E então você percebe que a menina da oitava série nunca foi embora. E isso te atinge como um soco no estômago, e dói mais ainda do que da primeira vez.
Talvez doa porque agora voce descobriu que não aprendeu coisa alguma desde os fatídicos dias de 2008. Continua sendo a mesma carente, dependente e insegura de sempre.
Acho que no fim ninguém nunca aprende droga nenhuma e depois de um ponto da vida a gente estagna e continua com os mesmos principios, manias e essência pro resto da vida.
O nó no peito é terrível.
Ninguém morre de ansiedade e angustia, dizem por aí. É, talvez não se morra mesmo, mas a dor do aparente abandono parece que vai te matar a qualquer momento.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Aos seis.
Quero voltar a enxergar com meus olhos de criança. Pensar situações, resolver conflitos, comer, dormir, olhar para cada coisinha que esteja no meu campo de visão. Quero tudo isso como quando tinha seis anos de idade.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
E se...
...Eu nunca tivesse saído de casa? E se eu ainda morasse no meu apartamento antigo? E se tivesse tido menos sorte nessa prova falha? E então, se eu tivesse feito um ano de cursinho? E se eu nunca tivesse tido todas estas experiências e passado por todos estes apuros? E se meu pensamento continuasse pequeno e limitado? Então não teria feito todos estes amigos e conhecido tantas pessoas, e amadurecido tanto, e não teria levado alguns belos socos da vida. Não teria sido sacaneada, e não teria recebido ajuda das pessoas que eu menos esperei.
Então eu nunca iria ter te conhecido. Nunca saberia sequer da sua existência.
Nuca teria derramado lágrimas, nem provocado tantas outras...não saberia o que é amar de verdade. Não saberia que a alegria é pra mim possível, e que eu posso sim ser feliz e correspondida no amor. Não saberia fazer planos a longo prazo,não saberia imaginar uma vida futura, não teria conhecido tantos lugares e aprendido tantas coisas.
Continuaria com o mesmo grupo limitado de amigos, do qual hoje eu sei que poucas pessoas fizeram por merecer, e estão comigo até hoje.
Não estaria deitada nesta cama, com estes textos em minhas mãos, pensando na aula de amanhã. Não pensaria que tenho de ir ao banco e ao mercado, que tenho contas a pagar, que não posso decepcionar os outros, e que tenho de me policiar para não me tornar o monstro que mais temo ser.
Não saberia o que é sentir a dor física da saudade, nem saberia valorizar tanto o telefonema de uma amiga. Não sentiria essa saudade estúpida do arroz do meu pai. Talvez fosse menos sensível. Talvez não.
Tenho muito o que aprender, e o acaso vai me guiar por suas linhas tortas e inesperadas. Acaso e destino, porque acho que os dois andam juntos.
E talvez amanhã tudo isso tenha mudado, e eu seja uma pessoa completamente diferente.
Talvez tudo isso seja um longo sonho, em uma tarde inquieta e chuvosa.
Luísa, open your eyes.
Então eu nunca iria ter te conhecido. Nunca saberia sequer da sua existência.
Nuca teria derramado lágrimas, nem provocado tantas outras...não saberia o que é amar de verdade. Não saberia que a alegria é pra mim possível, e que eu posso sim ser feliz e correspondida no amor. Não saberia fazer planos a longo prazo,não saberia imaginar uma vida futura, não teria conhecido tantos lugares e aprendido tantas coisas.
Continuaria com o mesmo grupo limitado de amigos, do qual hoje eu sei que poucas pessoas fizeram por merecer, e estão comigo até hoje.
Não estaria deitada nesta cama, com estes textos em minhas mãos, pensando na aula de amanhã. Não pensaria que tenho de ir ao banco e ao mercado, que tenho contas a pagar, que não posso decepcionar os outros, e que tenho de me policiar para não me tornar o monstro que mais temo ser.
Não saberia o que é sentir a dor física da saudade, nem saberia valorizar tanto o telefonema de uma amiga. Não sentiria essa saudade estúpida do arroz do meu pai. Talvez fosse menos sensível. Talvez não.
Tenho muito o que aprender, e o acaso vai me guiar por suas linhas tortas e inesperadas. Acaso e destino, porque acho que os dois andam juntos.
E talvez amanhã tudo isso tenha mudado, e eu seja uma pessoa completamente diferente.
Talvez tudo isso seja um longo sonho, em uma tarde inquieta e chuvosa.
Luísa, open your eyes.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Feliz é a inocente vestal...
...esquecendo o mundo, e sendo por ele esquecida.
Então acontece de vez em quando, de eu virar uma inocente vestal. Só não tenho muita certeza quando ao "feliz".
Um grão de areia aos poucos misturando-se a outros milhões de grãos de areia, sendo desfeito pela maré que sobe, impiedosa. Esquecendo o mundo, e sendo por ele esquecido.
Ninguém sente falta do grãozinho que se foi, sumiu, desapareceu. Fora engolido pelo mundo pra sempre.
O brilho eterno de uma pessoa esquecida. O brilho eterno das mentes sem lembranças.
Então acontece de vez em quando, de eu virar uma inocente vestal. Só não tenho muita certeza quando ao "feliz".
Um grão de areia aos poucos misturando-se a outros milhões de grãos de areia, sendo desfeito pela maré que sobe, impiedosa. Esquecendo o mundo, e sendo por ele esquecido.
Ninguém sente falta do grãozinho que se foi, sumiu, desapareceu. Fora engolido pelo mundo pra sempre.
O brilho eterno de uma pessoa esquecida. O brilho eterno das mentes sem lembranças.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Entre uma e outra estação(...)
As rugas dos olhos pastosos sorriram. Em seguida sorriu o sorriso de dentes tortos e alvos, sentados na cadeira preferencial do metrô.
O senhor com pouco mais de setenta anos, apoiava os braços em sua bengala antiga, de uma elegância esquecida, em um gesto lento e cansado.
Permanecera durante quase todo o nosso trajeto com a expressão rígida, e um ar sério, grave, talvez com os pensamentos em sua época de moleque jogador de bolinhas-de-gude e batedor de bafo, de aluno levado que se escondia embaixo da mesa para olhar a saia da professorinha. Talvez pensasse em uma finada esposa, ou um antigo caso de amor. Pode até ser, porque não? Que estivesse a pensar nos netinhos a quem estava indo encontrar para o almoço de domingo.
Tentei buscá-lo com o olhar, incansavelmente. Tinha a nítida impressão de que se conseguisse atrair sua atenção, e se trocássemos olhares, nem que fosse por um segundo, poderia adquirir uma porção pequena de sua sabedoria. Leria seu olhar e então entenderia sua história, a história da bengala, da camisa desbotada, das veias azulíssmias, saltadas do pescoço branco, e da boina preta. Veria sua esposa, seu primeiro emprego, o veria menino, correndo para o colo da mãe, com medo da chuva.
Não pude mais prestar atenção em meu livro, em minha música, nas estações que passavam. Queria apenas lê-lo, conquistar sua simpatia, quase como que eu uma espécie de hipnose momentânea, não conseguia desviar o olhar.
E meu velho companheiro permanecia impassível. Intocável.
Dei-me por vencida, era isso. Conformei-me apenas em imaginar sua vida, como já fiz tantas vezes com tantas almas que passam desapercebidas pelas ruas, sem que se note seu brilho.
Então, aconteceu. Quase como um milagre, o dono da bengala desviou o olhar para o assento o lado do meu. Um velhinho, de aparência um pouco mais jovem do que a do primeiro, acabara de sentar. E como se houvesse uma identificação imediata, trocaram olhares, sorrisos, e fim. Cúmplices.
Parceiros de histórias e experiências, identificaram-se e cumprimentaram-se, como se dissessem um ao outro "Hey, sei como você se sente. Sei que a solidão dói. Seus olhos já estão embaçados, seus ossos estão mais fracos, a paciência encurtou, a memória também. A saudade é maior companheira, e o medo da morte aumenta a cada minuto, eu sei". A fração de segundo com que se olharam e se desencontraram, foi o suficiente.
Hora de descer. Levantei-me, emocionada por ter sido testemunha deste gesto de cumplicidade mútua e breve, pensando em como a vida é bela, e em quantos encontros silenciosos e bonitos podem acontecer em um vagão simples de metrô.
O senhor com pouco mais de setenta anos, apoiava os braços em sua bengala antiga, de uma elegância esquecida, em um gesto lento e cansado.
Permanecera durante quase todo o nosso trajeto com a expressão rígida, e um ar sério, grave, talvez com os pensamentos em sua época de moleque jogador de bolinhas-de-gude e batedor de bafo, de aluno levado que se escondia embaixo da mesa para olhar a saia da professorinha. Talvez pensasse em uma finada esposa, ou um antigo caso de amor. Pode até ser, porque não? Que estivesse a pensar nos netinhos a quem estava indo encontrar para o almoço de domingo.
Tentei buscá-lo com o olhar, incansavelmente. Tinha a nítida impressão de que se conseguisse atrair sua atenção, e se trocássemos olhares, nem que fosse por um segundo, poderia adquirir uma porção pequena de sua sabedoria. Leria seu olhar e então entenderia sua história, a história da bengala, da camisa desbotada, das veias azulíssmias, saltadas do pescoço branco, e da boina preta. Veria sua esposa, seu primeiro emprego, o veria menino, correndo para o colo da mãe, com medo da chuva.
Não pude mais prestar atenção em meu livro, em minha música, nas estações que passavam. Queria apenas lê-lo, conquistar sua simpatia, quase como que eu uma espécie de hipnose momentânea, não conseguia desviar o olhar.
E meu velho companheiro permanecia impassível. Intocável.
Dei-me por vencida, era isso. Conformei-me apenas em imaginar sua vida, como já fiz tantas vezes com tantas almas que passam desapercebidas pelas ruas, sem que se note seu brilho.
Então, aconteceu. Quase como um milagre, o dono da bengala desviou o olhar para o assento o lado do meu. Um velhinho, de aparência um pouco mais jovem do que a do primeiro, acabara de sentar. E como se houvesse uma identificação imediata, trocaram olhares, sorrisos, e fim. Cúmplices.
Parceiros de histórias e experiências, identificaram-se e cumprimentaram-se, como se dissessem um ao outro "Hey, sei como você se sente. Sei que a solidão dói. Seus olhos já estão embaçados, seus ossos estão mais fracos, a paciência encurtou, a memória também. A saudade é maior companheira, e o medo da morte aumenta a cada minuto, eu sei". A fração de segundo com que se olharam e se desencontraram, foi o suficiente.
Hora de descer. Levantei-me, emocionada por ter sido testemunha deste gesto de cumplicidade mútua e breve, pensando em como a vida é bela, e em quantos encontros silenciosos e bonitos podem acontecer em um vagão simples de metrô.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
É que hoje eu acordei com saudade...
Parece estar sempre sorrindo. Sempre. Mesmo quando está triste ou nervosa, seus olhos risonhos não mentem. Essa eterna criança que ama viver, mais do que qualquer um que eu conheça, não tardará a sorrir novamente, o sorriso mais sincero que já vi.
Havia uma escola de inglês, e uma menina imatura. Havia uma professora especial, e então, a afinidade, a vontade de ficar horas e horas conversando depois das aulas, um convite para um jantar, um jantar, um jantar de onde nasceu uma amizade.
E então vieram presentes e discos, desabafos e conselhos, dicas, brigas, lágrimas.
Ela diz que eu a ensinei a abraçar, pois eu digo que ela me ensinou a viver. A viver e a saber que o mundo é sempre muito maior do que eu penso que é, e que sorvete de yogurte e o sorriso de uma criança dentro de um metrô cinzento estão entre as melhores coisas dessa vida. Ensinou que a Europa pode ser aí do lado, tudo depende do tamanho do seu sonho, e da sua determinação. Me ensinou a deixar o espelho de lado e a olhar pra dentro de mim mesma. Deu-me filmes, músicas, um show inesquecível, e passou a ser uma das minhas maiores referências como pessoa.
Uma saudade absurda durante um ano todo, e o medo de perde-la para o mundo... E antes de toda essa infinidade de coisas, me presenteou com a alegria de saber que se eu quiser, sim, poderemos ser eternas crianças, e que esse mundo que nós fizemos e é nosso, só nosso, vai durar para todo sempre.
É que hoje acordei com saudade, e com a incontrolável vontade de te dizer o quanto você é especial. E linda. Muito linda.
Tô sentindo meu peito explodir de amor nesse momento, até dói. E a vontade de te abraçar atinge a estratosfera.
Tô te esperando.
Volta logo, Tangerina.
Havia uma escola de inglês, e uma menina imatura. Havia uma professora especial, e então, a afinidade, a vontade de ficar horas e horas conversando depois das aulas, um convite para um jantar, um jantar, um jantar de onde nasceu uma amizade.
E então vieram presentes e discos, desabafos e conselhos, dicas, brigas, lágrimas.
Ela diz que eu a ensinei a abraçar, pois eu digo que ela me ensinou a viver. A viver e a saber que o mundo é sempre muito maior do que eu penso que é, e que sorvete de yogurte e o sorriso de uma criança dentro de um metrô cinzento estão entre as melhores coisas dessa vida. Ensinou que a Europa pode ser aí do lado, tudo depende do tamanho do seu sonho, e da sua determinação. Me ensinou a deixar o espelho de lado e a olhar pra dentro de mim mesma. Deu-me filmes, músicas, um show inesquecível, e passou a ser uma das minhas maiores referências como pessoa.
Uma saudade absurda durante um ano todo, e o medo de perde-la para o mundo... E antes de toda essa infinidade de coisas, me presenteou com a alegria de saber que se eu quiser, sim, poderemos ser eternas crianças, e que esse mundo que nós fizemos e é nosso, só nosso, vai durar para todo sempre.
É que hoje acordei com saudade, e com a incontrolável vontade de te dizer o quanto você é especial. E linda. Muito linda.
Tô sentindo meu peito explodir de amor nesse momento, até dói. E a vontade de te abraçar atinge a estratosfera.
Tô te esperando.
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sábado, 18 de dezembro de 2010
"Já se sentiu tão vivo, que chegou a doer?" II
Há pouco mais de dois anos atrás, um dos meus primeiros textos nesse blog, carregou este título.
Era um desabafo de tristezas e angústias, de um momento do qual ainda me lembro, não sem uma pontadinha de ressentimento.
Hoje, dois anos, milhares de textos, experiências, pessoas, sorrisos, e lágrimas depois, me parece justo utilizar este título novamente. A temática, felizmente, é completamente outra.
Talvez se tivesse naquela época a visão das coisas que tenho hoje, teria administrado o sofrimento de maneira muito mais colorida. Talvez as coisas nem tenham sido tão terríveis assim.
De todo modo, há dois dias atrás, quando voltava para minha cidade natal, depois de um ano deliciosamente conturbado e atípico, me ocorreu a pergunta...
Você, Luísa, já se sentiu tão viva, que chegou a doer?
Sorrio internamente. Foi só o que fiz, nesse ano que passou.
Algumas lágrimas me escaparam ao me despedir. Me peguei agradecendo aos quatro ventos a sorte de ter amigos como eles, enquanto andava pelas ruas da pacata cidade.
Fiz muito isso, ao longo do ano. Agradecer.
Sim, obrigada pelas oportunidades, pelo amadurecimento, pelas pessoas, pela superação de limites e mudança de idéias, pela mente que foi aberta, pelo conhecimento, pelas porradas da vida, pelos consolos, festas, tesouros, momentos. Pela sintonia e amizade conquistada com alguns, em um espaço de tempo tão curto. Por descobrir, ainda que de forma dolorida e um tanto frustrada, o que é gostar de alguém de verdade. Por aprender que estar só é bom, e que eu posso muito bem me levantar sozinha, se quiser.
Me senti tão viva, todos os dias, que sim, até me dói.
Seja nas noites no apartamento de cima, seja no bar na frente da faculdade, seja dentro da faculdade ou em uma festa qualquer. Na rua, na casa dos amigos, jogando conversa fora, tomando um sorvete, salvando o mundo. Fazendo coisas que eu nem achei que fosse capaz de fazer, me vendo de um modo completamente diferente, vivendo e tendo consciência disso, sendo capaz de contagiar alguns e ser contagiada por outros.
Tão viva, que chega a doer...
Que isso perdure por mais alguns aninhos, pelo menos, por favor :)
Era um desabafo de tristezas e angústias, de um momento do qual ainda me lembro, não sem uma pontadinha de ressentimento.
Hoje, dois anos, milhares de textos, experiências, pessoas, sorrisos, e lágrimas depois, me parece justo utilizar este título novamente. A temática, felizmente, é completamente outra.
Talvez se tivesse naquela época a visão das coisas que tenho hoje, teria administrado o sofrimento de maneira muito mais colorida. Talvez as coisas nem tenham sido tão terríveis assim.
De todo modo, há dois dias atrás, quando voltava para minha cidade natal, depois de um ano deliciosamente conturbado e atípico, me ocorreu a pergunta...
Você, Luísa, já se sentiu tão viva, que chegou a doer?
Sorrio internamente. Foi só o que fiz, nesse ano que passou.
Algumas lágrimas me escaparam ao me despedir. Me peguei agradecendo aos quatro ventos a sorte de ter amigos como eles, enquanto andava pelas ruas da pacata cidade.
Fiz muito isso, ao longo do ano. Agradecer.
Sim, obrigada pelas oportunidades, pelo amadurecimento, pelas pessoas, pela superação de limites e mudança de idéias, pela mente que foi aberta, pelo conhecimento, pelas porradas da vida, pelos consolos, festas, tesouros, momentos. Pela sintonia e amizade conquistada com alguns, em um espaço de tempo tão curto. Por descobrir, ainda que de forma dolorida e um tanto frustrada, o que é gostar de alguém de verdade. Por aprender que estar só é bom, e que eu posso muito bem me levantar sozinha, se quiser.
Me senti tão viva, todos os dias, que sim, até me dói.
Seja nas noites no apartamento de cima, seja no bar na frente da faculdade, seja dentro da faculdade ou em uma festa qualquer. Na rua, na casa dos amigos, jogando conversa fora, tomando um sorvete, salvando o mundo. Fazendo coisas que eu nem achei que fosse capaz de fazer, me vendo de um modo completamente diferente, vivendo e tendo consciência disso, sendo capaz de contagiar alguns e ser contagiada por outros.
Tão viva, que chega a doer...
Que isso perdure por mais alguns aninhos, pelo menos, por favor :)
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