terça-feira, 6 de julho de 2010

Antes da enchente.

Então, é hora de um novo começo.
Sempre procuro associar momentos da minha vida com uma música, ou artista, ou coisa que o valha. Talvez a música ideal apara esse momento fosse dos Smiths. Talvez eu devesse estar cantarolando "good times for a chaange..." enquanto me preparo para uma organização do meu armário, uma organização de pensamentos e um novo corte de cabelos, mas, por algum motivo, hoje comecei a ouvir algumas músicas que marcaram meus 14, 15 anos de idade (e isso nem faz tanto tempo, vai) e dentre elas, é claro, estava a saudosa Noção de nada.
Então, "já não consigo nem lembrar do mundo antes de você" é uma frase bem forte, e eu costumava cantar para alguém com quem hoje já nem falo. Mas sabe?? Eu consigo me lembrar do mundo antes dessa pessoa. Consigo me lembrar do mundo antes de todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Na certa me lembrarei dessa minha vida de agora, conforme pessoas novas forem chegando. Poxa! Não consigo é lembrar do mundo antes de mim mesma. Essas decisões, essas mudanças, os pensamentos, a forma como eu vou lidar com meus acontecimentos, com as lágrimas que puderem vir e com as noticias que vão chegar... tudo isso cabe a mim.
Antes da enchente. Vem vindo uma enchente por ai, as coisas vão mudar. Mas não é por causa de uma segunda pessoa, não. Estou pedindo por uma mudança, e parece que tenho esperado que alguém realize essa mudança pro mim. Mas não. Ela é minha, e só minha, como tudo mais, é tão minha que até me dói.
Parece que finalmente acordei para tudo, parece que enfim esse torpor maluco no qual me enfiei finalmente tenha terminado. Começo a perceber o quanto escrever meus pensamentos e bobagens aqui faz falta, o quanto tantas outras coisas deixadas para trás fazem falta. Tá na hora de mudar. Retomar alguns velhos pensamentos, jogar fora tantos outros que agora me fazem mal, e abrir espaço para que os novos venham.
É, posso lidar com isso, sei que posso!

"Antes do sol, da chuva... antes de voce".

domingo, 4 de julho de 2010

Sem direção

Tem diversas casas.
Agora não tem mais casa alguma.
A instabilidade vem marcando a vida dessa menina, que no momento encontra-se miseravelmente cansada. Psicológica e fisicamente. Seus olhos ardem de sono, mas recusa-se a ir dormir, sabe que pensamentos que a perturbam virão também perturbar-lhe os sonhos, que sempre foram seu combustível e refúgio para os momentos dolorosos.
Sempre que a fase ruim aparece, não pode deixar de pensar naquele par de olhos verdes e naquele carinho que ela sabe (e como sabe) que tornariam as cosias mais fáceis.
Sua zona de conforto desapareceu com menos de meia dúzia de palavras ingratas. Antes contava os dias para voltar, agora se pergunta o que, de fato, está fazendo aqui.
Pensamentos bons e ruins mudam com a mesma frequência que respira e inspira o ar do quarto vazio. A respiração é acelerada e o choro é lento, vai preso na garganta, e sente voltar, com um soco no estômago, aquela sensação perdida, aquela em que não sente o chão, que já era tão frágil, em baixo de seus pequenos pés.
O grito é preso, é seco, é cheio, é vazio. É inexistente, pois nem de gritar ela se sente capaz. Quer sair correndo até não sentir mais as pernas, quer sentar em uma rua onde ninguém a conheça e quer chorar, chorar até não ter mais nada a dizer, até pegar no sono, até esquecer...
Será um longo mês.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Lá vem, lá vem, lá vem de novo..

Os olhos sempre sonhadores. Estes olhos não a deixam mentir, nunca.
Essa é provavelmente mais uma de todas as outras ilusões.


"Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem(...)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ando tão a flor da pele

Não sei se é o tempo frio ou se são as lembranças que voltam constantemente.
Tenho pensado, e muito. Eu sempre penso muito, mas tenho pensado muito sobre assuntos específicos e nem sempre tão agradáveis.
Talvez eu não consiga levar algo pra frente porque tudo que por mim foi deixado para trás ainda é inacabado ou acabou de um jeito incompreensível. Sou medrosa, sou insegura. Pra tudo, tudo mesmo. Não, eu não sei me impor, e sim, eu me importo com o que pensam de mim e é claro, é claro que eu quero me adaptar, mas sem jamais perder a essência, e eu tenho isso tão vivo dentro de mim, que até dói.
A indiferença de alguns me magoa, a falta de compreensão de outros também. Quero ter um grande cordão em que eu possa envolver todos aqueles que eu amo, e quero poder voltar no tempo uns quatro anos, pra poder ouvir você me dizer boa noite, e me dizer que tudo vai ficar bem.
É só um momento, momento esse que eu só não podia segurar.
Talvez você não vá entender. Talvez ninguém vá.
Eu mesma, não entendo cosia alguma.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O menino e o Cãozinho

Da primeira vez, ele passou por mim sem que eu houvesse reparado devidamente. Absorta em meus pensamentos e draminhas pessoais, esqueço o quanto critíco e luto contra os que perdem a essência da infância, e acabo me tornando um deles.
Mas aí é que entra aquela coisa linda chamada vida. Sempre que me acontece de afundar no próprio ego e nas pequenices, ela me vem dar um puxão de orelha. Dessa vez foi através desse adorável ser.
Moleque, não deve ter mais do que doze anos. Vêm descalço, andar displicente que só a sua vida simples lhe permite ter, cabelo despenteado no rosto e a franja irregular, colada com o suor da testa. No tornozelo sujo, trás amarrada uma coleira, e em seu encalço vem um simpático companheiro canino que não lhe desgruda nem por um segundo. Língua para fora, olhar alegre, orelhas balançando, respiração ofegante. Estiveram correndo segundos antes.
O menino compra um lanche, uma coca-cola gelada, e se acomoda em uma mesa próxima a minha. Começa o espetáculo: Metade do lanche pra um, metade do lanche pra pra outro. Poucas vezes vi alguém se divertir tanto pra comer um sanduíche.
Eles se lambuzam, se acarinham, tomam coca-cola, e não tem um que passe e não olhe para os dois amigos. Alguns com certa indiferença, é verdade, outros, como eu, olham divertidos e intrigados, e ainda aqueles que olham com certa repulsa em ver como os dois são iguais, cão e menino, menino e cão.
Por algum motivo, não sei qual, o jovem se ausentou por alguns minutos, provavelmente para ir ao banheiro, ou coisa assim. Foi então que vi o desespero de seu amiguinho, o olhar perdido, o medo de seu companheiro não voltar mais.
Olha, talvez para a maioria de vocês eu escrever sobre isso não faça o menor sentido. Talvez todo mundo veja a todo dia, a toda hora, garotos com cães, dividindo lanches e brincando na rua. Talvez ninguém entenda porque tal cena mexeu tanto comigo. E tá tudo bem, eu não me importo, afinal, eu também não sei ao certo porque tudo isso me comoveu. Mas comoveu, e ainda bem que comoveu, porque na maioria das vezes eu só preciso disso. Uma simples imagem de uma criança brincando com um cão me acorda pros inúmeros acontecimentos fantásticos do mundo.
O mundo não vai parar porque alguém partiu seu coração, ou te disse alguma coisa feia, ou te decepcionou, ou porque as coisas não saíram do jeito como você estava planejando.
Existem centenas de garotos que continuam brincando com seus cachorros, e se refrescando em um dia quente de fim de verão. O mundo não vai parar, as coisas lindas estão aí, e o sofrimento, na maioria das vezes é puramente opcional.
Obrigada ao acaso, por ter me colocado estes dois simpáticos seres no caminho, e é claro, obrigada a eles, por me lembrarem de como é bom sorrir a toa em uma terça-feira a tarde :)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fluxo de consciência/Carta/Desabafo

O céu é tão escuro do outro lado da janela, que nem me atrevo a virar o pescoço para olhar uma segunda vez. Depois de dias de trégua as tempestades voltaram a bater violentamente contra as vidraças, e o guarda-chuva foi mais uma vez aberto, como forma de escudo contra os pingos frios e como um protesto às cores apagadas de uma cidade triste e parada.
Agora são 8h33 da manhã e aqui estou eu, esperando a rotina começar. Rotina essa que agora tem seus duas contados, e eu venho procurado a maneira mais correta de desabafar sobre isso. Vou embora, e agora é uma questão de poucas semanas. Os olhos marejam ao olhar a foto do meu pequeno irmão, posta bem aqui ao meu lado. Quando eu voltar, esse "pequeno" terá 12 anos de idade, e mesmo que eu volte com certa regularidade, perderei boa parte de sua trajetória, e isso dói.
O "vou sentir saudade" daquele que acredito ser o único por quem eu abandonaria todos os meus planos, volta aos meus ouvidos e se confunde com as palavras que digo a ele baixinho, num suspiro que engole choro...Quem é que vai cuidar de você, pai? Quem?
Quando na realidade a pergunta é quem vai cuidar de mim como você SEMPRE cuidou?
Meu quarto já é tão parte de mim que nem sei como poderei chamar outro aposento de meu. Quero leva-lo comigo, amo cada centímetro desse quarto, desde a parede vermelha aos antigos suportes de rede. Os ursinhos de pelúcia aparentemente esquecidos, a minha vitrola e os meus adorados discos de vinil. Não existe lugar como esse no mundo.
Escrevo meio escondido, enquanto imprimo envelopes que sei que imprimo pela última vez, e é claro que isso é emotivamente exagerado, mas vou sentir saudades de fazê-lo. Também vai deixar saudades essa moça, que sentou de frente pra mim por quase um ano. Por vezes quisermos matar uma a outra, por vezes ela me pegou cabulando serviço para fuçar na internet, e me deu uma baita bronca. E é claro que por vezes ela me ensinou lições que nem sabe que ensinou, e eu nem consigo pensar que daqui uma semana darei adeus a ela, aos lanchinhos no meio do expediente, às conversas, conselhos e caronas. Paulinha, uma das minhas mães.
Em 7 dias deixarei meu primeiro emprego, e os dois chefes mais bonzinhos, que eu sei que não se igualarão a nenhum outro que passe pela minha vida.
Lá se vai mais um dia de trabalho, o expediente já está quase no fim e já começo a me preparar pra ir pra casa da minha mãe, como faço frequentemente. Talvez ela seja a única que tenha a coragem de ler esse texto longo, até o final. É o jeito que ela encontra para estar perto de mim todos os dias.
Desculpe se as coisas são assim, mãe, e obrigada pelos pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Como se interessar pelo que eu escuto, leio e escrevo, ou por sair no meio da tarde só pra comprar as coisas que eu gosto. Você é uma heroína e nem sabe.
Sei que assim que eu chegar na casa dela meu avô estará lá pra me recepcionar, com aquele olhar de quem voltou a ser criança e não lembra mais como é cuidar de si mesmo. Toda vez que me despeço dele, internamente, por mais terrível que isso possa parecer, me pergunto se será a última vez, e só de pensar nisso me dá vontade de chorar.
Aliás, tudo tem me feito chorar ultimamente. Agora já são três da tarde e eu ainda não consegui terminar esse fluxo de consciência/carta/texto/desabafo.
A música do Star Wars vem alto da televisão. Fecho meus olhos e tento a todo o custo gravar essa casa, nesse momento, dentro de mim. O chinelo do meu avô arrastando pra lá e pra cá, o cheiro que só tem aqui nessa sala, o meu ermano vendo desenho e meu tio, o cara mais inteligente que eu conheço, trabalhando no laboratório. Antes o Gabriel, meu anjo da guarda há cinco anos, apareceu de surpresa na porta do meu trabalho, andamos de mãos dadas e ele me contou da faculdade. Faculdade, é pra onde quase todos nós estamos indo. Uns, mas especiais e sonhadores, vão para a Holanda e ouros, para a alegria do público e orgulho dos amigos, vão para grupos de teatro.
Meus amigos estão escapando da minha mão, cada um segue seu caminho, e foge por entre meus dedos pequenos. Mas tá tudo bem, tenho de ir também. Agora penso naquela amiga que não só me inspirou a montar esse blog, como também me ensinou o que é a vida mais do que qualquer outra. Penso na pequena estilista com quem a vida sempre acaba me reunindo. Tem a lourinha do sorrisão, que é uma atriz formidável, os amigos de infância, os amigos que conquistei recentemente, aquelas três meninas que eu sei que vão me acompanhar pra sempre e, é claro, o meu chaveiro, talismã da sorte e amiga que lê meus pensamentos e me conhece decor.
Gostaria de levar todos comigo, todos, do fundo do meu pâncreas. São todos aqueles para quem eu não teria ter que dizer adeus.
Tem também aquele professor por quem fui apaixonada durante o ensino médio, o menino que mora no prédio próximo, que me deu meu primeiro beijo e hoje é meu grande amigo, todas as paixões platónicas que foram intensas e caladas e, é claro, aquele por quem eu sempre fui um pouquinho apaixonada, apesar de não admitir nem pro meu travesseiro.
Sei que tá na hora de parar de escrever... sinto os segundos passando. O tempo corre contra mim e meu irmão me chama pra brincar de esconde-esconde com ele.

Amanhã vou conhecer meu novo "lar", mas meu pensamento estará em São Bernardo do Campo e seus pequenos encantos. Os dias passados aqui, os sorriso, amigos, suspiros e gargalhadas, levo comigo cada esquina. Tudo aqui é tão meu, tão eu, que até dói.

(Pensamentos e declarações de amor e saudade antecipada, aos meus 17 anos de histórias e memórias vividos por aqui.)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Para Matheus.

Tem sete anos. É pequeno. Pensa que é um Jedi.
Clichê é falar do quanto as crianças são especiais e curiosas, e eu não vou nem entrar no mérito dessa discussão porque, nem se eu tentasse, conseguiria passar para um texto o quanto ESSA criança é especial e curiosa. Uma, porque as minhas habilidades como "escritora" ainda são um tanto restritas, e outra porque qualquer palavra, por mais bem elaborada, não explicaria o que é o Matheus, de maneira apropriada.
Meu irmão não é o mais inteligente, nem o mais bonito(apesar de chegar bem perto disso), ou o mais sensível, ou o mais engraçado garoto do mundo. Talvez possa dizer que ele é o mais especial, e com certeza posso dizer que ele é o mais amado, e o mais amável.
Correndo banguelo pela casa, com seu sabre de luz imaginário e vociferando palavras do seu prório vocabulário, olhando no relógio de tempo em tempo, pra não perder o horário do seu desenho favorito. Se eu pedir um beijinho pra ele, sei que para na hora o que estiver fazendo, vai chegar de mancinho e beijar meu ombro aquele beijo estaldo e gelado de sorvete de morango.
Não acho necessário me prolongar muito nesse texto, que nunca vai sair do jeito que eu gostaria e que nem sei se vou ter coragem de mostrar pra ele um dia. É mais um desabafo, uma explosão de amor e saudade antecipada, é mais um marejar de olhos que cresceu, e um suspiro que se prolongou, um pensamento que foi além do pensamento.
Aqui, Matheus, te deixo minhas desculpas sinceras, por não poder estar presente no seu dia-a-dia, pelos momentos incríveis que eu vou perder, e por não acompanhar o seu crescimento e a sua evolução como esse ser humano extraordinário que você é. Desculpe também se ás vezes eu tenho atitudes de pessoa crescida e chata, e não entendo alguma brincadeira sua.
Te deixo meu agradecimento, por me ensinar aquelas cosias que só garotinhos de sete anos podem ensinar pra gente. Obrigada também pelo amor incondicional e pela inocência, que como todo o meu coração eu desejo que você concerve.
Tenha muita força, e saiba que o mundo pode sim ser feio e cruel, mas ele é muito mais beleza, Matheus, e eu espero que você saiba enxergar isso.
Sei que não posso te proteger de todas as pessoas e situações ruins que você vai enfrentar, mas eu o faria, se pudesse.
Tem grandes olhos verdes. É magrelo. Está atualmente banguelo e queimado de sol. Eu o amo muito mais do que um dia eu pensei amar alguém.