sexta-feira, 6 de março de 2009

Meu quarto.

No momento, tem três pares de tênis espalhados pelo quarto, uma toalha jogada no chão, duas roupas íntimas penduradas na maçaneta.
Livros, apostilas e um fichário se misturam em cima do banquinho vermelho.
Na cama, a bolsa com alguns botons encontra-se largada e embolada nos lençóis, bem ao lado da velha calça jeans, que está do avesso.
Uma pilha de livros consideravelmente desarrumada se forma na pequena estante ao lado da cama.
Ao meu lado, um copo vazio onde antes tinha suco de "morangos silvestres" (corante puro) faz par com uma tijelinha vazia, que há minutos atrás estava cheia de batatinhas.
Não vou nem tentar abrir o guarda-roupa, sei que tudo vai despencar de lá.

Paro e penso: "preciso arrumar o quarto". Daí depois eu olho ao redor... olho, olho de novo, olho mais uma vez.
A música que toca agora é belíssima, quero dançar, pular em cima do "puf" e esquecer de tudo e de todos( Eu realmente faria se ele não estivesse amontoado de pinguins, Bob Esponja e outros bichinhos de pelúcia). É realmente uma bela canção.
Mas, afinal, pra que arrumar o quarto, se ele é quase sempre assim?
Pra que muda-lo, se é aqui que eu me encontro sempre?
Sempre e sempre :)

segunda-feira, 2 de março de 2009

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Você não sabe qual é minha banda favorita, muito menos a música. Não sabe do que eu gosto de fazer quando não tenho nada pra fazer, não sabe dos livros que eu leio, do perfume que eu uso. Não faz ideia do quanto eu gosto de andar pra lá e pra cá pelo meu apartamento, quando ele tá vazio, e o quanto eu adoro deitar nas almofadonas que tem na sala, pra cantarolar uma canção qualquer.
Não sabe da minha nova descoberta, do meu seriado favorito, da melhor fala de filme de todos os tempos, ou daquela cena que me fez chorar.
Não sabe a data do meu aniversário, meu signo( mesmo que não acredite em astrologia, ou o diabo que o valha) e nem qual é o meu feriado favorito do ano.
Não sabe por quem eu choro quando a noite vem, não sabe quem é a pessoa que me faz sorrir, só em pensar nela. Também não sabe onde eu vou toda quinta-feira a noite e o quanto me faz bem.
Não sabe dos meus antigos e novos amores, não sabe dos meus amigos e dos momentos maravilhosos e terríveis que passei ao lado deles.
Não sabe quem são os meus heróis e ídolos.
Não sabe qual é a minha matéria favorita, ou a que eu mais detesto.
Não sabe que quando eu tomo sorvete, ou como chocolate fico dez vezes mais feliz do que o normal.
Não sabe qual é meu suco favorito, nem que eu detesto refrigerante.
Não sabe qual flor eu acho mais bonita, e qual eu acho que tem o melhor perfume.
Não sabe dos meus medos, anseios e planos(...)


De verdade, a mim não importa que você não saiba nada disso, esse é o tipo de coisa (que diz quem a pessoa realmente é) que você só descobre com um pouco mais de convivência, é o que torna a pessoa encantadora ou não, especial ou não.
O que pega mesmo é que você não tá nem um pouco interessado em saber.
Niguém nunca tá interessado em saber porcaria alguma.

domingo, 1 de março de 2009

já é março...

o mês mudou, nem notei.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Quinta-feira

Sentado ao meu lado havia um homem, homem que tinha um dos olhares mais tristes que eu já vi.
Ele não dizia nada, nenhuma expressão em seu rosto além da evidente tristeza. Tristeza que transbordava.
Ao redor, pessoas cantando: Algumas com profunda alegria, outras para curar uma ferida secreta e ainda outras que em momentos de angústia e vazio cantam, numa busca desesperada pela fé. Todos cantando, mas ele calado. Calado e triste, triste e calado.
Escrevia algo, um longo texto, e apoiava o pedaço de papel com muita dificuldade, tomando cuidado para não fura-lo com a caneta.
Me pus a pensar o que fazia esse homem tão triste. Ele exalava uma solidão desoladora, daquelas de ter vontade de leva-lo embora para garantir que o sentimento de abandono nunca mais se manifestasse em seu ser.
Puxa, como eu adoro essa música! Lágrimas escorrem, assim como a chuva escorre lentamente pela janela lá fora.
Canto por mim e por todas as almas do salão. Mas acima de tudo, canto pelo triste e solitário homem sentado ao meu lado, que está a escrever, sem parar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

As aventuras de Cucupi.

Quando eu era bem miudinha, mas bem miudinha mesmo, meu pai costumava inventar histórias para me fazer dormir.
Só conheci a Bela adormecida e a Branca de neve quando, mais pra frente, começaram a me presentear com fitas de vídeo e tudo mais. Antes disso, só ouvia contos extremamente originais, inventados pelo meu maior herói.
Existiam vários personagens, mas dentre eles, o meu favorito sempre foi uma simpática minhoca chamada "Cucupi", que vivia no cantinho do tronco de uma árvore e passava por muitas aventuras na floresta.
As histórias eram sempre diferentes e eu costumava guardar todas, fala por fala, na minha memória. Isso era um problemão pro meu pai, afinal, o fato de eu sempre lembrar da história completa não significa que ele também lembrava.
É claro que, como a maioria das crianças, eu pedia pra ele contar a mesma história pelo menos mais umas três vezes e é claro que ele não lembrava tudo nos mínimos detalhes, como eu sempre fazia.
Acabava que no fim das contas era eu que contava novamente as aventuras da Cucupi pro meu pai, que lembrava apenas de 10% da história que ele mesmo havia inventando.

Sinto falta desses dias em que a minhoquinha Cucupi era a maior alegria que eu poderia ter.
Eu cresci, treze anos se passaram, e ainda tenho a serelepe Cucupi viva em minha memória, rastejando pelo chão da floresta :D

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cornélio Fudge

Hoje notei uma incrível semelhança entre meu professor de biologia, Gerson, e o ministro da magia, Cornélio Fudge.
Agora, toda vez que o professor entrar na sala, vou imagina-lo usando um chapéu coco verde-limão. Isso tornará as aulas bem mais divertidas :D

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Menininha

A menina no homem
O homem na menina
A menina ri, chora, ora
A menina no homem alfora
Encantada ela olha os brinquedos
Não pode toca-los, mas brinca
brinca com seu olhar atento e puro.
O homem não sabe pra onde ela iria
O homem não sabe de onde ela foi
Não sabe seu nome, desconhece seu físico
Só sabe que ela ri, chora e ora
E que eu seu ser a menininha alfora.
Nada sabe dizer, em nada pode mexer
Engatinha pelo chão do apartamento vazio
O homem lhe acompanha, emprestando mente e corpo
Alma, a garotinha já não pode mais ter.
A menina ri, chora, ora
A menina no homem aflora
Por fim ela cumpre sua missão
E ainda com aquela inocência de quem pode contar 
a idade nos dedos das mãos,
a pequenina vai-se embora.

A paz reina, no apartamento vazio.