quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De mãos atadas.

Eles ainda estão lá
Quem sabe agora, sofrendo tudo de novo
Quem sabe todos os dias

Seja bem-vinda ao mundo real
É feio, não?
Diferente de todo o castelo de bonequinha
que você construiu quando era pequena

Fora do castelo lá estão todos eles
Toda a podridão e perversão
Seus possíveis castelos, irremediavelmente destruídos

Seja bom, seja mau
Seja bom? Seja mau?
Inocente ou já calejado pela vida
Ainda lá, e ainda despreparado para enfrentar
A invasão daqueles que provavelmente
Deixaram a alma em algum lugar e esqueceram de buscar


Não me fale de escolhas, relativismo, personalidades
Não me fale disso
Não tenha voz para argumentar uma tentativa de compreensão

Você não é um deles
Eu não sou um deles

Nunca entenderemos o desespero daqueles que gritam baixinho

E eles continuarão exatamente onde estão.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sobre o pessimismo

Tem sempre aquela intuição que não nos deixa enganar. Por mais que os pensamentos racionais lutem para nos invadir, por mais que queiramos isso, a intuição e a angústia vem deixar bem claro, "aqui não".
É realmente devastador perceber que em quatro anos não se evoluiu nada. NADA.
Toda a segurança e fortaleza que você pensou ter construído dentro de si, na verdade têm a leveza de uma pluma, e olha como elas já voaram pra longe.
Parece que nunca estiveram aqui.
E sim, todas as noites sem dormir não te serviram de aprendizado, parece que a vocação para o masoquismo nunca esteve tão aparente.

-Faça suas malas, vá embora. Corre pro colo do teu pai, dos amigos que te querem bem e leva contigo só o calor do abraço acolhedor e olhar receptivo daquele com quem você compartilha tua vida.
-Não posso. Pra que deixar toda essa dor para trás se posso vivê-la e remoê-la agora?

The dog days are coming.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para não esquecer.

É preciso lembrar do brilho. Talvez esta seja a mais difícil dentre todas as tarefas, mas é preciso.
Lembrar-se das coisas geniais que a cercam, e que se estas o fazem, é por um merecimento que por diversas vezes ela pensa não ter.
E mesmo que seu mundo e sua paranóia a joguem pra baixo, e mesmo que os seus demônios internos, com quem luta diariamente, insistam em dizer que ela não é digna, que não é boa, que não vai dar certo, ainda sim é preciso lutar para melhorar. É preciso olhar para dentro de si mesma e achar o que de belo está escondido, mesmo que seja na mais íntima e esquecida parte de si mesma.
Ter o tempo todo a certeza de que pode estar sozinha no fim do dia, no fim dos pensamentos, dos delírios, dos sentimentos. E que isto não é ruim, não é. Ela deve se bastar.
Conquistar a sabedoria, a capacidade e a bondade de sorrir para quem a quer mal. Sabe que esta aí é uma coisa complicada de conseguir, mas ao menos tentar não se deixar atingir pelos pobres de espírito e de coração.

É preciso, sim, é preciso que ela repita para si mesma que merece tudo que tem. Que é especial, que tem seu valor, que tem as melhores pessoas e oportunidades do mundo... e acima de tudo, é preciso que ela não se deixe abater, e faça por merecer tudo o que a vida graciosamente lhe deu.

A luta diária.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entre estas quatro paredes

Onde tudo começou.
Quando eu ainda nem sabia que a vida era a vida, que mamãe era mamãe, papai era papai,que e meu quarto era meu. Mesmo quando eu não sabia...ele já estava lá.
Minha história entre estas quatro paredes começou quando eu ainda era nova demais para saber como este era o meu refúgio perfeito.
Diários escondidos, medos secretos de olhar em baixo da cama, a parede vermelha, a mudança dos móveis, o Scooby-doo, brincadeiras de boneca, o Alfie, o Baby, Cucupie e Mico, as conversas nas noites infinitas com as melhores amigas que a época me proporcionou.
A alegria de ter a minha própria vitrola, meus discos, ouvir estes discos, nesta vitrola, com as pessoas mais inesquecíveis da minha vida. A antiga rede montada, os filmes da disney e as horas ouvindo as bandas favoritas no rádio das meninas super poderosas.
Os estudos desesperados na última hora, os amigos sempre prontos para ajudar. Pizza de chocolate, fanta uva e pipoca.
A semanal mudança de fotos no mural, a vontade de ficar no quarto pra sempre.
As noites em que o travesseiro, também companheiro de longa data, abafou os soluços e sentiu o salgado gosto das lágrimas de uma pequena versão de mim, que por tanto chorou. Ah, como a ouviu chorar, este velho quarto.
Viu-me crescer, e tornar-me mais forte. Acompanhou as mudanças de gostos, ideais, e até uma ligeira mudança na aparência.
Nele coube o primeiro amor, o grande amor, os amores passageiros. Colegas, amigos momentâneos, amigos de longa data, não mais amigos, amigos pra vida inteira.
Nele couberam os filmes favoritos, os livros e poemas, as cartas e bilhetes que levo comigo pra sempre.
Coube a Luísa fraca e imatura, a Luísa egoísta, a Luísa ciumenta, a Luísa arrependida. A Luísa Sorridente, feliz. A apaixonada e a desiludida. A Luísa ansiosa, a nervosa, a desesperada, a exagerada.
A Luísa que cresceu, que agora compreende. Uma Luísa mais madura, ainda com muito a aprender. A Luísa criança.
A Luísa eternamente criança, crescida, sempre contraditória e em constante movimento.
Este meu refúgio em todas as fases, mesmo com todas as transformações, mudanças e contradições,sempre esteve lá pra mim. Sempre.

E agora estará lá para outra pessoa, uma completa estranha, que, seja lá quem for, tem muita sorte. E espero que cuide deste meu companheiro da vida toda.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Descobrindo Universos.

A mesma sorveteria, ao menos uma vez a cada duas semanas. O mesmo homem de sorriso terno, pouco mais de 50 anos, boné na cabeça, avental alvíssimo e um oclinhos escondendo um olhar que mais tarde se revelará saudoso e sonhador. Uma gentileza sempre sincera e piadas casuais de dono de sorveteria. "Boa noite". "Obrigada". "Volte sempre".
Tenho o péssimo hábito de ser levada pela rotina. Vez por outra penso estar ficando com o espírito de um adulto, ouço menos música, falo menos sobre as pequenices da vida, escrevo menos no meu blog e acabo esquecendo que cada pessoa é um universo inteirinho, único.
O bonito, bonito mesmo, é que sempre que isso acontece, sempre que eu resolvo ficar velha,a vida me aparece com todas as suas coisas bonitas, e dá um jeito de me enviar um sinal. O dessa vez foi ele, o dono da minha sorveteria favorita.
De repente, fui honrada com um pedacinho do universo desse homem, que se abriu, fundiu-se com o meu, e esse partilhamento de alegrias surgiu de um mero detalhe, que me acompanha sempre, tanto que vez por outra me esqueço dele.
Então é isso, da imagem estampada na bolsa favorita, imagem essa da banda favorita, vem o comentário, e do comentário surge a conversa, a surpresa, o sentimento de culpa por subestimar tanto os universos bonitos das pessoas, por não percebe-los, e a alegria de poder, de repente, ter a percepção destes universos uma vez ou outra. Surpreender-se.
O dono do melhor sorvete de morango da Galáxia, sim, ele mesmo. Ele fez serenatas para suas namoradas, tocou Taiguara, Chico Buarque, Toquinho, Vinícius, e conheceu todos eles na época em que trabalhava na rádio de Assis. Viveu na época da ditaruda, curtiu rock 'n' roll de qualidade. Gosta do Paul, dos Beatles, Pink e Floyd e todas essas bandas geniais. Sente-se triste pela geração de seus filhos, que não tem pelo que lutar, e que não quer lutar por nada. Lamenta a música brasileira, que só sabe divulgar aquilo que não presta.
Talvez exagere um pouco ao contar suas histórias, e isso é plenamente compreensível. Todos nós queremos deixar o nosso universo mais belo e especial do que ele já é.
Indicou-me programas da TV Cultura, contou-me da sua coleção de discos de vinil e me disse o quanto era legal que eu gostasse das mesmas coisas que ele.
Comentei que eu provavelmente tenha nascido na época errada. Ele concordou.

Saí da sorveteria com vontade de chorar de alegria, agradecendo muito à vida por estes puxõs de orelha.
E por cada um de nós sermos universos incríveis a serem desvendados. Incríveis.



Obs: Obrigada meu bem, por ter partilhado esse momento comigo. E por ter sentido o mesmo que eu.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

I know it's over

E então você percebe que a menina da oitava série nunca foi embora. E isso te atinge como um soco no estômago, e dói mais ainda do que da primeira vez.
Talvez doa porque agora voce descobriu que não aprendeu coisa alguma desde os fatídicos dias de 2008. Continua sendo a mesma carente, dependente e insegura de sempre.
Acho que no fim ninguém nunca aprende droga nenhuma e depois de um ponto da vida a gente estagna e continua com os mesmos principios, manias e essência pro resto da vida.
O nó no peito é terrível.
Ninguém morre de ansiedade e angustia, dizem por aí. É, talvez não se morra mesmo, mas a dor do aparente abandono parece que vai te matar a qualquer momento.

terça-feira, 29 de março de 2011

Aos seis.

Quero voltar a enxergar com meus olhos de criança. Pensar situações, resolver conflitos, comer, dormir, olhar para cada coisinha que esteja no meu campo de visão. Quero tudo isso como quando tinha seis anos de idade.
Mas não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo! Sendo assim, me esforço severamente, e mais constantemente agora, nestes tempos de tempestade, para tentar pensar no que a sábia Luísa, aos seis, faria.
O ciúmes, a raiva, a tristeza, a euforia, a insônia... Tudo isso se manifestaria de uma forma mais simples, crua, clara. Talvez até um pouco menos dolorida. Talvez angústias bobas e angústias sem razão aparente até perdessem seu significado.
Tudo se tornaria secundário, e essa Luísa sairia no quintal da sua casa favorita, para tomar um banho de chuva.