agenda o que fez no seu dia, resolve exercícios de matemática. Me emociona.
Não sei nem se quero achar explicação para esse sentimento que me invadiu. Talvez nem haja alguma explicação. Talvez seja só a vida, me mostrando como ela pode ser bonita e cheia de poesia e garotos cheios de sonhos, quando ela quer.
Saio do trem, a música acaba.
Ganhei o meu dia.
Olho ao redor, reparo os rostos, um jovem senta ao meu lado. 16 anos, 17? Posso tentar adivinhar essa idade porque ele me chamou a atenção, e chamou a atenção por ter uma agenda exatamente igual a minha, aquela que carrego para todo o canto e que carrega todos os meus sonhos e devaneios. Discrição e indiferença nunca foram meu forte, e um menino de 16 anos com uma agenda do Charles Chaplin tinha que ser especial. Lá dentro tinham sonhos, iguais aos meus de algum tempo atrás, memórias, um diário. Ele quer passar no vestibular, escreve em sua agenda o que fez no seu dia, resolve exercícios de matemática. Me emociona.
Não sei nem se quero achar explicação para esse sentimento que me invadiu. Talvez nem haja alguma explicação. Talvez seja só a vida, me mostrando como ela pode ser bonita e cheia de poesia e garotos cheios de sonhos, quando ela quer.
Saio do trem, a música acaba.
Ganhei o meu dia.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Para não esquecer.
É preciso lembrar do brilho. Talvez esta seja a mais difícil dentre todas as tarefas, mas é preciso.
Lembrar-se das coisas geniais que a cercam, e que se estas o fazem, é por um merecimento que por diversas vezes ela pensa não ter.
E mesmo que seu mundo e sua paranóia a joguem pra baixo, e mesmo que os seus demônios internos, com quem luta diariamente, insistam em dizer que ela não é digna, que não é boa, que não vai dar certo, ainda sim é preciso lutar para melhorar. É preciso olhar para dentro de si mesma e achar o que de belo está escondido, mesmo que seja na mais íntima e esquecida parte de si mesma.
Ter o tempo todo a certeza de que pode estar sozinha no fim do dia, no fim dos pensamentos, dos delírios, dos sentimentos. E que isto não é ruim, não é. Ela deve se bastar.
Conquistar a sabedoria, a capacidade e a bondade de sorrir para quem a quer mal. Sabe que esta aí é uma coisa complicada de conseguir, mas ao menos tentar não se deixar atingir pelos pobres de espírito e de coração.
É preciso, sim, é preciso que ela repita para si mesma que merece tudo que tem. Que é especial, que tem seu valor, que tem as melhores pessoas e oportunidades do mundo... e acima de tudo, é preciso que ela não se deixe abater, e faça por merecer tudo o que a vida graciosamente lhe deu.
A luta diária.
Lembrar-se das coisas geniais que a cercam, e que se estas o fazem, é por um merecimento que por diversas vezes ela pensa não ter.
E mesmo que seu mundo e sua paranóia a joguem pra baixo, e mesmo que os seus demônios internos, com quem luta diariamente, insistam em dizer que ela não é digna, que não é boa, que não vai dar certo, ainda sim é preciso lutar para melhorar. É preciso olhar para dentro de si mesma e achar o que de belo está escondido, mesmo que seja na mais íntima e esquecida parte de si mesma.
Ter o tempo todo a certeza de que pode estar sozinha no fim do dia, no fim dos pensamentos, dos delírios, dos sentimentos. E que isto não é ruim, não é. Ela deve se bastar.
Conquistar a sabedoria, a capacidade e a bondade de sorrir para quem a quer mal. Sabe que esta aí é uma coisa complicada de conseguir, mas ao menos tentar não se deixar atingir pelos pobres de espírito e de coração.
É preciso, sim, é preciso que ela repita para si mesma que merece tudo que tem. Que é especial, que tem seu valor, que tem as melhores pessoas e oportunidades do mundo... e acima de tudo, é preciso que ela não se deixe abater, e faça por merecer tudo o que a vida graciosamente lhe deu.
A luta diária.
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terça-feira, 29 de março de 2011
Aos seis.
Quero voltar a enxergar com meus olhos de criança. Pensar situações, resolver conflitos, comer, dormir, olhar para cada coisinha que esteja no meu campo de visão. Quero tudo isso como quando tinha seis anos de idade.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
E se...
...Eu nunca tivesse saído de casa? E se eu ainda morasse no meu apartamento antigo? E se tivesse tido menos sorte nessa prova falha? E então, se eu tivesse feito um ano de cursinho? E se eu nunca tivesse tido todas estas experiências e passado por todos estes apuros? E se meu pensamento continuasse pequeno e limitado? Então não teria feito todos estes amigos e conhecido tantas pessoas, e amadurecido tanto, e não teria levado alguns belos socos da vida. Não teria sido sacaneada, e não teria recebido ajuda das pessoas que eu menos esperei.
Então eu nunca iria ter te conhecido. Nunca saberia sequer da sua existência.
Nuca teria derramado lágrimas, nem provocado tantas outras...não saberia o que é amar de verdade. Não saberia que a alegria é pra mim possível, e que eu posso sim ser feliz e correspondida no amor. Não saberia fazer planos a longo prazo,não saberia imaginar uma vida futura, não teria conhecido tantos lugares e aprendido tantas coisas.
Continuaria com o mesmo grupo limitado de amigos, do qual hoje eu sei que poucas pessoas fizeram por merecer, e estão comigo até hoje.
Não estaria deitada nesta cama, com estes textos em minhas mãos, pensando na aula de amanhã. Não pensaria que tenho de ir ao banco e ao mercado, que tenho contas a pagar, que não posso decepcionar os outros, e que tenho de me policiar para não me tornar o monstro que mais temo ser.
Não saberia o que é sentir a dor física da saudade, nem saberia valorizar tanto o telefonema de uma amiga. Não sentiria essa saudade estúpida do arroz do meu pai. Talvez fosse menos sensível. Talvez não.
Tenho muito o que aprender, e o acaso vai me guiar por suas linhas tortas e inesperadas. Acaso e destino, porque acho que os dois andam juntos.
E talvez amanhã tudo isso tenha mudado, e eu seja uma pessoa completamente diferente.
Talvez tudo isso seja um longo sonho, em uma tarde inquieta e chuvosa.
Luísa, open your eyes.
Então eu nunca iria ter te conhecido. Nunca saberia sequer da sua existência.
Nuca teria derramado lágrimas, nem provocado tantas outras...não saberia o que é amar de verdade. Não saberia que a alegria é pra mim possível, e que eu posso sim ser feliz e correspondida no amor. Não saberia fazer planos a longo prazo,não saberia imaginar uma vida futura, não teria conhecido tantos lugares e aprendido tantas coisas.
Continuaria com o mesmo grupo limitado de amigos, do qual hoje eu sei que poucas pessoas fizeram por merecer, e estão comigo até hoje.
Não estaria deitada nesta cama, com estes textos em minhas mãos, pensando na aula de amanhã. Não pensaria que tenho de ir ao banco e ao mercado, que tenho contas a pagar, que não posso decepcionar os outros, e que tenho de me policiar para não me tornar o monstro que mais temo ser.
Não saberia o que é sentir a dor física da saudade, nem saberia valorizar tanto o telefonema de uma amiga. Não sentiria essa saudade estúpida do arroz do meu pai. Talvez fosse menos sensível. Talvez não.
Tenho muito o que aprender, e o acaso vai me guiar por suas linhas tortas e inesperadas. Acaso e destino, porque acho que os dois andam juntos.
E talvez amanhã tudo isso tenha mudado, e eu seja uma pessoa completamente diferente.
Talvez tudo isso seja um longo sonho, em uma tarde inquieta e chuvosa.
Luísa, open your eyes.
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sábado, 18 de dezembro de 2010
"Já se sentiu tão vivo, que chegou a doer?" II
Há pouco mais de dois anos atrás, um dos meus primeiros textos nesse blog, carregou este título.
Era um desabafo de tristezas e angústias, de um momento do qual ainda me lembro, não sem uma pontadinha de ressentimento.
Hoje, dois anos, milhares de textos, experiências, pessoas, sorrisos, e lágrimas depois, me parece justo utilizar este título novamente. A temática, felizmente, é completamente outra.
Talvez se tivesse naquela época a visão das coisas que tenho hoje, teria administrado o sofrimento de maneira muito mais colorida. Talvez as coisas nem tenham sido tão terríveis assim.
De todo modo, há dois dias atrás, quando voltava para minha cidade natal, depois de um ano deliciosamente conturbado e atípico, me ocorreu a pergunta...
Você, Luísa, já se sentiu tão viva, que chegou a doer?
Sorrio internamente. Foi só o que fiz, nesse ano que passou.
Algumas lágrimas me escaparam ao me despedir. Me peguei agradecendo aos quatro ventos a sorte de ter amigos como eles, enquanto andava pelas ruas da pacata cidade.
Fiz muito isso, ao longo do ano. Agradecer.
Sim, obrigada pelas oportunidades, pelo amadurecimento, pelas pessoas, pela superação de limites e mudança de idéias, pela mente que foi aberta, pelo conhecimento, pelas porradas da vida, pelos consolos, festas, tesouros, momentos. Pela sintonia e amizade conquistada com alguns, em um espaço de tempo tão curto. Por descobrir, ainda que de forma dolorida e um tanto frustrada, o que é gostar de alguém de verdade. Por aprender que estar só é bom, e que eu posso muito bem me levantar sozinha, se quiser.
Me senti tão viva, todos os dias, que sim, até me dói.
Seja nas noites no apartamento de cima, seja no bar na frente da faculdade, seja dentro da faculdade ou em uma festa qualquer. Na rua, na casa dos amigos, jogando conversa fora, tomando um sorvete, salvando o mundo. Fazendo coisas que eu nem achei que fosse capaz de fazer, me vendo de um modo completamente diferente, vivendo e tendo consciência disso, sendo capaz de contagiar alguns e ser contagiada por outros.
Tão viva, que chega a doer...
Que isso perdure por mais alguns aninhos, pelo menos, por favor :)
Era um desabafo de tristezas e angústias, de um momento do qual ainda me lembro, não sem uma pontadinha de ressentimento.
Hoje, dois anos, milhares de textos, experiências, pessoas, sorrisos, e lágrimas depois, me parece justo utilizar este título novamente. A temática, felizmente, é completamente outra.
Talvez se tivesse naquela época a visão das coisas que tenho hoje, teria administrado o sofrimento de maneira muito mais colorida. Talvez as coisas nem tenham sido tão terríveis assim.
De todo modo, há dois dias atrás, quando voltava para minha cidade natal, depois de um ano deliciosamente conturbado e atípico, me ocorreu a pergunta...
Você, Luísa, já se sentiu tão viva, que chegou a doer?
Sorrio internamente. Foi só o que fiz, nesse ano que passou.
Algumas lágrimas me escaparam ao me despedir. Me peguei agradecendo aos quatro ventos a sorte de ter amigos como eles, enquanto andava pelas ruas da pacata cidade.
Fiz muito isso, ao longo do ano. Agradecer.
Sim, obrigada pelas oportunidades, pelo amadurecimento, pelas pessoas, pela superação de limites e mudança de idéias, pela mente que foi aberta, pelo conhecimento, pelas porradas da vida, pelos consolos, festas, tesouros, momentos. Pela sintonia e amizade conquistada com alguns, em um espaço de tempo tão curto. Por descobrir, ainda que de forma dolorida e um tanto frustrada, o que é gostar de alguém de verdade. Por aprender que estar só é bom, e que eu posso muito bem me levantar sozinha, se quiser.
Me senti tão viva, todos os dias, que sim, até me dói.
Seja nas noites no apartamento de cima, seja no bar na frente da faculdade, seja dentro da faculdade ou em uma festa qualquer. Na rua, na casa dos amigos, jogando conversa fora, tomando um sorvete, salvando o mundo. Fazendo coisas que eu nem achei que fosse capaz de fazer, me vendo de um modo completamente diferente, vivendo e tendo consciência disso, sendo capaz de contagiar alguns e ser contagiada por outros.
Tão viva, que chega a doer...
Que isso perdure por mais alguns aninhos, pelo menos, por favor :)
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Escrevo sobre aquilo do que sou feita.
Eu falo sobre amor.
Minhas linhas tornam-se repetitivas, cansadas, estão sempre dizendo o mesmo.
Sinto-me dentro daquele filme do qual tanto gosto, em que tantos personagens e tantas histórias se reúnem, encontram e desencontram para falar do sentimento mais importante do mundo.
E sim, eu acredito que todos nós seremos salvos pelo amor, acredito mesmo que amor é tudo o que você precisa, e considero SIM toda forma de amor, se for sincera, totalmente justa e inevitavelmente linda.
Por isso essa auto-sabotagem. Por isso hoje, quando passei o olho pelos meus últimos escritos publicados notei que todos falavam da mesma coisa. Um amor de pai, um amor de avô, um coração partido pelo amor não-correspondido e o amor pelas pequenas coisinhas, invisíveis à maioria dos olhos.
E quando sentei nessa cadeira azul que tanto amo, olhei para esse pequeno tapetinho fulpudo, que tanto amo, encolhido aos meus pés, notei que mais uma vez escreveria sobre ele, só ele, porque sim, sim e sim, sou feita de amor e só dele, puro e simples. Amo o amor e, me desculpem se meus textos são cansativos por caírem sempre na mesma conversa, mas só sei escrever sobre aquilo do que sou feita :)
Minhas linhas tornam-se repetitivas, cansadas, estão sempre dizendo o mesmo.
Sinto-me dentro daquele filme do qual tanto gosto, em que tantos personagens e tantas histórias se reúnem, encontram e desencontram para falar do sentimento mais importante do mundo.
E sim, eu acredito que todos nós seremos salvos pelo amor, acredito mesmo que amor é tudo o que você precisa, e considero SIM toda forma de amor, se for sincera, totalmente justa e inevitavelmente linda.
Por isso essa auto-sabotagem. Por isso hoje, quando passei o olho pelos meus últimos escritos publicados notei que todos falavam da mesma coisa. Um amor de pai, um amor de avô, um coração partido pelo amor não-correspondido e o amor pelas pequenas coisinhas, invisíveis à maioria dos olhos.
E quando sentei nessa cadeira azul que tanto amo, olhei para esse pequeno tapetinho fulpudo, que tanto amo, encolhido aos meus pés, notei que mais uma vez escreveria sobre ele, só ele, porque sim, sim e sim, sou feita de amor e só dele, puro e simples. Amo o amor e, me desculpem se meus textos são cansativos por caírem sempre na mesma conversa, mas só sei escrever sobre aquilo do que sou feita :)
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Corrida de gotinhas
E lá estava eu, mais uma vez no banco do passageiro, fazendo o costumeiro trajeto de volta para casa. Mudando freneticamente a frequência do rádio, em busca de alguma música que pudesse me agradar, e tomando cuidado para fugir de alguma canção duvidosa que por acaso estivesse tocando nas rádios favoritas do meu pai. Ele, ardiloso, começaria a cantar emocionado, me impedindo assim de mudar de estação. É, acho que no fundo ele sabe que ver os olhos deles brilhantes, enquanto está cantando, é um dos meus pontos fracos. Quantas lembranças estarão escondidas nas melodias? Serão músicas com história, ou apenas agradáveis aos ouvidos, naquele momento? Não me importa, seus olhos cansados ficam brilhantes da mesma forma, e isso basta pra mim.
Evidentemente o tiro saiu pela culatra. Jorge Vercilo. Detesto as músicas desse cara! Bla bla bla, sempre falando a mesma coisa, e agora preciso encontrar alguma forma de me entreter nos próximos quatro minutos. Na certa poderia ficar ouvindo meu pai cantar, isso é um bocado divertido, mas depois de um tempinho é cansativo ouvir o refrão repetido pela décima vez (papai cantando como se fosse a primeira).
Olho pela janela, ou melhor, não olho. A chuvinha mansa que chove lá fora embaça o vidro do carro, faço alguns desenhos mas a minha cota de imaginação se esgota mais rápido do que deveria. Olho para os carros que passam ao lado do meu, mas quase todos estão com o vidro fechado, impedindo-me de olhar para os rostos dentro dos automóveis, dificultando a possível historia que eu poderia criar para estas pessoas. Seus destinos e seu passado ficam ocultos quando não posso olhar para eles.
Então, as vejo! Sim! Minhas salvadoras, as gotinhas de chuva caídas no vidro! Desafiando as leis da gravidade e caindo para cima, apostando corridas e despencando inescrupulosamente. Será que elas sabem que ao caírem assim tao rápido, encurtam suas vidas? Algumas cruéis acabam arrastando outras, que estavam lá, quietinhas, para o prematuro fim.
Outras, um pouco mais covardes, ficam estáticas, não vão para frente nem para trás, parecem indecisas.
Consigo ir ainda mais longe e imagino a linha da vida das gotículas. Se passar para lá, é gotinha morta, se permanecer aqui, é então cheia de vida. E elas pareceram ter entendido o meu raciocino, pois durante o tempo em que fiquei a admira-las, as do lado da vida permaneceram lá, intactas.
Não cheguei a saber se passaram para o lado de lá, não sei qual viveu, qual morreu, nao consegui terminar de conta-las.
A música acabou, enfim. Rapidamente mudei de estação. Pensei em contar ao meu pai sobre as gotas, a linha da vida e as suas aventuras. Não. Acho que isso arruinaria tudo. Meu pai é meu maior herói, mas esta cansado e preocupado demais com a vida para olhar para as gotinhas. Não o culpo, não mesmo. Pensei em morrer com o segredo delas, minhas gotinhas, mas acho que compartilha-las com o luisainthesky é muito mais sabido e divertido :)
Evidentemente o tiro saiu pela culatra. Jorge Vercilo. Detesto as músicas desse cara! Bla bla bla, sempre falando a mesma coisa, e agora preciso encontrar alguma forma de me entreter nos próximos quatro minutos. Na certa poderia ficar ouvindo meu pai cantar, isso é um bocado divertido, mas depois de um tempinho é cansativo ouvir o refrão repetido pela décima vez (papai cantando como se fosse a primeira).
Olho pela janela, ou melhor, não olho. A chuvinha mansa que chove lá fora embaça o vidro do carro, faço alguns desenhos mas a minha cota de imaginação se esgota mais rápido do que deveria. Olho para os carros que passam ao lado do meu, mas quase todos estão com o vidro fechado, impedindo-me de olhar para os rostos dentro dos automóveis, dificultando a possível historia que eu poderia criar para estas pessoas. Seus destinos e seu passado ficam ocultos quando não posso olhar para eles.
Então, as vejo! Sim! Minhas salvadoras, as gotinhas de chuva caídas no vidro! Desafiando as leis da gravidade e caindo para cima, apostando corridas e despencando inescrupulosamente. Será que elas sabem que ao caírem assim tao rápido, encurtam suas vidas? Algumas cruéis acabam arrastando outras, que estavam lá, quietinhas, para o prematuro fim.
Outras, um pouco mais covardes, ficam estáticas, não vão para frente nem para trás, parecem indecisas.
Consigo ir ainda mais longe e imagino a linha da vida das gotículas. Se passar para lá, é gotinha morta, se permanecer aqui, é então cheia de vida. E elas pareceram ter entendido o meu raciocino, pois durante o tempo em que fiquei a admira-las, as do lado da vida permaneceram lá, intactas.
Não cheguei a saber se passaram para o lado de lá, não sei qual viveu, qual morreu, nao consegui terminar de conta-las.
A música acabou, enfim. Rapidamente mudei de estação. Pensei em contar ao meu pai sobre as gotas, a linha da vida e as suas aventuras. Não. Acho que isso arruinaria tudo. Meu pai é meu maior herói, mas esta cansado e preocupado demais com a vida para olhar para as gotinhas. Não o culpo, não mesmo. Pensei em morrer com o segredo delas, minhas gotinhas, mas acho que compartilha-las com o luisainthesky é muito mais sabido e divertido :)
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Antes da enchente.
Então, é hora de um novo começo.
Sempre procuro associar momentos da minha vida com uma música, ou artista, ou coisa que o valha. Talvez a música ideal apara esse momento fosse dos Smiths. Talvez eu devesse estar cantarolando "good times for a chaange..." enquanto me preparo para uma organização do meu armário, uma organização de pensamentos e um novo corte de cabelos, mas, por algum motivo, hoje comecei a ouvir algumas músicas que marcaram meus 14, 15 anos de idade (e isso nem faz tanto tempo, vai) e dentre elas, é claro, estava a saudosa Noção de nada.
Então, "já não consigo nem lembrar do mundo antes de você" é uma frase bem forte, e eu costumava cantar para alguém com quem hoje já nem falo. Mas sabe?? Eu consigo me lembrar do mundo antes dessa pessoa. Consigo me lembrar do mundo antes de todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Na certa me lembrarei dessa minha vida de agora, conforme pessoas novas forem chegando. Poxa! Não consigo é lembrar do mundo antes de mim mesma. Essas decisões, essas mudanças, os pensamentos, a forma como eu vou lidar com meus acontecimentos, com as lágrimas que puderem vir e com as noticias que vão chegar... tudo isso cabe a mim.
Antes da enchente. Vem vindo uma enchente por ai, as coisas vão mudar. Mas não é por causa de uma segunda pessoa, não. Estou pedindo por uma mudança, e parece que tenho esperado que alguém realize essa mudança pro mim. Mas não. Ela é minha, e só minha, como tudo mais, é tão minha que até me dói.
Parece que finalmente acordei para tudo, parece que enfim esse torpor maluco no qual me enfiei finalmente tenha terminado. Começo a perceber o quanto escrever meus pensamentos e bobagens aqui faz falta, o quanto tantas outras coisas deixadas para trás fazem falta. Tá na hora de mudar. Retomar alguns velhos pensamentos, jogar fora tantos outros que agora me fazem mal, e abrir espaço para que os novos venham.
É, posso lidar com isso, sei que posso!
"Antes do sol, da chuva... antes de voce".
Sempre procuro associar momentos da minha vida com uma música, ou artista, ou coisa que o valha. Talvez a música ideal apara esse momento fosse dos Smiths. Talvez eu devesse estar cantarolando "good times for a chaange..." enquanto me preparo para uma organização do meu armário, uma organização de pensamentos e um novo corte de cabelos, mas, por algum motivo, hoje comecei a ouvir algumas músicas que marcaram meus 14, 15 anos de idade (e isso nem faz tanto tempo, vai) e dentre elas, é claro, estava a saudosa Noção de nada.
Então, "já não consigo nem lembrar do mundo antes de você" é uma frase bem forte, e eu costumava cantar para alguém com quem hoje já nem falo. Mas sabe?? Eu consigo me lembrar do mundo antes dessa pessoa. Consigo me lembrar do mundo antes de todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Na certa me lembrarei dessa minha vida de agora, conforme pessoas novas forem chegando. Poxa! Não consigo é lembrar do mundo antes de mim mesma. Essas decisões, essas mudanças, os pensamentos, a forma como eu vou lidar com meus acontecimentos, com as lágrimas que puderem vir e com as noticias que vão chegar... tudo isso cabe a mim.
Antes da enchente. Vem vindo uma enchente por ai, as coisas vão mudar. Mas não é por causa de uma segunda pessoa, não. Estou pedindo por uma mudança, e parece que tenho esperado que alguém realize essa mudança pro mim. Mas não. Ela é minha, e só minha, como tudo mais, é tão minha que até me dói.
Parece que finalmente acordei para tudo, parece que enfim esse torpor maluco no qual me enfiei finalmente tenha terminado. Começo a perceber o quanto escrever meus pensamentos e bobagens aqui faz falta, o quanto tantas outras coisas deixadas para trás fazem falta. Tá na hora de mudar. Retomar alguns velhos pensamentos, jogar fora tantos outros que agora me fazem mal, e abrir espaço para que os novos venham.
É, posso lidar com isso, sei que posso!
"Antes do sol, da chuva... antes de voce".
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
15:45 e a vontade súbita.
Me deu uma vontade súbita de escrever alguma coisa. Vontade boa essa, que eu não sei se foi causada pela televisão no último volume, televisão esta que mantém meu irmão pregado no sofá, sem piscar os olhos, hipnotizado pelas imagens multi coloridas que se projetam na tela.
Talvez tenha sido a chuva jorrando do céu. Talvez não, já que as nuvens tem chorado incansavelmente durante os últimos dias, sem parar.
No fim das contas, acho que meus dedos sentiram a necessidade de voar nessas teclas porque, nas últimas horas, tenho estado muito pensativa sobre tudo, especialmente sobre os meus sentimentos e apesar de eu ter a plena consciencia de que não vou conseguir falar deles de maneira aberta e concreta, aqui nesse blog, escrever e descarregar minhas energias em alguma coisa já é um grande alívio.
Hoje me emocionei quando aquele par de olhos verdes me disse que eu estava dentre as três pessoas que ele mais ama nesse mundo. Hoje me angustiei com um sentimento que eu não faço a menor questão de sentir, mas insiste em se manifestar. Hoje senti o medo de não sentir mais nada.
Quero abrir os braços e sair correndo pro meio da rua, quero tomar um banho de chuva, mas sei que não vou fazer isso, sei que não.
Sempre retomo o controle da situação com a mesma rapidez que o perco, mas tenho melhorado.
A esperança se foi com a mesma rapidez que veio, mas isso nem me abalou tanto.
Queria é saber controlar os sentimentos.
Queria é saber controlar a chuva...
Talvez tenha sido a chuva jorrando do céu. Talvez não, já que as nuvens tem chorado incansavelmente durante os últimos dias, sem parar.
No fim das contas, acho que meus dedos sentiram a necessidade de voar nessas teclas porque, nas últimas horas, tenho estado muito pensativa sobre tudo, especialmente sobre os meus sentimentos e apesar de eu ter a plena consciencia de que não vou conseguir falar deles de maneira aberta e concreta, aqui nesse blog, escrever e descarregar minhas energias em alguma coisa já é um grande alívio.
Hoje me emocionei quando aquele par de olhos verdes me disse que eu estava dentre as três pessoas que ele mais ama nesse mundo. Hoje me angustiei com um sentimento que eu não faço a menor questão de sentir, mas insiste em se manifestar. Hoje senti o medo de não sentir mais nada.
Quero abrir os braços e sair correndo pro meio da rua, quero tomar um banho de chuva, mas sei que não vou fazer isso, sei que não.
Sempre retomo o controle da situação com a mesma rapidez que o perco, mas tenho melhorado.
A esperança se foi com a mesma rapidez que veio, mas isso nem me abalou tanto.
Queria é saber controlar os sentimentos.
Queria é saber controlar a chuva...
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Mania de sentir demais
Sou toda sentimentos. Qualquer coisa dentro de mim se manifesta de maneira intensa. Não sei ser fria, não sei ser ponderada, e isso dói.
Certo dia uma amiga minha, com olhos de ressaca, me disse que ser fria é muito pior, e que sofre muito por não conseguir expressar seus sentimentos. Acredito ela, é claro, mas não consigo me imaginar nessa situação, eu que sou uma pessoa que enfrenta mais algumas semanas de aula só apara não ficar sozinha em casa.
Choro mais, tomo mais porradas da vida, me apaixono uma vez por semana, e sempre acho que sou mais com os outros do que os outros são comigo. Guardo uma porção de sentimentos não revelados, promessas não cumpridas e pequenas mágoas por coisas pequenas.
Não é algo que me orgulhe,ao contrário, estes sentimentos todos demonstram que os monstros da fraqueza e da dependência estão aqui adormecidos, prontos pra acordar ao menor descuido dessa menina que, depois de tanto tempo, escreve nesse blog.
Por ser assim me entristeço fácil e dou muita importância para coisas que a minha amiga Capitu certamente deixaria de lado, tornando seus dias muito mais fáceis.
Lembro de uma amiga que, aos seis anos de idade, me disse que eu a sufocava demais, o que partiu o meu coraçãozinho na época, e que eu sinto partir até hoje quando me vejo, de novo, a sufocar alguém com atenções e carinhos dos quais ninguém precisa.
E aqui estou eu, enquanto o ano dá seus últimos suspiros, me preparando psicologicamente para fazer um balanço de 2009, coisa que é inevitável de se fazer. Mas o que eu sei que não vai mudar nunca, é essa minha eterna mania de sentir demais.
obs: Natá, aqui está sua resposta, talvez agora você possa entender melhor o outro lado da história hehehe
Certo dia uma amiga minha, com olhos de ressaca, me disse que ser fria é muito pior, e que sofre muito por não conseguir expressar seus sentimentos. Acredito ela, é claro, mas não consigo me imaginar nessa situação, eu que sou uma pessoa que enfrenta mais algumas semanas de aula só apara não ficar sozinha em casa.
Choro mais, tomo mais porradas da vida, me apaixono uma vez por semana, e sempre acho que sou mais com os outros do que os outros são comigo. Guardo uma porção de sentimentos não revelados, promessas não cumpridas e pequenas mágoas por coisas pequenas.
Não é algo que me orgulhe,ao contrário, estes sentimentos todos demonstram que os monstros da fraqueza e da dependência estão aqui adormecidos, prontos pra acordar ao menor descuido dessa menina que, depois de tanto tempo, escreve nesse blog.
Por ser assim me entristeço fácil e dou muita importância para coisas que a minha amiga Capitu certamente deixaria de lado, tornando seus dias muito mais fáceis.
Lembro de uma amiga que, aos seis anos de idade, me disse que eu a sufocava demais, o que partiu o meu coraçãozinho na época, e que eu sinto partir até hoje quando me vejo, de novo, a sufocar alguém com atenções e carinhos dos quais ninguém precisa.
E aqui estou eu, enquanto o ano dá seus últimos suspiros, me preparando psicologicamente para fazer um balanço de 2009, coisa que é inevitável de se fazer. Mas o que eu sei que não vai mudar nunca, é essa minha eterna mania de sentir demais.
obs: Natá, aqui está sua resposta, talvez agora você possa entender melhor o outro lado da história hehehe
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Sobre a borboleta
No meio da escada tinha uma borboleta
Tinha uma borboleta no meio da escada
Lá estava eu, atrasada para a primeira aula de sexta feira, ouvindo música e perdida em meus pensamentos. Sentei na escada, tomando cuidado para não encontrar o olhar de nenhuma das pessoas que estavam a minha volta, e então a vi. A borboleta, nem tão grande, nem tão pequena, parecia não ter olhos, estava claramente machucada, não era nem tão bonita, nem tão feia, era acinzentada e triste, como a manhã que se fazia lá fora.
Senti uma tremenda compaixão pela minha nova companheira de escada. Era companheira de solidão momentânea, e também estava deslocada naquele ambiente que não era o dela.
Quis tirá-la de lá, pude prever milhões de pés passando por cima dela depois do sinal que anuncia o intervalo, mas não tive coragem o suficiente pra isso. Sou covarde, e nisso a borboletinha era muito melhor que eu. Tinha um ar intimidador, com suas anteninhas apontando para a frente, e apesar de machucada, se mostrava forte.
A chegada de uma conhecida me distraiu completamente e acabei esquecendo minha amiga da asa cinza e quebrada. Na certa se perdeu na sola do sapato de alguém.
Fui lembrar dela no meio da aula, e agora já nem sei qual foi o motivo, só sei que senti uma culpa grande por ter esquecido daquela borboleta, que me fez perceber então, o quanto esquecemos das coisas pequenas com facilidade.
Uma pessoa é uma pessoa, não importa o quão pequena ela seja, aprendi isso assistindo a um filme que meu irmão de sete anos me emprestou. Bem, uma borboleta é uma borboleta, a borboletinha que tá na cozinha fazendo chocolate para a madrinha, ou a borboleta pequenina atrás do cafezal na noite de natal, ou as borboletas no estômago do apaixonado, ou aquela que nos trás sorte quando pousa em nosso ombro, ou então a borboleta de asas cinzas e quebradas, pausada no degrau de uma escola cinza e quebrada.
Não sei o que se fez dessa amiguinha, mas esse texto, é pra ela :)
Tinha uma borboleta no meio da escada
Lá estava eu, atrasada para a primeira aula de sexta feira, ouvindo música e perdida em meus pensamentos. Sentei na escada, tomando cuidado para não encontrar o olhar de nenhuma das pessoas que estavam a minha volta, e então a vi. A borboleta, nem tão grande, nem tão pequena, parecia não ter olhos, estava claramente machucada, não era nem tão bonita, nem tão feia, era acinzentada e triste, como a manhã que se fazia lá fora.
Senti uma tremenda compaixão pela minha nova companheira de escada. Era companheira de solidão momentânea, e também estava deslocada naquele ambiente que não era o dela.
Quis tirá-la de lá, pude prever milhões de pés passando por cima dela depois do sinal que anuncia o intervalo, mas não tive coragem o suficiente pra isso. Sou covarde, e nisso a borboletinha era muito melhor que eu. Tinha um ar intimidador, com suas anteninhas apontando para a frente, e apesar de machucada, se mostrava forte.
A chegada de uma conhecida me distraiu completamente e acabei esquecendo minha amiga da asa cinza e quebrada. Na certa se perdeu na sola do sapato de alguém.
Fui lembrar dela no meio da aula, e agora já nem sei qual foi o motivo, só sei que senti uma culpa grande por ter esquecido daquela borboleta, que me fez perceber então, o quanto esquecemos das coisas pequenas com facilidade.
Uma pessoa é uma pessoa, não importa o quão pequena ela seja, aprendi isso assistindo a um filme que meu irmão de sete anos me emprestou. Bem, uma borboleta é uma borboleta, a borboletinha que tá na cozinha fazendo chocolate para a madrinha, ou a borboleta pequenina atrás do cafezal na noite de natal, ou as borboletas no estômago do apaixonado, ou aquela que nos trás sorte quando pousa em nosso ombro, ou então a borboleta de asas cinzas e quebradas, pausada no degrau de uma escola cinza e quebrada.
Não sei o que se fez dessa amiguinha, mas esse texto, é pra ela :)
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Rua-cidade às 2h30 da manhã
Até as luzes parecem grandes demais.
Poderia facilmente me referir a esta rua como uma cidade inteira, onde as vidas se chocam e cada um representa o seu papel, muito bem representado.
Tenho escrito nesse blog com bem menos frequência do que gostaria, e durante o tempo em que fico afastada, uma dezena de textos passam pela minha cabeça, a respeito de momentos, ou frases, ou histórias... o que for. No entanto, quando hoje cliquei no "nova postagem", sem saber ao certo o que iria escrever, só sabendo dentro de mim que precisava fazê-lo, as luzes dessa rua-cidade vieram a minha mente, junto com o inevitável sentimento de pequenez que me toma, quando eu passo por ela.
Tenho-a como algo inatingível, ainda impossível para mim. O momento em que poderei caminhar por ela sem as preocupações e cobrança de horários ainda me parece distante, e por mais que eu anseie esse momento com certa intolerância, tenho medo de quando ele chegar.
Sei que quando as portas dessa cidade se abrirem para mim, alguma coisa aqui dentro vai morrer, algo de inocente e tranquilo será tomado pelo medo, pela insegurança e pela parcial liberdade que essas luzes, hoje vistas apenas através do vidro do carro, trarão pra mim no dia em que eu quebrar as barreiras.
Paro, vejo. Alguém no banco da frente do carro me indica alguma coisa, uma pessoa, ou um bar, não sei. Tudo o que vejo são borrões, e os rostos desses borrões, que procuram desesperadamente um refúgio nas esquinas da rua-cidade escura.
O carro segue, a rua fica para trás, mas o fascinio e a pequenez em relação a ela continuam. E me dizem que não é nada de mais, que é só uma rua... Mas é claro que eu não acredito.
Poderia facilmente me referir a esta rua como uma cidade inteira, onde as vidas se chocam e cada um representa o seu papel, muito bem representado.
Tenho escrito nesse blog com bem menos frequência do que gostaria, e durante o tempo em que fico afastada, uma dezena de textos passam pela minha cabeça, a respeito de momentos, ou frases, ou histórias... o que for. No entanto, quando hoje cliquei no "nova postagem", sem saber ao certo o que iria escrever, só sabendo dentro de mim que precisava fazê-lo, as luzes dessa rua-cidade vieram a minha mente, junto com o inevitável sentimento de pequenez que me toma, quando eu passo por ela.
Tenho-a como algo inatingível, ainda impossível para mim. O momento em que poderei caminhar por ela sem as preocupações e cobrança de horários ainda me parece distante, e por mais que eu anseie esse momento com certa intolerância, tenho medo de quando ele chegar.
Sei que quando as portas dessa cidade se abrirem para mim, alguma coisa aqui dentro vai morrer, algo de inocente e tranquilo será tomado pelo medo, pela insegurança e pela parcial liberdade que essas luzes, hoje vistas apenas através do vidro do carro, trarão pra mim no dia em que eu quebrar as barreiras.
Paro, vejo. Alguém no banco da frente do carro me indica alguma coisa, uma pessoa, ou um bar, não sei. Tudo o que vejo são borrões, e os rostos desses borrões, que procuram desesperadamente um refúgio nas esquinas da rua-cidade escura.
O carro segue, a rua fica para trás, mas o fascinio e a pequenez em relação a ela continuam. E me dizem que não é nada de mais, que é só uma rua... Mas é claro que eu não acredito.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Vontades
Quero um dia com 42 horas, ao invés de 24.
Quero poder estar com todos os meus amigos, todos os dias, ao mesmo tempo.
Quero não sentir saudade.
Quero poder ter oportunidade e inspiração para escrever no meu blog todos os dias.
Quero que me deem a notícia de que a nova epidemia não é uma gripe, e sim uma onda súbita de felicidade invadido os pulmões de todo mundo, fazendo as pessoas infectadas gritarem de alegria.
Quero não ter que me preocupar com fórmulas de física para passar na faculdade, e poder fazer o que eu amo.
Quero não brigar, NUNCA MAIS!
Quero dias em que tudo que se pode fazer é deitar e ver as núvens.
Quero passar as semanas sem a angústia das provas que estão pra chegar.
Quero que meu irmão me acorde com beijinhos, todo dia.
Quero sempre sentir aquele cansaço que invade, depois de ir em um show e pular e gritar até toda a energia ser gasta.
Quero uma infinita coleção de discos de vinil.
Quero menos preocupação com aquilo que é pequeno.
Quero ler todos os livros geniais já publicados.
Quero abraçar o mundo, e contagiar a todos com as minhas vontades e alegrias.
Quero perder o medo de expor minhas opiniões.
Quero ser mais segura.
Quero dias frios e ensolarados.
Quero poder escolher o que vou sonhar toda noite.
Quero um jardim na mniha sacada.
Quero um gato.
Quero um cãozinho.
Quero minhas meninas favoritas todos os dias.
Quero gargalhadas escandalosas no meio da rua.
Quero ouvir uma música tão alta, que acorde todos os vizinhos.
Quero que a matemática seja banida do universo.
Quero Poesia.
Quero um rock mais sincero, mais puro,
Quero pessoas mais sinceras também.
Quero GRITAAAAAAR bem altão, mesmo.
Quero não ter esse medo do ano acabar, e de tudo mudar, mas ainda assim, quero mudanças.
Quero tanta coisa, que acho que minha primeira vontade, é um coração maior, pra caberem todos os meus desejos. E as minhas paixões.
Quero poder estar com todos os meus amigos, todos os dias, ao mesmo tempo.
Quero não sentir saudade.
Quero poder ter oportunidade e inspiração para escrever no meu blog todos os dias.
Quero que me deem a notícia de que a nova epidemia não é uma gripe, e sim uma onda súbita de felicidade invadido os pulmões de todo mundo, fazendo as pessoas infectadas gritarem de alegria.
Quero não ter que me preocupar com fórmulas de física para passar na faculdade, e poder fazer o que eu amo.
Quero não brigar, NUNCA MAIS!
Quero dias em que tudo que se pode fazer é deitar e ver as núvens.
Quero passar as semanas sem a angústia das provas que estão pra chegar.
Quero que meu irmão me acorde com beijinhos, todo dia.
Quero sempre sentir aquele cansaço que invade, depois de ir em um show e pular e gritar até toda a energia ser gasta.
Quero uma infinita coleção de discos de vinil.
Quero menos preocupação com aquilo que é pequeno.
Quero ler todos os livros geniais já publicados.
Quero abraçar o mundo, e contagiar a todos com as minhas vontades e alegrias.
Quero perder o medo de expor minhas opiniões.
Quero ser mais segura.
Quero dias frios e ensolarados.
Quero poder escolher o que vou sonhar toda noite.
Quero um jardim na mniha sacada.
Quero um gato.
Quero um cãozinho.
Quero minhas meninas favoritas todos os dias.
Quero gargalhadas escandalosas no meio da rua.
Quero ouvir uma música tão alta, que acorde todos os vizinhos.
Quero que a matemática seja banida do universo.
Quero Poesia.
Quero um rock mais sincero, mais puro,
Quero pessoas mais sinceras também.
Quero GRITAAAAAAR bem altão, mesmo.
Quero não ter esse medo do ano acabar, e de tudo mudar, mas ainda assim, quero mudanças.
Quero tanta coisa, que acho que minha primeira vontade, é um coração maior, pra caberem todos os meus desejos. E as minhas paixões.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Chovendo na roseira.
Não me lembro por quanto tempo fiquei a fitar o espelho. Senti os olhos cansados, então sai triunfante da sala de estar.
Segui em direção ao jardim, que tinha sua beleza iluminada pelo tímido sol de inverno.
Sentei displicentemente na grama, que começava a ser aquecida pelos fracos raios de sol, e, em um gesto calmo, inclinei a cabeça para trás. Senti as pontas do meu cabelo avermelhado roçarem na grama, sorri.
Era bom estar sozinha em casa, sem Nestor, ou Dalva, ou minha querida mãezinha para me dizerem o que fazer, ou gritarem pelos aposentos da casa. Sabia que duraria pouco essa paz, então fiquei em silêncio, observando a borboleta gritantemente amarela voar traiçoeira, perto de uma roseira, que só da rosa mas não cheira a frescura das gostas úmidas, que é de Luísa que é de Paulinho, que é de João! Comecei a cantarolar, e gargalhei da minha tentativa fracassada de imitar Elis Regina, como se o fato de termos o mesmo nome fosse sinal de termos o mesmo dom. Emudeci, fiquei por uns instantes a contemplar meus pés brancos e descalços que destacavam-se mediante ao verde vivo do gramado. Então senti uma súbita vontade de ouvir música, para espantar a frustração de ter sido rejeitada pela terceira vez nos testes para aulas de técnica vocal. Não basta querer cantar, você tem que ter o mínimo de talento para iniciar o curso! Foram estas as palavras da professora que estava avaliando os candidatos, e que usava óculos de tartaruga.
Levantei preguiçosa, estiquei os braços, senti a pequena Tutu passar sua longa calda branca pelos meus calcanhares, sorri para ela: ah, se fossemos só nós duas por aqui, Tutu...
Fui em direção ao pequenino lance de escadas que separava a sala do jardim. Antes de entrar no casarão olhei pra trás, respirei fundo. Uma linda manhã julho, que amanhã não estará mais aqui.
Agachei em frente á cômoda e comecei a procurar, em meio aos discos empoeirados, um que me agradasse. Queria algo animado, para afastar qualquer sentimento doloroso que pudesse se manifestar. Se fico parada sem fazer nada, começo a me encher de pensamentos indesejáveis.
A medida em que a melodia da música começou a penetrar meus ouvidos, meus pés ganharam movimento. Rodei uma, duas, dez vezes enquanto alguém me contava a respeito de segurar a mão de outro alguém, ou era a minha mão que ele queria segurar? Não me importei, rodopiei até cair jogada no sofá. Não pensava em mais nada agora.
O disco parou, o silêncio tomou conta da sala fria e cheia de móveis. Me encolhi, então ouvi Tutu miando alto lá fora, na certa está perseguindo o Tico-tico que mora ao lado, pensei.
Levantei-me com a intenção de buscar uma blusa para cobrir meus ombros nus, mas me distraí com um casal de namorados que passava do outro lado da rua. Olhei-os pela janela, melancolicamente.
Se eu ao menos entrasse naquele curso, se ao menos pudesse provar a ele... É questão de prioridades, Elis, só isso ele sabia me dizer. E então me deixou sozinha, em meio aos lençóis encardidos da pensão em que morava. Uma lágrima rolou pelo canto do rosto.
Um vento forte bateu na janela, assustei-me, abri a porta e trouxe Tutu pra dentro, vai começar a chover. Antes de bater a porta pude ver pétalas de rosa arrastadas pelo vento.
Tentei ler um livro pra me distrair, em vão. Acabei cochilando na poltrona grande e mofada que ocupava grande parte do meu quarto, e despertei com os pingos da chuva batendo na janela, me aproximei para olhar.
Está chovendo na roseira, pensei.
Segui em direção ao jardim, que tinha sua beleza iluminada pelo tímido sol de inverno.
Sentei displicentemente na grama, que começava a ser aquecida pelos fracos raios de sol, e, em um gesto calmo, inclinei a cabeça para trás. Senti as pontas do meu cabelo avermelhado roçarem na grama, sorri.
Era bom estar sozinha em casa, sem Nestor, ou Dalva, ou minha querida mãezinha para me dizerem o que fazer, ou gritarem pelos aposentos da casa. Sabia que duraria pouco essa paz, então fiquei em silêncio, observando a borboleta gritantemente amarela voar traiçoeira, perto de uma roseira, que só da rosa mas não cheira a frescura das gostas úmidas, que é de Luísa que é de Paulinho, que é de João! Comecei a cantarolar, e gargalhei da minha tentativa fracassada de imitar Elis Regina, como se o fato de termos o mesmo nome fosse sinal de termos o mesmo dom. Emudeci, fiquei por uns instantes a contemplar meus pés brancos e descalços que destacavam-se mediante ao verde vivo do gramado. Então senti uma súbita vontade de ouvir música, para espantar a frustração de ter sido rejeitada pela terceira vez nos testes para aulas de técnica vocal. Não basta querer cantar, você tem que ter o mínimo de talento para iniciar o curso! Foram estas as palavras da professora que estava avaliando os candidatos, e que usava óculos de tartaruga.
Levantei preguiçosa, estiquei os braços, senti a pequena Tutu passar sua longa calda branca pelos meus calcanhares, sorri para ela: ah, se fossemos só nós duas por aqui, Tutu...
Fui em direção ao pequenino lance de escadas que separava a sala do jardim. Antes de entrar no casarão olhei pra trás, respirei fundo. Uma linda manhã julho, que amanhã não estará mais aqui.
Agachei em frente á cômoda e comecei a procurar, em meio aos discos empoeirados, um que me agradasse. Queria algo animado, para afastar qualquer sentimento doloroso que pudesse se manifestar. Se fico parada sem fazer nada, começo a me encher de pensamentos indesejáveis.
A medida em que a melodia da música começou a penetrar meus ouvidos, meus pés ganharam movimento. Rodei uma, duas, dez vezes enquanto alguém me contava a respeito de segurar a mão de outro alguém, ou era a minha mão que ele queria segurar? Não me importei, rodopiei até cair jogada no sofá. Não pensava em mais nada agora.
O disco parou, o silêncio tomou conta da sala fria e cheia de móveis. Me encolhi, então ouvi Tutu miando alto lá fora, na certa está perseguindo o Tico-tico que mora ao lado, pensei.
Levantei-me com a intenção de buscar uma blusa para cobrir meus ombros nus, mas me distraí com um casal de namorados que passava do outro lado da rua. Olhei-os pela janela, melancolicamente.
Se eu ao menos entrasse naquele curso, se ao menos pudesse provar a ele... É questão de prioridades, Elis, só isso ele sabia me dizer. E então me deixou sozinha, em meio aos lençóis encardidos da pensão em que morava. Uma lágrima rolou pelo canto do rosto.
Um vento forte bateu na janela, assustei-me, abri a porta e trouxe Tutu pra dentro, vai começar a chover. Antes de bater a porta pude ver pétalas de rosa arrastadas pelo vento.
Tentei ler um livro pra me distrair, em vão. Acabei cochilando na poltrona grande e mofada que ocupava grande parte do meu quarto, e despertei com os pingos da chuva batendo na janela, me aproximei para olhar.
Está chovendo na roseira, pensei.
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